sexta-feira, 30 de julho de 2021

"O FIM DA HISTÓRIA E O ÚLTIMO HOMEM", by Francis Fukuyama




Lugar à filosofia.
Para quem, como eu, não é especialmente versado no tema e menos ainda na dimensão e profundidade como aqui é tratado, a leitura deste livro revela-se de assimilação lenta e pedregosa. Lê-lo mais não é se não um exercício de curiosidade e intrometimento em assunto destinado a eruditos. Várias vezes forcei-me a uma pausa para ampliar meus conhecimentos, comparativamente rudimentares (recorrendo ao dr. Google), e rever conceitos para melhor acompanhar o pensamento do autor.

Surfar pelo tema - filosofia social - cavalgando ideias de outras mentes, mentes esclarecidas, é de per se estimulante.
E valeu a pena.

A quem quiser fluir pelas ideias aqui expostas, é exigido um background específico e amplo, sem o qual a leitura será árdua.

O tema - Organização das Sociedades /ou/ Regimes Políticos - é revisto e analisado numa perspetiva histórica, i.é., de grande fôlego, abrangente, recorrendo a pensadores clássicos, menos clássicos e contemporâneos, e numa tentativa de projeção ou alerta futurista: por que modelo ou modelos de governance as sociedades optarão ou se encaminharão.

Aporta tese própria, já calibrado com a de pensadores que considera e respeita.
Lembra os diversos regimes conhecidos - incluindo a democracia mais ou menos liberal -, postulando que todos são finitos. Recorda, para não recuar à democracia grega antiga, que a ocidental começou a desenhar-se há apenas 225 anos, alavancada pela independência dos EUA (1776) e logo a seguir pela revolução francesa (1789).

E todos sabemos as voltas e reviravoltas que o mundo deu, em todas as geografias, impulsionadas por essas frentes dinâmicas; dinâmicas essas que originaram fragilidades, decadências e fim de impérios coloniais - América do Sul (1800), por exemplo -, mas também avanços importantes em muitas outras.

O mundo em geral foi aspergido e contaminado por essas ideias e conceitos novos. As gentes de então tomaram conta das ruas em muitas latitudes até hoje. Várias soluções de governação foram aparecendo e experimentadas, e outras caindo por substituição, com perfis de execução variáveis de país para país.

Não sei se certo, mas Francis Fukuyama, o autor, pensa bem, articula bem e passa bem a mensagem.
No final assume como inevitável, como fazendo parte do caminhar normal das sociedades, que a democracia liberal, como a conhecemos, não será o último dos regimes, mesmo assumindo que é o mais avançado e que melhor responde ao bem-estar do coletivo humano do século XXI.

Qual virá a seguir, então?
O futuro defini-lo-á.

Numa continuidade temática inclui e interpreta o homem enquanto agente principal das sociedades; as forças que o animam para o estatismo ou para as mudanças. Percorre todo(?) o labirinto anímico e comportamental do ser humano, não deixando certezas, antes interrogações.


sábado, 10 de julho de 2021

Sardinhada Viets_Vila do Conde


Sem surpresas, sem alaridos, como se nos tivéssemos despedido ontem, assim foi o nosso reencontro.
Apanhamos com facilidade os fios da nossa meada no ponto em que os tínhamos deixado, e continuamos a enrolá-los na dobadoira que adquirimos em terras longínquas. Desfiamos, com o gosto de sempre, os fios do prazer dos encontros, da alegria conjunta, do riso síncrono, da gargalhada espontânea e contagiante.
Estar debaixo da mesma campânula, conversar solto, sem pressão de freios incómodos, produz efeitos distendidos, relaxantes, prazerosos. E estimulantes.
Entrar no dia-a-dia da vida das pessoas a quem se quer bem, completa-nos; fecha interrogações geradas nas ausências.

É bem gostoso sentir que, por um tempo, o relógio perdeu os ponteiros;
que o tempo, afinal, é elástico;
que o tempo, afinal, é intemporal;
que nele cabe, afinal, o que lá quisermos colocar.

À volta de uma simples sardinha, perante quem a invejosa lagosta prestou vassalagem e nem apareceu, - obrigado Jorge pela excelente pescaria -, coisas simples e agradáveis aconteceram: saboreamos, mais uma vez, o gosto de bem viver.

Fiquei saciado.
Utilizando uma expressão bem prosaica de satisfação (desculpem): “ainda ‘arroto’ a sardinha”.
Satisfazemos o palato e os insaciáveis estômagos;
deambulamos errantes pelas ruas ao ritmo lento da respiração (e de algum vento fresco!);
Sintonizamo-nos na pandemia; 
Desconfinamos da hibernação mental em curso;
Arriscamos um abraço.
Já lhes disse que gosto de abraços?

E isto é pouco?
Não, não é: é (quase) tudo.

* obrigado, again, pela solidariedade e proximidade pessoal nestes últimos meses.

@Viet-Raquel
@Viet_Jorge
@Eduarda Silva
@Madalena (Viet)
@Viet-Grace
@Viet-Carla Rodrigues
@Viet-Carla Guedes
@Viet-Carla Silva
e
@a_Branca(Esposa)





sexta-feira, 7 de maio de 2021

70! É Bom Ter 70. | A Idade é uma Circunstância

70!    É bom ter    70.
Está a valer bem a pena
A idade é uma circunstância

De há tempos, quando confrontado com a idade, tateava uma resposta: vou fazer 70!, a que juntava uma expressão remoçada de 60, 65 no máximo, à espera do ‘não parece!’ do outro lado. Ou seja, num processo de aproximação lenta, irrigado gota a gota, a mente, sábia, como que de pertença alheia, foi gerindo e postergando habilmente o processo natural diluindo-o impercetivelmente pelos dias. O embaraço tonto que o ‘não parece’ ocasionava foi dando lugar à cedência serena. Devagarinho, pois, calçando pantufas e percorrendo o labirinto sinuoso da mente, os 70 foram aterrando suavemente sem azedumes ou queixas. Instalaram-se confortavelmente no seu lugar com promessas epifânicas.
E com um propósito claro: manter todas as portas do mundo próximo e longínquo escancaradas a fim de que pitada alguma do que por aí ocorra se perca e, acima de tudo, tudo seja vivido, sentido e degustado com prazer intenso e na medida certa.

A mente continua atenta e igualmente sábia quando alija tralha supérflua e se refina no essencial: empatia com as pessoas, principalmente com quem a seu lado caminhou e caminha mas, sobretudo, com os seus, mais e menos próximos. E com o mundo em geral, obviamente.

Porque terá deixado alguma energia ao longo das estradas mais íngremes, o hospedeiro de uma tal mente terá de fazer um esforço extra - incluindo estimulação cognitiva e física - para se manter colado ao pelotão da frente.
A mente humana é prodigiosa!

A idade é uma (geo)circunstância. Gosto desta expressão que para mim quer dizer que cada idade, qualquer idade, é um status, sim, mas também um estadium. Em resultado de diversas camadas de vivências sobrepostas, chega-se a qualquer delas apreciando-as com o esmero dos temperos que foram sendo preferidos. Em consequência, nenhuma idade é igual e, digo eu, ainda bem. A desigualdade e a aleatoriedade daí resultantes favorecem a novidade e a transitoriedade em cada uma. E ao desigualá-las, justifica e estimula-as. Apetece dizer que estas metamorfoses se adaptam aos quesitos de cada etapa.

A vida é um laboratório em atividade onde cada ser aparta os reagentes com os quais quer fazer a experiência de viver.

Olhando um pouco para trás, mas sem desperdiçar muito tempo - até porque o que inebria os sentidos está sempre para a frente -, dou conta de assim ter acontecido. Utilizei os elementos disponíveis em cada fase de acordo com os meus recursos pessoais.

Claro que nem sempre resultou à primeira - isso é que era doce… como sói dizer-se -, mas o espírito experimentalista e animista prevaleceram e propulsaram uma segunda e terceira tentativas.

E tem sido uma vida rica em pluralidade e emoções. E aqui não me refiro a feitos heróicos ou realizações transcendentes - que não os houve ou há, sublinho -, mas ao grau de importância que lhes dediquei e dedico.

Domina-me um sentimento de contentamento e muitas vezes de felicidade que praticamente neutralizam os menos conseguidos. Tenho, inclusive, por gosto e opção sobrevalorizar os bons, reconverter e até mitificar os outros. Ficam mais interessantes assim.

Os carrosséis onde viajo - ora nos rápidos/lentos, ora nos suaves/turbulentos, ora nos prazerosos/agitados, ora na montanha russa - aceleram o ritmo cardíaco, rodopiam emoções, oxigenam o cérebro, tonificam momentos, a tudo dando inspiração e grandeza.

Há dias, em alongada tertúlia com compagnons de route, recuperamos eventos e sentimentos comuns, ruminamos risonhos sobre eles para rematar: temos sido uns afortunados! E fomos passando em revista, em ecrã panorâmico, inúmeros acontecimentos presenciais ou distantes que vivemos até agora, os mais marcantes a nível pessoal, local, nacional e global.

Concordamos que, neste nosso tempo - anos '50 para cá -, o mundo teve uma progressão acelerada; que ciclicamente aumentou e diminuiu de tamanho. Aumentou porque assumimos dominar melhor o seu todo, e simultaneamente também diminuiu no sentido em que praticamente todo ele nos ficou geograficamente mais acessível por mar, terra, ar e conhecimento; que vivemos dentro de todo ele um tempo rico em dimensão e imprevisibilidade tão diversas que vão do primeiro contacto do homem com a lua à paternidade, passando pelo aparecimento da internet e agora a pandemia.
Chegamos a Marte.

E repescamos ao acaso e ao ocaso mais alguns numa transe calma de contentamento aos quais acrescento a esmo, agora, outros mais:

Anos 50
Apanhamos as sequelas da II guerra;
Sub valorizamos as dificuldades sentidas ao tempo por pais e avós;
Comemos, sem refilar, um terço de uma sardinha a pingar em muito pão caseiro;
Íamos à 'Loja' comprar mistura de café, açúcar e petróleo para a candeia;
Roubamos uma lasca ao bacalhau;
Compramos um 'trigo' às escondidas à padeira do giro;
Corremos descalços e sozinhos para a escola;
Aprendemos nas escolas de Salazar;
Memorizamos as fotografias de Craveiro Lopes e Américo Tomás a olhar-nos fixamente das paredes;
Apanhamos reguadas nas mãos pequeninas e frias;
Cantamos o Hino Nacional no começo da aula;
Decoramos os nomes dos rios, das estações da CP, das províncias...
Sabíamos de cor a música da tabuada;
Não percebemos o crucifixo na parede;
Catequizamos nas sacristias das igrejas;
Rezamos o terço à noite;
Não sabíamos o que dizer ao padre na confissão;
Deitamos o pião, corremos atrás do arco e fintamos com a bola de trapos;
Roubamos fruta das árvores dos vizinhos;
Brincamos no terreiro e na calçada até cansar;
Alongamos o dia estival noite adentro para ver as alegres desfolhadas e malhadas;
Esgueiramos e foliamos pelas festas e romarias até às tantas;
Salivamos ao ver os doces expostos nas tendas;
Construímos brinquedos e engenhocas;
Corremos desabridos, livres e soltos pelas aldeias, de calças rotas no cu, ao sol, à chuva e ao vento;
Apressamos para o Café para ver as primeiras imagens da tv, a p&b;
Ignoramos o que se passava em Cuba de Fidel;
Escutamos de olhos arregalados as histórias da carochinha contadas e repetidas à lareira;
Esperamos pela biblioteca ambulante da Gulbenkian;
Líamos as histórias de encantar;
Tomamos banho nus nos rios limpos;

Anos 60
Entretínhamos a ver o 'Dói Dói, a Pincelada e gato Renato’, de Júlio Isidro;
Escutamos as histórias de Solnado nos transístores a pilhas;
Aceleramos com JM Fangio;
Patinamos com o hockey de Livramento;
Celebramos, quase, a conquista do mundial de futebol de Eusébio em '66;
Despertamos e soltamos o romantismo com as canções francesas e italianas;
Lemos as aventuras dos ‘Cinco’ e dos ‘Sete’;
Imitamos Piaf, Mireille Mathieu, Gigliola Cinquetti, Joselito, Sinatra, Redding, Dylan, Elton John, Ton John, Simon & Garfunkel...
Horrorizamos com a Guerra do Vietnam;
Segredamos sobre Gulak de Estaline;
Distanciamos da China de Mao;
Admiramos Nelson Mandela;
Chacoalhamos nas nossas as ideias de J. Orwell;
Animamos com a vitória de John Kennedy;
Trajamos como os hippies;
Choramos e vimos chorar pelos nossos soldados na Invasão de Goa/Damão/Diu;
(como chorava e gritava a Sra. Teresa do Pomar de Cima pelo seu filho Manel)
Suspendemos a respiração com os mísseis de Cuba;
Olhamos, subimos e aplaudimos a minissaia;
Demos as boas vindas à camisinha;
Percorremos todas as curvas de Marilyn Monroe e BB;
Estonteamos com a beleza de Raquel Welch;
Mexemos o capacete com o Rock'n'roll de Elvis;
Criamos Conjuntos Musicais;
"Cantamos o fado" às gajas e trovas às donzelas;
Empurramos Salazar da cadeira;
Desiludimos com Marcelo Caetano;
Corremos para o 'make love not war' de Woodstock;
Cantamos, saltamos e dançamos com os Beatles, Stones, Joplin, Freddie Mercury, e tantos outros;
Preparamos o futuro nas escolas técnicas, nos liceus, nas universidades, nas profissões tradições;
Empinamos o nariz para a lua para ver Neil Armstrong a poisar lá o pé;
Surrupiámos revistas da Playboy;
Enchemos de otimismo com Martin Luther King;
Seguimos, assustados, a Guerra dos Sete Dias;
Vimos Música no Coração, Dez Mandamentos, Zorro, Mascarilha e muitas CowBoyadas;
Saltamos de galho em galho com a destreza de Tarzan atrás da Jane;
Rimos a bom rir com o Bucha&Estica;
Treinamos novo jeito de andar com Charlot;
Embalamos com a valsa da meia-noite nos bailes da paróquia;
Sacamos um ’roço’ nos bailaricos das festas populares;

Anos 70
Voamos do torrão natal;
Despedimo-nos dos nossos emigrantes ‘a salto’ para o mundo;
Desejamos que terminasse a Guerra Fria;
Passeamos em calças boca de sino;
Deixamos crescer bigodes farfalhudos, barbas e cabelos;
Especulamos com o Watergate;
Amedrontamos com a Guerra em Angola, Moçambique e Guiné;
Participamos na guerra colonial, esse destino fatal;
(um destino que ninguém queria mas que ninguém o apaga do seu curriculum)
Exibimos o quico de ‘Che’;
Acreditamos no ‘Portugal e o Futuro’ de Spínola;
Lá longe, juntamos nossa bravura e saudade às lágrimas das esposas, dos pais e dos irmãos;
Dissemos adeus às armas;
Desejamos e fomentamos a Revolução dos Cravos;
Aprendemos a democracia em Abril de 74;
Engrossamos o coro popular com a Grândola Vila Morena e Gaivota;
Escaldamos com o Verão quente de 75;
Celebramos a liberdade e reivindicamos direitos pelas ruas apinhadas;
Engrossamos as filas em busca dos caramelos espanhóis;
Dormimos ao relento nos parques de campismo;
Gargalhamos com o Pátio das Cantigas, Leão da Estrela, Aldeia da Roupa Branca…
Cancelamos tudo para ver ‘Gabriela Cravo e Canela' e o Coronel Ramiro Bastos;
Disputamos bilhetes para ver ‘O último tango em Paris’;
Cantamos com Madonna o ‘Don’t cry for me Argentina ;
Peregrinamos para as praias algarvias;
Pernoitamos nas camionetas a caminho de Benidorm e Salou;
Execramos Pol Pot;
Mal-dizemos Pinochet;
Iniciamos vida profissional;
Transplantamos corações com Christiaan Barnard;
Aguentamos duas bancas rotas nacionais seguidas, ‘77, '83 e terceira em 2011;
Sobrevivemos a inflações e juros de 30%;
Casamos;
Vieram os filhos, a nossa maior façanha e motivação;
Afinamos o ouvido para a música com o génio de Beethoven;
Valsamos com o Danúbio de Strauss;
Silenciamos com os violinos de Vivaldi;
Escalamos às nuvens com a elegância e delicadeza de Mozart;
Ironizamos com Archie Bunker;
Rimos com Allô Allô;
Ligamos o rádio para ouvir o Sala e a Olga;
Esperávamos ansiosos pelo Festival da Canção;

Anos 80
Invadimos a Europa por terra e ar e depois o mundo;
Tememos a Sida;
Explodimos com o calcanhar de Madjer;
Pulamos e saltamos exaustos de discoteca em discoteca;
Corremos atrás do Ouro Olímpico de Carlos Lopes, de Rosa Mota, Mamede e Castros;
Despedimos as máquinas de escrever;
Resistimos aos primeiros computadores;
Falávamos da chegada da Internet;
Invejamos os Yuppies;
Ovacionamos a queda do muro de Berlim;
Aliviamos com o fim da Guerra Fria;
Não compreendemos a reação da China em Tiananmen;
Entramos na velocidade da União Europeia;
Alegramos com a entrada de Portugal na UE;
Jejuamos dos bifes das Vacas Loucas;
Tememos pela vida de João Paulo II no atentado;
Não assassinaríamos John Lennon;
Aderimos ao Concerto Live Aid;
Inquietamos com o desastre Chernobyl;
Desejamos que terminasse a Guerra Irão/Iraque;
Muito falamos sobre a Guerra do Afeganistão/URSS;
Opinamos com a Invasão das Malvinas;
Imitamos os ABBA;

Anos 90
Não colapsamos com a URSS;
Experimentamos os primeiros clicks em www;
Compramos PC´s;
Reunificamos as Alemanhas;
Duvidamos do Fim do Apartheid;
Demos vivas ao Presidente Mandela;
Hesitamos em apoiar a Guerra do Golfo;
Demos o último adeus a Freddie Mercury;
Entristecemos com a fatalidade da Princesa Diana;
Anedotamos com Bill Clinton e Monica Lewinsky;
Retiramos do último território ultramarino: Macau;
Orgulhamos com o Nobel a Saramago;
Prosperamos a par do mundo;
Apoiamos as democracias nas ex-nações soviéticos e todos as outras;
Tememos o Bug na mudança das datas 1999/2000;
Clonamos a Ovelha Dolly;
Envergonhamos ao usar o Telemóvel na rua;
Víamos as Spice Girls;

Anos 00
Viramos o século XX;
Saudamos o XXI;
Trocamos o velho Escudo$ pelo Euro€;
Contentamos com o Euro Grupo;
Quisemos segurar, atónitos e horrorizados as Twin Towers;
Ligamos as Tv’s para Timor (Massacre Stª Cruz);
Descremos da Guerra do Iraque;
Condoemos com o Tsunami de Sumatra;
‘Quase’ ganhamos o Euro 2004;
Conectamos com o mundo através do FaceBook/Twitter...
Estupidificamos com o facebook/twitter;
Algoritamos com as redes sociais;
Ficamos mais atentos às mudanças climáticas com o Furacão Katrina;
Massificamos com a Internet;
Viciamos no Smartphone;
Enternecemos com o desaparecimento de João Paulo II;
Amarguramos com o Crash de ‘08;
Despediu-se Michael Jackson;
Confinamos e teletrabalhámos na Gripe das Aves;
Alegramos com a chegada de Barack Obama;
Fomo-nos despedindo, com dor, da geração anterior;
Hipnotizamos com a chegada dos Netos, esses Príncipes Perfeitos;

Anos '10
Acompanhamos a captura de Bin Laden;
Barafustamos com a Troika;
Maldizemos o governo;
Apertamos o cinto com as restrições;
Acenamos pela última vez a Mandela;
Espreitamos as Reformas;
Discutimos sobre os migrantes no mediterrâneo;
Discordamos do Brexit;
Foi-se Fidel Castro;
Surpreendemos com a eleição de Trump;
Incendiamos com Pedrógão;
Festejamos a conquista do Europeu de Futebol;

Anos ‘20
Caiu-nos em cima o CoronaVírus e a pandemia;
Silenciamos com a paragem das rodas dentadas da máquina do mundo;
Unimo-nos a ele (mundo) na preocupação;
Seguimos enclausurados a evolução;
Congelamos os abraços;
Recorremos à internet, quase, para tudo;
Contentamos com os esforços globais para as vacinas;
Mascarámo-nos com esse objeto estranho e difícil;
Aprendemos novos modos de viver;
Respiramos de alívio com Biden;
Perseveramos com 'Perseverança' a aterrar em Marte;
Acreditamos no amanhã;

E sempre:
  Zelamos pelas amizades
    Enfeitamos os laços sociais
       Cultivamos interações familiares

Que virá a seguir?
Pois que venha. O que vier será bem-vindo.

Avivo e reformulo diariamente a ambição em alta, mantendo o foco no amanhã.





terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Bom Feriado Carnaval/Viets

Bom Carnaval 'a tutti' e vejam se não foliem em excesso.

Por aqui, por Matosinhos, está tudo a gozar ao máximo este tão esperado quanto merecido feriado de carnaval.
Até São Pedro está a colaborar abrindo-nos um sol bonito e quente.
Finalmente um feriadito para podermos estar sossegados e descansar em casa.
Que saudades que eu tinha da minha casinha.
É que tanta agitação e euforia como a que temos vivido ultimamente, também desgasta, também cansa…
Ninguém pára um instante!

E, agora, nesta tarde que espero longa, vou assistir aos desfiles carnavalescos; mas confesso que ainda não decidi se pelo de Ovar, Torres Novas, Rio Janeiro ou Veneza; ou, quiçá, de Espinho, Porto, Maia/Penafiel, Famalicão, Stº Tirso.
Em Matosinhos, sim, porque aqui pelas ruas e marginal, vai uma animação que só visto.
Um conselho de amigo: não se entusiasmem. Não venham afoitos por aí abaixo que já não há bilhetes.
Meu coração balança com tantas opções.

Estou aqui um bocado atrapalhado pois me faltam as palavras certas para lhes transmitir a alegria, a diversão, o entusiasmo que observo nos foliões! e em mim próprio!, e com isso tentar superar a da vossa terra. O que, sei, não será tarefa fácil.
Que ousadia a minha!

Talvez me possam ajudar descrevendo a que vai nas vossas ‘terrinhas’. Sim, ´terrinhas’ porque como aqui, de tão grandiosas, é impossível ultrapassarem-nos.
Mas noto, muito surpreendido!, que as máscaras são, no geral, muito iguais! E não estou a entender bem porquê!? Que se passa!?
Alguém me pode explicar tão inusitada preferência?
Muito obrigado.

Pouco satisfeito com esta ‘mascarada’, admito, embora como longínqua hipótese, ficar na cratera do meu sofá a ver toda a animação que vai por aí... pela tv.
Qualquer dia contar-lhes-ei a história da cratera no sofá, uma cratera que fiz com todo o carinho e teeeempo. Através dela consigo já ver a Ópera de Sidney e cangurus saltitantes… 
Gostariam de uma cratera assim? Posso enviar as instruções.

Então, divirtam-me. 
“Não deixes para amanhã o que podes gozar hoje”

Abraços ‘a tutti quanti’
E saudades, claro.

PS - Day After

Depois da crónica sobre o Carnaval pelas ruas e calçadão de Matosinhos e para não pensarem que foi bluff, junto fotografias do evento. O repórter estava lá e tudo registou ao pormenor mas, de momento, apenas estão disponíveis estas duas.


Sim, é verdade, as fotos refletem o pós-desfile, e já depois de tudo convenientemente limpo e arrumado.

Falta apenas retirar estas grades delimitadoras dos acessos, o que será feito brevemente - mal o mau tempo dê uma oportunidade. Suspeita-se que continuem por ali por mais uns tempos, segundo informações colhidas junto da edilidade local.


Também nos foi dito que, em princípio, para o ano haverá mais carnaval


Beijinhos e Abraços ‘a tutti quanti’


Nota: espera-se idêntica concordância da Madalena, pessoa insuspeita no caso.





sábado, 23 de janeiro de 2021

“Homo Deus” - by Yuval Noah Harari



“Homo Deus”

- ‘História Breve do Amanhã’

by Yuval Noah Harari

Trad.: Bruno Vieira Amaral

Faz tempo, algum, que não lia livros, incluindo audiobooks, em ritmo continuado.

A necessidade emergente de me sentir online com o nosso mundo, um mundo tão ebulitivo nestes últimos meses, fez-me optar, entre outros media, pela novidade crescente do mundo dos podcasts e relegar a leitura mais longa, mais estruturada, para depois. Aceder a multi informações e opiniões que me centrassem no problema tornou-se prioritário.

A pandemia - já sindemia em muitos pontos do globo - foi o novo ingrediente mistério(?) que, ao provocar uma total agitação no modus operandi ou status quo mundial, obrigou a uma interação geral - felizmente concertada em várias geografias. De repente, vindo do impensável, tudo entrou em alvoroço e, quase, - pasme-se - em sintonia. Urgia entrar nesse caldeirão fervente e, inevitavelmente, fazer parte dele.

E, para mim, os podcasts responderam bastante bem.


[Sobre os podcasts alguém profetizou já que destronariam a rádio! Nessa linha opinarei que, também os jornais, em papel e online, e tv's, estão a ensaiar esta plataforma como resposta às mutações dos tempos; mas sem se saber se a profecia se cumprirá ou se aparecerão alternativas. O certo é que o espectador, leitor - no caso ouvinte -, está mais errante, mais dinâmico, mais presente na net, nas redes sociais. E é lá que o modelo de negócio dos media encontrará, veremos, uma nova saída económica que os sustente. Estamos numa fase de transição com sobreposição em diversos meios de comunicação; ou seja, pode-se ter acesso ao que se quiser, como, quando, onde e quantas vezes se quiser, nesta plataforma também. Entre nós, o Expresso é, creio, o mais arrojado mas o Observador, o Público e demais também. Não investiguei o suficiente. Várias rubricas do Expresso estão em podcasts e com qualidade audível.

Nota: os podcasts têm a vantagem de serem mais diretos, menos editados e padecerem apenas da pressão do tempo e não da imagem.]


Fechado o parênteses reto, volto ao tema inicial: leitura.


Forcei-me a retomar a companhia dos livros por necessidade imperiosa, quase vital: reavivar léxicos que o dia-a-dia desusa mas enriquecedores na expressão pela fala e/ou pela escrita; e porque ficções de outros, por simpatia, despoletam as próprias mantendo aceso algum fervilhar mental, o que me agrada.

Sabe bem retomar e por vezes roubar conhecimentos e lógicas de terceiros. 


Regresso assim ao meu estimado Yuval Noah Harari - o de ‘SAPIENS’ -, para embarcar na sua visão insuflada de optimismo sobre a evolução do homem e das sociedades; da humanidade.


Posto isto, vamos ao ‘Homo Deus’.

Depois da boa surpresa que foi o Homo Sapiens, em que Yuval Noah Harari alinha a evolução do homem e da humanidade e conclui pela sua supremacia sobre o resto dos seres, surge o inevitável Homo Deus. Este último é, de resto, como que o Tomo II, ou, por outra, a sequência lógica do primeiro: eleva (a evolução) o animal homem à divindade. Coloca-lhe a condução do mundo nas mãos, responsabilizando-o; dá-lhe alertas a ter em conta aquando das soluções que achar por bem dever tomar; deixa claro que não há espaço nem tempo para sebastianismos. Para o projetar a esse status tece pelo caminho raciocínios surpreendentes, originais e cruzados entre si que o põe a pensar e que vale a pena conhecer.


Nestes dois livros pelo menos, Yuval Noah Harari revela-se um corredor de fundo; não tem pressa de chegar (pratica Vipassana), ao invés, coloca-nos na pista obstáculos novos em que não tropeçamos - ou, sim, tropeçamos - pois chama a si a interrogação, a resposta, o contraditório e a réplica.

Através de uma escrita fluída, animada, bastas vezes com o nosso sorriso do 'como é que não tinha pensado nisto!?', disrupte o panfletário mundial de ideias tidas como certas e questiona, questiona, questiona. E responde, responde, responde.


É pouco comum ler alguém tão crente na evolução da humanidade e, quiça, tão assertivo. Onde tantos vêm problemas inultrapassáveis ou mesmo terminais ele vê saídas várias e tantas vezes de uma simplicidade desconcertante e hilariante.


Socorre-se de conhecimentos e saberes adquiridos de largo espetro e serve-no-los já em súmula.


Livro para ler com calma para dar tempo a que estas novas asserções chocalhem com as nossas.


DINÂMICO: ‘Sapiens’, by Yuval Noah Harari (2013) (dinamico-dinamico.blogspot.com)


sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

“A Conspiração Contra a América”, by Philip Roth


“A Conspiração Contra a América”

Tradução de Fernando Pinto Rodrigues

Dom Quixote, Romance dd 2005


“The Plot Against America”

By Philip Roth, a novel dd 2004


Alguma razão têm os escritores quando referem que os seus livros deixam de ser seus a partir do momento em que chegam aos leitores. Este é mais um e bom exemplo disso mesmo.


Apesar do reforço adicional de ser escrito na primeira pessoa e até usar o próprio nome num dos personagem, o leitor - eu incluído - tende a esquecer quem o escreve pois se perde nos caminhos por onde é levado ou o próprio descobre.

Este Philip Roth, através da sua enorme capacidade de expressar em palavras pormenores do quotidiano, de criar e recriar factos, argumentos e contextos, limita um pouco essa deriva pois absorve, condiciona e até conduz a atenção. 

Coloca interrogações novas a quem se interessa pela coisa pública, pelo comportamento das pessoas em/e sociedades, pelo fascínio do poder, pela tontice que, tantas vezes, anima os dirigentes…

Deixa, não obstante, margem para se optar por caminhos alternativos, tirar outras ilações e conclusões que melhor sirvam quem o lê.

O que mais me surpreendeu e agradou foi a sua veia criativa, narrativa e descritiva: brilhante.


Agora o tema do livro: sobre os judeus durante a segunda guerra (assunto recorrente nos seus livros, segundo li na sua biografia na net, sendo ele próprio de ascendência judaico-americana). 


Ensaio ou ficçao sobre a hipótese de, durante a II guerra, ter sido eleito para Presidente dos EUA um conservador e, mais que conservador, um fascista seguidor-confesso de Hitler, e o que isso significaria para os judeus, em particular para os judeus americanos, se tal tivesse acontecido.

Sobre essa hipótese tece e retece cenários interessantes. Como um bom escritor que é, coloca esses judeus em situações passíveis e perfeitamente possíveis de terem ocorrido.

Há páginas de alguma aridez mas no geral são bem duras e humanamente tocantes.


E premonitórias.

A América trumpiana do “Great Again”/“First”, está aqui retratada. Em 2005!. Até parece que Trump leu (se soubesse ler) o livro e o adotou como cartilha. Lindbergh, o presidente-personagem do romance foi o sósia inspirador de Trump. E, na respectiva escala, de Ventura, esse português estranho e igualmente desprezível.


A veia criativa de Philip Roth não seca, pelo contrário, jorra página a página ao ponto de distrair o leitor do objectivo que demora ou fica por perceber; a não ser o de dar a conhecer e sensibilizar as novas gerações sobre as atrocidades a que os judeus foram sujeitos durante a II Guerra. Evidentemente que é defensável e crível que o que a estes judeus-americanos acontece no livro, tenha acontecido de facto a muitos judeus-europeus e, mais do que aqui é suposto, aconteceu muito, mas muito mais e pior.

 

Tenho presente, muitas vezes, os horrores que a história registou a respeito deste povo. Sobressalto-me sempre com o acervo/evidências que vi em Auschwitz ou, mais recentemente, em Israel.


Romance longo, bem escrito mas algo exagerado nos detalhes.

Ou talvez não.


sábado, 2 de janeiro de 2021

POR AQUI e por ALI" - From Bill Bryson


"POR AQUI e por ALI".

Edição Portuguesa da Bertrand, 2015

Tradução de Miguel Conde

A Walk in the Woods, 1997

From Bill Bryson

Filme de 2015 com o mesmo nome

(Robert Redford, Nick Nolte and Emma Thompson)


É um belo livro, de leitura animada, inclusive para aliviar da clausura em tempos de pandemia. Sim, porque o espaço para leituras mais longas ou mais sérias(?) têm escasseado por estes dias. E era crescente a vontade de encontrar uma fuga para escapar de alguma letargia instalada. Percorrer o mundo, via livros, é uma possibilidade sempre à mão.


Surgiu este na hora certa (obrigado Luís) trazendo no desfolhar das suas páginas sensibilidades para o lado da ecologia, da sustentabilidade do planeta como um todo. Repassa, reflete e critica o incongruente e frenético estilo de vida americano, a erosão que o 'faz e desfaz' imparável provoca na estabilidade do sistema, a alimentação desregrada - hambúrgueres e coca-cola -, a obesidade crónica, a sofreguidão destemperada e bem visível em cada canto no sprint pelo dólar (este aspeto senti-o em choque em NY e nos outros estados por onde andei, Massachusetts (Boston) e Connecticut. Muito diferente do europeu, principalmente, mas também de muitos outros países - do vizinho Canadá, p. ex., de onde viajava - e de vários outros países e continentes onde o apreciei).


Para além da boa informação que Bill Bryson cuidadosamente preparou e carreou para aqui, sublinho e congratulo-me com o humor que coloca, quase, em cada página. Quero crer que o usou como isco e/ou estabilizador para prender o leitor e levá-lo mais confortavelmente ao ponto que perseguia.

Não será alheia à opção o facto de, dos seus atuais 69 anos de idade, ter vivido (continua a viver depois de uma estada temporária nos EU) 40 deles em Inglaterra. Atrevo-me a pensar que se deixou empolgar pelo conhecido humor british, ao ponto de o usar como estratégia - pelo menos neste livro -, obliterando para o efeito suas origens americanas. Dei comigo a sorrir bastas vezes com apontamentos simples mas plenos de humor tão pouco comum entre nós lusos. Parece um mágico que em vez de coelhos tira piadas da cartola a um ritmo notável. Na linha, de resto, da inesquecível série 'Yes, Prime Minister' (anos '80) - acabei de ver um pequeno excerto premonitório no YouTube sobre o Brexit - ou 'Allo, Allo!' ('80/'90).


Só por este lado bem disposto e com efeitos contagiantes, vale a pena a leitura sendo que o resto não é despiciendo. E numa sequência narrativa cadenciada, como se tivesse sido escrita de uma penada, pese embora tenha inserido peças complementares diversas para melhor servir os seus propósitos.


Há tempos um amigo meu, o Odracir (inventei o nome), admirava-se por eu me admirar com situações novas, essas num quadro perfeitamente inóspito. O que que deixou admirado! Essa faceta é, reconheço, um dos meus lados de que gosto e preservo. Deixo-me fascinar quando capto novidades, ângulos novos na observação das pessoas, coisas ou circunstâncias, ou na pacata leitura de um livro. Why not? São oportunidades que não enjeito - até persigo - porque entusiasmam momentos e induzem apego a coisas novas.


Vem esse episódio com o meu amigo Odracir a propósito deste livro, “POR AQUI e por ALIi”. 

Para além do que mais atrás referi, foi desta forma que fiquei a conhecer a antiquérrima Cordilheira dos Apalaches, os espantosos TA (Trilho dos Apalaches) e suas envolventes, com algum pormenor, dito de forma agradável e aparente simplicidade. E no decorrer da leitura o encanto pela forma e pelo conteúdo saltou facilmente. Agora resta ir lá para confirmar! Quem sabe!?

Aqui esbocei um esgar incrédulo.


Não conheço o texto original nem seria capaz de o traduzir; isto para dizer que gostei do texto em português, identificando algumas expressões nossas, cuja versão não desmerecerá a ideia do autor.


Daria à obra (A Walk in the Woods) outro título em português para além do eleito: "TA: 3.500 km de mochila".