quinta-feira, 12 de maio de 2022

Amigos_BPA/BCP_11mai'22


Ainda que por pouco tempo 

         Sorrimos

             Rimos

Gargalhamos


What Else?


Resgatamos saudades 

           e criamos outras


Abraçámo-nos 

(há lá coisa melhor!?)


Alijamos alguns fardos 

Aligeiramos a vida 

Esquecemos guerras e pandemias 

'Resolvemos' alguns problemas do mundo!

Pusemos o mundo lá fora em stand by

                    coisa rara…

Satisfizemos o palato

Somamos momentos Felizes 


What Else?



domingo, 8 de maio de 2022

Dedicatórias no "Dinâmico".


Chiquinho
Meu Irmão,
Encontrarás aqui algumas, também tuas, boas recordações. Mas passa os olhos por elas apenas quando estiveres dentro de casa. Lá fora há mais memórias em construção.

Minha querida Irmã,
Estiveste nalgumas páginas deste livro. Graças a ti também, foi possível enriquecer a linha do nosso tempo familiar e de vida.
Vais gostar, estou certo, de as revisitar.

Companheiro Zé,
My Brother
Alguns percursos de vida fizemo-los - e continuamos a fazer - em conjunto. Um ou outro encontrarás aqui… nos intervalos do golfe, obviamente. Mas prefere falar com a tua Carolina e somar com ela outras memórias bonitas.
Estas são passado.

Meu jovem e
caçula Irmão
As nossas memórias mais antigas são, por motivos óbvios, um pouco menos mas, descontados os 6 de diferença, são muitas, ricas, vívidas e felizes.
Algumas estão aqui.
E vamos construir mais.

Anabela
Não sei se as tuas Meninas e o teu Menino te deixarão algum tempo livre para passares os olhos por esta ou por aquela página. 
Sugestão:
dividam o passatempo da leitura (e dos afazeres) pelos quatro.
Talvez resulte melhor. 

Paulo
Aqui está um entretenimento para as horas vazias, caso as tenhas.
Mas não leves isto à letra. Opiniões há muitas. Talvez as crónicas familiares sejam mais interessantes.
Bernardo
Junta estas a muitas outras opiniões e a tua aparecerá algures. Retém, porém, que as opiniões evoluem.

Tiago 
Longe da vista mas sempre no centro do coração. Além de passatempo, talvez encontres aqui algo divertido.
Abraço longo, que chegue a Berlim.

Rita
Sei da tua enorme e bonita dedicação aos teus doentes; eu mesmo já fiz parte dos teus cuidados.
Quem sabe não descansarás (ou adormecerás) em cima destas páginas?
Quem sabe este calhamaço não te servirá de travesseiro nas longas noites no IPO? Se sim, fico satisfeito: foi útil.
 
Anita 
Talvez uma ou outra crónica te inspire e incentive para tu própria experimentares o prazer da escrita. Talento e criatividade sei que tens. O jeito para o fazeres sei que já o encontraste. Gostava de ver um dia em forma de letra o que te vai na alma.
 
Paula
O teu jeito é mais para os trapos e para relações diretas com as pessoas. Tens para isso os talentos certos. Arruma o livro no cimo da prateleira para quando fores velhinha como a avó Ana. Atira-o bem lá para cima pois tens aí em casa quem to vá buscar… se um dia te apetecer ler uma historinha.

Zé Pedro 
Com as tuas duas Meninas para cuidar acrescido das novas funções, leia-se, responsabilidades na DHL, não terás tempo sequer para te coçar, muito menos para pegar nisto. Esconde-o bem longe. Talvez mais tarde quando a Carolina entrar na DHL.

Sara 
Amor da minha vida.
Não tenho nada para aqui te dizer, por desnecessário.
Mas Feliz, por descobrires e conduzires nos carris certos a tua vida e a dos teus amores, meus também.
* Já estou a desfazer-me do embaraço de me ver em livro.
  
   *
*    *
   *

Nota:
O advento dos computadores profetizava e o seu uso generalizado sentenciava: a era da escrita manual requintada terminava. A caligrafia - arte de escrever à mão com elegância e harmonia - deixava de ser cotada ou considerada. Nessa senda, agravada pelo seu uso profissional obrigatório, destreinei irremediavelmente meu jeito para a escrita manual. E eu, que outrora até caligrafava bonito, agora é aquilo que vêem: uma lástima.


   *
*    *
   *

Introdução
______________
 Repetindo 
 
Perguntado das razões porque escrevia, respondeu Montalbán: “tornei-me escritor para ficar alto e bonito”
Diverte-me sempre muito esta ‘tirada’ tão humorada. 
Brilhante.

Porque escrevo eu?
Faço-o pelo puro prazer da descoberta de mim mesmo; para ver se descubro escaninhos secretos cá dentro e se lá há algo estimulante para mim. Ao escarafunchar por ali tento descobrir se existe algo de novo por entre seus canais filigranados que valha a pena registar. Também para tentar manter os neurónios ativos, claro. Dizem que faz bem… Mas não passa de uma OTL como qualquer outra. Caçar gambozinos, p.ex. Sem pretensões, pois sei que não têm valor literário, sequer informativo.

E tenho mais um gosto: o do prazer da escrita; que passa, basicamente, pela alegria de ver as letrinhas a saltitar à minha frente. E eu vou atrás delas feito menino atrás do arco. E elas, as letrinhas, brincam como se fossem pipocas na pipoqueira da sessão da tarde. Não ligam a ninguém: saltitam, saltitam, saltitam e pronto. Ficam satisfeitas com isso. E eu divirto-me com elas. Tão só.
 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

05/05/2022-My Special Day: 71

Uma hérnia crural endiabrada (obrgº Srª Drª R) e este vírus persistente, impediu uma e desaconselharam ambos os festejos dos meus 70 na data certa com a pompa que aquela marca pedia e eu queria. As intenções de então não ousaram sair disso mesmo: intenções; aí hibernaram à espera de melhores dias. Resgatei-as agora nos 71 para as libertar. Leia-se, pois, 70 em vez de 71. Será que esta errata é válida? Talvez. Por quê não tentar?

Cada data, cada dia é único.
Hoje o dia - 05/05/2022, My Special Day - teve ingredientes novos.
Todos os dias, quase, experimento temperar o novo dia com iguarias diferentes, algumas colhidas por esse mundo, de forma a saboreá-lo como se fosse a primeira vez. Como se fosse um dia novo.
Porque às minhas adicionei as vossas, o resultado foi Gourmet.
Foi confeccionado com a vossa
        Amizade
        Proximidade
        Companheirismo
        Cumplicidade
        Carinho
        Afeto
        Amor
Foi uma confecção demorada, lenta, em lume brando; ocupou-me o dia todo. Mexi e remexi com toda a parcimónia de forma a que o gesto emperrasse os ponteiros do tempo e pudesse, assim, degustar mais pausadamente cada saudação ou desejo que de vocês me chegava.
A calda melhorava a cada lembrança adicionada.
Com condimentos tão selecionados, como não haveria de resultar num prato de excelência? Asseguro-vos que sim. ToP. Lambuzei-me até ficar saciado.
Partilho-o agora com todos - ainda sobrou bastante - mas hoje reservo para mim - não levem a mal - a fatia maior, melhor, mais doce, mais amiga, mais companheira, mais cúmplice.

Foi também oportunidade para, passados estes dois anos estranhos de pausas e distâncias forçadas e intermitências sociais, juntar todos os meus (34, (-3), ajuntamento que a pandemia por demais adiara e hábito que doravante, assim o vírus o permita, retomaremos com a normalidade anterior.
Ter este Grupo, este núcleo familiar sempre à mão, como que conservado numa concha dourada, Grupo fortalecido por um bem-querer intemporal, amigo, sempre pronto para um sorriso e um abraço, é consolador. Inspirador.

Para tod@s
Aquele Abraço
Espero que aí chegue ainda com algum aperto.
Aos meus 34 já dei.
Aos meus 5, aos cinco magníficos, enlacei-os como uma liana se entrança no seu suporte.

Vocês - Tod@s - fizeram parte deste My Special Day.



sexta-feira, 8 de abril de 2022

Rússia 🇷🇺 / Ucrânia🇺🇦: Desumanidades

Nasci nos anos ‘50, ainda a escutar os ecos do troar dos canhões a reverberar nos corações, nas almas e na vida das gentes, da minha gente, e de cujas bocas saiu a morte de milhões. De pessoas como nós. Fui poupado, então, às incertezas que fustigavam o renascer dos adultos.

Habituou-se essa minha tenra idade a aceitar sem queixumes as precariedades existenciais que as sequelas da II guerra semeou até ao mais recôndito recanto. Até aqui. Míngua que se alongou no tempo por mais umas décadas.
Habituei-me, também, a temer como possível outras novas guerras em horizontes vários, quando comecei a percepcionar que a vontade de abocanhamento continuaria voraz. O caos generalizado, a desestruturação em que ficaram mergulhadas as nações e as sociedades, as indefinições e fragilidades políticas, nomeadamente em zonas apetecíveis às partes famintas, enfeitavam o bolo e aguçavam ainda mais os apetites.
Por via das armas, obviamente…

Os países democráticos de um lado e os ditatoriais do outro degladiavam-se, tantas vezes em campo aberto, à conquista de mais territórios para incremento de zonas a influenciar: Coreia (1950-1953); Argélia (1954-1962); Mísseis Cuba (1962); Vietname/Laos/Camboja (1964-1973); Israel (1967); Afeganistão URSS (1979-1989); Irão-Iraque (1980-1988); Malvinas (1982);  Golfo (1990-1991); Chechênia (1994-1999); Países colonizados (estive num deles)... estavam na wishlist. Em escala regional, é certo, mas numa escala de guerra, certo também.

O fim da URSS nos anos ‘90, destronava(?) a crença comunista. O lado liberal apressava-se na corrida. Timonava o mundo. A China de Mao Tsé Tung redefinia-se também.

Uma onda de otimismo varria o mundo e imprimia nas suas gentes uma outra onda de acelerada mudança em vagas regionais sucessivas. A Paz e a prosperidade eram o alvo. O simples cidadão sentia-se convertido em Cidadão do Mundo. E andou pelo mundo.
Os ‘filósofos’ sociais - everyday, everywhere - entusiasmavam as gentes e os mais perspicazes advertiam para a falsa solidez do bem estar geral, ao acompanharem com mais astúcia e distanciamento os centros de poder em formação.
Os alertas dados não foram, contudo, suficientes para retirar as pessoas do conforto em que já viviam, anestesiadas por uma imprensa acéfala que lhes aumentava a cegueira.

Na antiga Jugoslávia (1991-2001) - zona de nacionalidades difusas - a clarificação demorava e levaria à morte muita gente.
Afeganistão EUA (2001-2002) e Iraque (2003–2010), - permeadas pelas Twin Towers (2001), estremeceram as crenças dos ‘Bon Vivant’, mas a avidez pelo usufruto dos dias e pela alegre vontade de bem viver, rapidamente fez esquecer as suas causas e reconduziram as grandes maiorias ao conforto.

Putin, qual chinês paciente, escondido no silêncio dos inocentes e dos incautos, ia tecendo meticulosamente o ardil onde iríamos cair. Com o poder do dinheiro, rodeou-se de ‘gente boa’ e todos urdiram a teia. Peça a peça. 
(um dia se saberá melhor o conteúdo da teia)

E chegou o dia G

   Guerra
      Guerra
         Guerra

O que há décadas nos habituamos a pensar como inadmissível, impossível mesmo, bateu à porta do mundo com um estrondo tal que acordou toda a gente.
As imagens que nos chegam são...

... não há léxico bastante para expressar o turbilhão dos sentimentos humanos há muito destreinados.

Ao acaso, ou talvez não, seleciono este

              desumanidades

Ansiosamente, fico à espera do Day After.

Por último, 
Sabemos bem de que lado está o ocidente - salvo algumas estranhas excepções - e o porquê.
Sabemos bem o porquê do tocante acolhimento dado aos ucranianos.
Mas aqui apetece-me elevar bem alto a 

   bondade
      irmandade
         generosidade
            humanidade 

bem audíveis nas expressões vocais e melhor vistas nos gestos abnegados de tanta gente.

Há esperança.
Dias melhores virão. 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Lapónia & Pai Natal, c/ PLV

12/18 Dez '21

Não, não encontrei o Pai Natal! Em boa verdade, também não o procurei. Tivesse eu feito esta viagem há alguns anos e tê-lo-ia abraçado com todo o entusiasmo da criança que na altura havia em mim. Ai dele que, então, não aparecesse.
Sendo certo que nunca o abandonei totalmente. Fomos grandes amigos e ainda somos. Fui, entretanto, crescendo a seu lado e metamorfoseando-me contra ele, aceitando boamente suas visitas de companheiro sazonal. Aproveitamos esses encontros para afinarmos nosso relacionamento, nem sempre muito regular - queixa-se ele.
Conservo dele, contudo, uma bonita ideia. Hoje, é um bom amigo que revejo quando visita meus netos e, antes, sempre que visitava minha filha. Na sua noite, espero sempre por ele e, mal chega, abro-lhe a porta até trás para o receber como deve ser: de braços abertos, a escutar o seu inconfundível Oh! Oh! Oh!. Seu sorriso, sua alegria, sua boa disposição, são os melhores presentes que traz no seu grande saco. Que aceito e redistribuo com gosto.

Noutro tempo, no meu primeiro tempo, preocupava-se em alegrar e adoçar o melhor que podia os dias da visita. E conseguia. Trazia sempre o saco bem cheio, tão cheio como agora, apenas com surpresas diferentes e distribuições mais escassas; bastante mais escassas, aliás. Parece ter guardado as melhores prendas para mais tarde. Agora, sim, tem mãos largas. Trás o saco bem cheio, com muito de tudo, que distribui fartamente. Tem vezes que até exagera!

Lapónia e Pai Natal coexistem como inseparáveis siameses. Não se fala numa sem lembrar o outro. No local, na sua terra natal, visita-se uma e continua-se a falar e a procurar o outro. Com algum sucesso, o digo. Como num jogo de esconde-esconde o entusiasmo na sua procura aparece, não esmorece, anima e recrudesce, entretendo-se ele a semear sua magia por quem queira jogar o jogo. Eu joguei. E gostei.

A viagem foi ainda um tudo-nada ensombrada pela pandemia, agravada pelo número crescente e recente de atingidos um pouco por todo o lado. Felizmente que ele, o Pai Natal, está imune e com forças qb para afrontar o bicharoco.
Far-se-á a viagem? Em que surpresas tropeçaremos? A PLV e os Guias lidarão bem com os imponderáveis?
Estas interrogações que mancharam o pano de fundo que antecedeu e questionou a sua realização, não foram, ainda assim, empecilhos bastantes para a travar.
Vestidos com as capas dos cuidados em vigor e da imprescindível confiança - e reforçados pela 3ª dose da Pfizer -, aí fomos nós ao encontro do Pai Natal e da Lapónia.
A pandemia seguiu connosco; não nos largou um minuto, nem mesmo lá em cima, resguardados nas asas do grande pássaro e escondidos por trás das diversas camadas de nuvens. Mas nós barramos-lhe a entrada com os meios que levávamos no rosto e no bolso.
Fomos eficazes e mais fortes que o nefando monstrinho.

Lapónia…
   Pai Natal…
Os sons do pronunciamento destes nomes ecoam pelos mais finos capilares dos tempos, e invadem o nosso com a mesma intensidade e candura com que as camadas desse mesmo tempo os foram revestindo e protegendo.
Seja por motivos comerciais, seja pela promoção da brandura humana, o certo é que o culto ao Pai Natal se generalizou. E ao consegui-lo, gerou um intervalo de Paz e Concórdia Mundial que valoriza e acalma a alma coletiva.
Lá chegados, acrescenta-se-lhes apenas a dimensão que faltava: a terceira. E que dimensão! O contacto com o real em nada ofusca o brilho do imaginário. Pelo contrário: dá-lhe consistência, corporiza-o e ainda o engrandece.

Correndo o risco de deturpar ou manchar as imagens do que vi pela falta de engenho literário, vou atrever-me, ainda assim, a uma pequena resenha.

Aldeia do Pai Natal
A parte mais impressiva, seguramente. Não só por corresponder exatamente aos postais HD que circulam pelo mundo e gravados bem no fundo da nossa memória, mas, sobretudo, por despoletar sensações visuais, musicais e climáticas (-4°, nesse dia) que acordam a alma juvenil e ameninam a adulta.

Fomos recebidos - onde a terra acaba e a neve começa - num imenso tapete de neve, com minúsculos flocos em suspensão ondulante, como quem quer ganhar tempo para poisar sem ser notado ou para melhor receber quem chega.
Encandeados por essa beleza e leveza, espontaneamente de rostos levantados, sentimos a suavidade do primeiro contacto.
Que agradável!
Tanto que o rosto permanece levantado e inerte a pedir uma paragem do tempo; as pálpebras, suavemente cerradas, fecham-se ao mundo; escuta-se o silêncio dúbio do ‘bate leve, levemente...’ (Augusto Gil); os pés encoturnados retraem-se, encolhidos pela fria temperatura exterior; o corpo, euxumaçado de camadas intermináveis de roupa quente, sente o frio a trespassar a pele e a beliscar os ossos; os braços estendem-se para sopesar o mundo e, assim abertos à natureza inclemente, pede-se mais e mais para dar tempo a que o coração e a alma se recomponham e ambos viagem sem pressas para onde livremente desejarem ir.

Ainda fascinados e sob o impacto deste primeiro deslumbramento, seguimos por ali e por ali à procura de outros êxtases, guiados pelas luzes multicolores a iluminarem o caminho atapetado de macia brancura.
Ao caminhar por entre as sebes-guias bem algodoadas de neve, deixamo-nos tocar pelo aconchegante calor humano que por ali se respira e que a todos envolve, enquanto as gentes derretem outras neves trazidas de longe.

E são tantos os pontos chamativos a saltitar à nossa frente que a cabeça tonteia ao encontro do próximo.

Lá está a fogueira de brasas vivas e chama animada a desenhar sombras curvas nas paredes das cabanas, enquanto aquecem os corpos mais carentes;
Lá está o emblemático iglo, seguro em grossas paredes de gelo, a lembrar o frio do ártico;
Lá está a rena esforçada a puxar o seu trenó cheio de crianças e adultos felizes;
Lá está a pequena ponte elevada para uma captura mais abrangente;
Lá está o fio azul que lá do alto informa do início do círculo polar ártico;
Lá está o termómetro a aconselhar mais agasalhos aos desprevenidos;
Lá está a alegria das crianças a atirarem-se leques de neve fofa e a deslizar nos trenós de ocasião;
Lá está a WebCam para saudar quem ficou longe;
Lá estão os casais enamorados a eternizarem seu amor;
Lá estão os grupos de adultos a mimosearem-se com brincadeiras infantis;
E nós os seis - Dulce, Manuel, CarlaS, CarlaG, Branca e eu -, aderimos rapidamente ao espírito que pairava,
   e brincamos,
     e divertimo-nos.

Entretanto, o Santa Claus, dono e senhor da sua Village, espera-nos pacientemente no recesso de sua casa.
Era grande a nossa vontade de o ver pelo que, sem mais dispersões, fomos entrando. Pelos longos corredores, escadarias e salas, por todos os cantos, caixas e caixinhas, enfeitadas e fechadas, atulhadas até ao teto, despertavam em nós a curiosidade de adivinhar que prendas esconderiam.
De caixa em caixa, chegamos à porta em que o Duende de guarda ao salão nobre se afastou para uma primeira visão do Pai Natal.

Ei-lo! Ali mesmo à nossa frente, sentado no seu confortável cadeirão, como recomenda sua vetusta idade. Vestido a rigor com o seu fato célebre - incluindo frágeis lunetas a segurar a ponta do nariz curvo e longas barbas brancas a poisar pelo regaço (alguém perguntou: serão verdadeiras? Obviamente, respondi: tudo aqui é autêntico!) -, convidou-nos a entrar com o seu esperado oh oh oh.
Respondemos em coro com o entusiasmo acumulado de anos que levávamos, acrescentado do que ele ali mesmo nos transferiu. Já próximos (separados pelo acrílico Covide-19), conversamos um pouco. Perguntou de onde éramos - ouvimo-lo pronunciar ’Porto’! e despediu-se com um surpreendente 'Bem-Vindos à Lapónia'. Despedimo-nos também, para dar vez à enorme fila. Isto, depois de olharmos de fugida para todas as caixas que enchiam a sala, na vã tentativa da descoberta da nossa prenda. Estavam, porém, convenientemente aluquetadas, pelo que tivemos de conter a ânsia e adiá-la por mais uns dias.

Ainda há quem não acredite no Pai Natal!

Ir à Aldeia do Pai Natal é voltar à meninice, para quem assim a viveu; para quem não, será a descoberta de um mundo cheio de cor, de música, de harmonia e de magia. De momentos de comunhão de um lindo sentimento humano.

Lapónia
Região que ocupa boa parte do norte da Noruega, Suécia, Finlândia e da província da Rússia, Kola, com 388 mil km². É na parte finlandesa - e só -, em Rovaniemi, que existe o culto ao Pai Natal.

Turistar pela Lapónia nesta altura do ano - solstício de inverno - é descobrir um mundo novo (para mim). Original e bem bonito.

Longe da faxa terrestre do trópico de câncer e mais ainda da faxa equatorial, ou seja dos raios solares mais quentes, a natureza reage com o que aqui tem disponível, criando um ecossistema próprio: neve, gelo e frio, com vida animal e vegetal adaptada às circunstâncias, mas abundante, apesar de tudo. Os seres humanos são mais escassos (Lapões, ou Sámi como querem ser conhecidos: 70 mil no total dos quatro países).

Usufruir do prazer de caminhar pontapeando tufos de neve fofa;
Calcorrear pela neve em raquetes por entre árvores de ramos descaídos submissos ao peso de grossos novelos brancos;
Conduzir trenós puxados por huskies frenéticos e barulhentos;
Guiar as pequenas renas mansas e pachorrentas;
Galgar em motos de neve por extensos montes alvos, por colinas iluminadas pelos compridos raios dourados do sol poente. Ou será nascente?;
Descer aos vales desertos;
Furar pelos túneis emparedados de abetos, hirtos como sentinelas;
Tomar um inesperado chuveiro de neve que nos cai das árvores;
Experimentar no rosto o vento gelado do ártico;
Perfurar o gelo grosso do lago à procura de peixe;
Boiar em água aquecida no mesmo lago com fatos térmicos;
Comer biscoitos e beber chá quente ao calor e à luz da fogueira numa cabana solitária;
Comer salsichas assadas e marshmallow aquecidos a tarde horas da noite;
Ver o sol nascer às 11:00 e ir embora às 13:30;
Sair do almoço e dar com o olhar na noite escura;
Não ver pessoas na rua;
Saber que deverão tomar a vitamina D;
Ver (bons) prédios e casas sem varandas enfeitadas com estalactites;
Pressentir as pessoas no quentinho dos seus lares;
Ver o comércio a funcionar em Shoppings aquecidos;
Ver os transportes a funcionar normalmente mas, obrigatoriamente, a ter de mudar de pneus a cada solstício;
Andar de autocarro, sempre em cima de neve, ladeados de árvores pingantes de branco;
   . . .

Um encanto esta Lapónia de inverno.