segunda-feira, 27 de julho de 2020

27JUL2020: Parabéns, meu neto lindo



9 Anos!
Parabéns, Simão. 

Parabéns, meu… ia a dizer pequenote mas acho que vou deixar de tratar-te assim. Já não te assenta bem esse nick-name, mas vou manter um outro e esse, sim, para sempre: meu Encanto. Pode ser?
Parabéns, então, meu Encanto.

9 Anos!
Parabéns, Simão.

E como tens crescido!, também fisicamente.
Todos os dias chegas com um novo pormenor que vai acrescentando aos anteriores.
Sabes que dou comigo a olhar para ti como se fora, sempre, a primeira vez!? Fico até um pouco paralisado com o encanto que de ti sai. Estás um lindo menino, perdão, rapazinho. Me encantas sempre. Um abraço dos teus reduz o tamanho do mundo à insignificância. Vai mais um?

9 Anos!
Parabéns, Simão.

Estes últimos meses foram esquisitos!, também achas? Janela, janela, janela... já estava a ficar com um torcicolo de te ver cá de baixo da rua. Sim, vimo-nos na mesma mas sem touch e muitos Xi's Coração ficaram por dar. Estou bem mais contente por, lentamente, já estarmos a recuperar.
Vou propor-te, a propósito, considerarmos estes últimos dias como tendo sido um intervalo maior de um dos teus jogos de futebol. Que achas? Já fiz sinal ao árbitro para recomeçar o jogo mas ele não atende às minhas reclamações. Que se passa com ele? Pensará que anda por aí qualquer coisa invisível? Sei lá o que lhe vai na cabeça. Estou aqui a hesitar entre considerá-lo teimoso ou atento!?

9 Anos!
Parabéns, Simão.

Os avós têm a tentação, quase mania, de dizer muitas coisas aos seus Encantos e eu não sou exceção mas vou resistir-lhe pois prefiro que sejas tu a descobri-las pelo teu pé, ao teu jeito e ao teu ritmo que sei ser acelerado.

Vou poupar-te, então, a mais lengalengas pois sei que teus amigos estão à tua espera para a peladinha e isso, sim, é importante. Vai e diverte-te com eles.
Jogo à baliza?
Se for o árbitro ficam já a saber que será Non Stop. Até cansar. Chega de intervalos.

E depois ‘aquele’ lanchinho com todos.
Comigo também.

9 Anos!
Parabéns, Simão.

Um Xi bem apertado do
El Gordito
Que te adora

O meu Ferrari novinho.
Cinturão Novo: Azul
Hoje fiquei em 1º, mas com o meu avô não é fácil...



quarta-feira, 15 de julho de 2020

Sardinhas de Máscara, 18 JUL


Meus caros amig@s,

Venho aqui numa visita de contentamento, conforto e ânimo para vos dizer que está tudo a correr bem para a nossa sardinhada de 18.

E explico as razões do meu otimismo.

Aproveitando as tecnologias disponíveis, estou a monitorar o posicionamento das sardinhas a partir da minha cadeira privativa no Café TiTan.
Para o efeito instalei ali uma Estação de Recolha de Informação - RiE - (SiC, acrónimo em inglês) e, através de um drone, supervisiono tudo o que se passa no reino da sardinhada. Em resultado de tão aturado trabalho e recorrendo a um comando à distância de última geração (ainda não disponível no mercado), estou a encaminhar as melhores - leia-se também maiores e gordas - para o pesqueiro habitual, obrigando-as a uma passagem prévia pela malha tamanho XXL.

E anuncio-vos que a coisa está a correr bem. 
Está a ser bastante promissor observar enormes cardumes a dirigirem-se para o local de captura, em competição acirrada pela primazia da chegada.
Está também a ser um bonito espetáculo vê-las quase todas de máscara - modelos nunca antes vistos (desenho de um anzol com minhoca a espernear… quem diria!?) - bem originais e bonitas, aliás.

Como era de esperar, há uma ou outra que, por retinência, mau feitio ou simplesmente por querer evidenciar sua frescura e prateada beleza, vem tresmalhada, de cabeça erguida, desmascarada e até, pasme-se, com um nadar ondulante e barbatanas empinadas: um pouco Pró...
Mesmo com essas, sou implacável: PARA TRÁS, - ordeno-lhes: neste jantar não entrareis.

(Ainda estou a pensar na máscara com anzol!)

Não reparei se assim maltratadas e rejeitadas, não terão ido buscar à pressa uma qualquer máscara e se clandestinamente se reintegraram no cardume numa tentativa de fazerem parte do nosso banquete. No próprio dia verificaremos se há alguma com um fácies mais esbranquiçado e, se tal acontecer, decidiremos então o seu destino… que pode muito bem ser o de ‘marcharem’ também.

Como facilmente deduzem estamos perante um cardume único mas que pudemos considerar domado e um pouco esperto.

(… anzol na máscara! Bolas!?)

Confiante nessa inesperada esperteza e equipando-as, apesar disso, com um chip em que coloquei as coordenadas da Nau Quinhentista estacionada no rio mesmo em frente ao nosso restaurante, estou certo que na madrugado do dia D se dirigirão para lá sem necessidade de interferência alheia.
É que, assim acontecendo, até evito os perigos do mar alto e ficarei pacatamente à espera delas enquanto me refresco com um drink de ocasião.

(… anzol na máscara! Não deixo de pensar na inusitada escolha)

Vai ser hilariante vê-las ainda na água a olhar para cima, para nós, a abrir e a fechar a boca como que a pedir para serem serem escolhidas para o repasto. 
Perante esse difícil pedido só temos uma opção: OK.

Os pescadores da atualidade são muito diferentes dos de outros tempos!

Estão tod@s convidad@s para esta recepção.

(… anzol na máscara!!!, Oh My God!)

terça-feira, 23 de junho de 2020

‘Bolivar’, Netflix.


Acabei de ver na Netflix ‘Bolivar’
Três temporadas, 60 episódios de +/- 50 m.
Pré-aviso: um looongo seriado.

O tema é a biografia de Simón Bolívar, o grande protagonista da mudança ocorrida na América do Sul no início do século XIX, suas causas e consequências. Está bem presente a colonização, a descolonização, as independências bem assim como outras figuras de primeiro plano envolvidas no processo. É um bio-drama onde, obviamente, é abordado o período de vida de Bolívar e ele está no centro da ação. Personalidade multifacetada que viveu a vida intensamente, apaixonadamente. São aqui salientadas suas características de homem rebelde, impulsivo, destemido, obsessivo, arrebatado, resiliente, galã, sedutor, pioneiro, aventureiro, guerreiro, estratega e Presidente (de seis países).

Mais uma vez são tratados em cinema acontecimentos com relevo e amplitude mundial e civilizacional que mudaram o rumo da história do mundo e concretamente o daquele subcontinente.
E Portugal esteve na origem e no centro dessas mudanças. Foi o primeiro e também o último a entrar e a sair de cena e de permeio 500 anos acomodaram ziguezagues nacionais e internacionais.

Corre em pano de fundo deste ’Bolivar’, como legenda suplementar:
a) a divisão do mundo entre Portugal e Espanha - Tratado de Tordesilhas (1494) celebrado em Zamora (estive lá no ano passado);
b) a independência da América do Norte em 1776 (andei por lá em 2007);
c) as ideias revolucionárias da Revolução Francesa, 1789 (andei por lá em 1989, 1990, 1999);
d) a invasão da península ibérica por Napoleão. Quem não se lembra dos generais franceses Junot, Soult e Massena que nos ‘visitaram’ entre 1807 e 1813?;
e) o arrefecimento mundial do ímpeto colonial, formalmente terminado em 1999 com a entrega de Macau à China (andamos sempre a tropeçar com a China!). Quem não se lembra das últimas imagens do (i)último arriar da bandeira (está na Liga dos Combatentes desde 2016)?; da (ii)destruição do brasão de armas da fachada do edifício da Assembleia de Macacu?; da iii)postura ereta, comprometida e alinhada(?) de Portugal perante sua história e perante o mundo, protagonizada pelo general Rocha Vieira quando recolhe, abraça e guarda junto ao peito a bandeira (lembrado recentemente pelo próprio no dia do falecimento de Stanley Ho)?
f) o ambiente revolucionário vigente em alguns países especialmente na Venezuela e em Cuba (andei por lá em 2008), onde Bolivar é recorrentemente avocado.

Na minha abortada e adiada sine die viagem de abril deste ano àquela área - Argentina, Patagónia, Chile - tinha-a antevisto assim (para quem tenha teeeempo e a paciêêêência de Jó):

https://docs.google.com/document/d/1FXLiPxn2rcpABue6k-dyNnJ7XWv1HQVX1dRCW5aMquA/edit?usp=drivesdk

Voltando ao ‘Bolívar’ e ao filme.
(esta conversa está como a das cerejas: mais uma, mais uma...)
Uma surpresa!
Estamos perante uma opção nova, para mim, da Netflix. A narrativa é abordada no formato telenovela (a expressão é minha) ao estilo não brasileiro mas mexicano/colombiano.
Embora me tivesse impacientado e enfadado com a minúcia do relato e com o amadorismo da sua realização  em geral, resisti-lhes a favor do melhor conhecimento e incursão pelos detalhes da época. Esta circunstância abriu espaços que aproveitei para observar outras vertentes que normalmente uma realização mais densa não propicia.
Mas refiro que muitas vezes ultrapassou os meus limites, embora na parte final se tenha redimido um pouco ao evoluir para uma estética mais fina e dramatização mais trabalhada.
  • A captação de imagens exteriores tem uma luminosidade fantástica, repletas de vivacidade;
  • O colorido aberto, garrido do guarda-roupa remete-nos para o que sabemos serem as cores das vestes das gentes daquela área do globo e o da época ilustra-a bem;
  • A banda sonora não surpreende mas é interessante e adequada;
  • O lado bucólico, campesino e lento da época está bem retratado;
  • A direção de atores fica muito aquém da onda modernista a que estamos habituados: há gaps notórios dos atores fora do primeiro plano; e aos de cena falta-lhes intensidade, autenticidade e carisma, ou seja interpretação;
  • Há ambiente romântico - era do romantismo - e algum glamour ao jeito da, ainda distante, belle epoque;
  • O sript é um repositório light do que a história comum consagrou, ou seja, não conflita opiniões.
    • a Netflix tem de agradar a muitos espectadores…
Sendo que do somatório dos critérios eleitos ou possíveis, resulta um relaxado passatempo em noites de pandemia.

E Bolívar tem, por mérito próprio, lugar na História, goste-se ou não dele. Ainda hoje é um símbolo identitário de praticamente todo aquele subcontinente.

Fica a ‘dica’.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

‘Os Últimos Czares’ (Romanovs) - Netfilx


[Dica]

Acabei de ver na NetFlix ‘Os Últimos Czares’ (Romanovs)
Série/Documentário - docudrama -  estreada em Jul/2019: 1 temporada 6  episódios.
A série historia o fim da era Romanov com o seu último imperador, Nicolau, suas causas e consequências com a alteração do regime para outro império, o Soviético: URSS.
Por ter acontecido num tempo recente (há pessoas vivas), ter sido um acontecimento que virou a agulha da história da humanidade e ser um assunto muito estudado e publicado, o ‘script’ não aporta novidades: fixa  na película o que é mais comum saber-se. Ainda assim vale a pena o reencontro virtual com esta época marcante que de algum modo contamina os nossos dias.

Catarina, a Grande, tinha como lema que deixou como epitáfio esta sua máxima: “Rússia é grande demais para ser governada por duas pessoas”.
Putim seguramente que leu a frase...

O modelo da narrativa é tipicamente o do NetFlix, i.e., com recurso à captação de cenas de estúdio e interiores numa economia de custos e longe portanto das realizações épicas de outrora. Registo a opção mas não lhe retiro mérito. Cinema é a arte da ilusão.  A realização está de acordo com o nosso tempo, ou, se se quiser, faz o nosso tempo.
O guarda-roupa de época está a muito bom nível.

Tinha curiosidade em rever lugares conhecidos (andei por lá em ago/2005) mas por ser a reposição de uma época e ter sobre ela decorrido muitas alterações, filmaram-se  principalmente os edifícios datados e conservadas: Palácio de Catarina, PeterOf, atual Kremlin, cúpulas de igrejas…

Saliento a interpretação do ator que deu corpo ao impreparado e indeciso Czar;
Idem para a atriz que assumiu o papel da lunática, doméstica e mãe Czarina;
Idem para o ator que tão bem nos passou uma ideia possível do que terá sido essa figura de Rasputin: bon vivant, astuto, manipulador e dominador do ‘pedaço’...
Não revelo (para quem não o saiba) o fim da história sobre a verdadeira ou falsa identidade de Anastásia, uma das filhas herdeiras dos Romanov, falecida em 1984...

segunda-feira, 18 de maio de 2020

A propósito destes dias e dos próximos.



1.
Acho que está a dar para perceber que um género de vida ‘confinado’ como aquele que estamos a viver não tem interesse. Ele reduz excessivamente várias dimensões da vida, nomeadamente as daquelas a que há várias décadas estávamos habituados. ‘A contrario’, e em pulsões cada vez mais impositivas, ganha atratividade e tração um registo socialmente partilhado e, em consequência, diversificado. No mínimo idêntico ao anterior.

De tão normais, quase que íamos dando por adquirido, quantas vezes minimizado, a importância dos imputs externos tão imprescindíveis à nossa salutar convivência.

Os manuais de história defendem há séculos, melhor dito milénios, que o homem é um ser gregário, que agora nós próprios verificamos e ratificamos. Encaixo-me na camada daqueles que desde muito cedo começou por considerar-se um elemento de um todo e que dele necessita. Não nego que coloco o meu ser na frente desse todo mas tentando ao mesmo tempo não descolar dele ao agrupar-me nos mais diversos estratos que o compõem, incluindo correntes de opinião a nível global.

Os dias que estamos a viver mostrou à saciedade a postura e desempenho de cada indivíduo e das sociedades no seu país, no seu continente mas também no mundo visto como um todo intricadamente ligado, talvez agora mais evidente que nunca. De oriente a ocidente de norte a sul sentimos que respiramos o mesmo ar.
Talvez os ambientes gerados durante as II e I guerras a que se seguiu a gripe espanhola lhes seja comparável. Talvez nessas épocas tenha havido no mundo similar sintonia comportamental das partes e principalmente do todo.
À atual, e que se valoriza, acresce o fluxo informativo ubíquo e instantâneo mas decresce, a seu favor, o lado bélico de outrora.

Tem sido uma experiência nova, preocupante com certeza mas com uma boa dose de fascinante. Dar conta a cada minuto das reações próprias e de terceiros num palco maior, mundial, tem sido grandioso e eloquente quanto às reações do indivíduo e das sociedades em geral. As empatias e cumplicidades observadas são de dimensões ainda não experimentadas.

2.
Há uma curiosidade nascida de uma convicção e agora convertida em incredulidade que diz respeito à dificuldade revelada pela área científica quando atira para longe, numa gestão de expectativas esperançosas, o timing de uma vacina profilática. Talvez por iliteracia ou estultícia da minha parte ao aceitar inertemente o endeusamento das suas capacidades fermentadas em acumuladas conclusões errôneas ou perceções desfocadas. Talvez. Seguramente que os sobrevalorizei. Até porque a não-vacina atempada, comprovadamente, não é atribuível à falta de recursos financeiros mas aos de conhecimento. Verei se, quando descobrirem a solução para o problema de agora, não lhes retirarei a medalha de mérito que em tempos lhes tinha atribuído. Sem ela, sem a vacina, o mundo não avança muito menos pula ao ritmo solto como se admitia até aqui.
Se querem manter a medalha apresentam a vacina. Ponto.


sábado, 9 de maio de 2020

Caricatural


Matosinhos, 9 Mai 2020

Minha querida e saudosa amiga,

Escrevo-lhe estas duas linhas um pouco ao acaso e desalinhadas, pois a mão que as minuta treme de emoção, esperando que a missiva que as leva a encontre bem de saúde assim como a de todos os seus, especialmente seu estimado esposo e meu prezado amigo, seu dileto filho e bonita e dedicada nora. Também não esqueço sua amorosa mãe de quem muito gosto.

Eu e os meus - esposa, filha/genro, netos e demais família - estamos bem graças a Deus.

Quero começar por lhe agradecer os votos formulados pelo meu aniversário e muito contente fiquei por neles ter incluído dias futuros acreditando eu que as boas graças do Senhor os ajudem a concretizar.

Em segundo lugar também lhe queria dizer que por aqui estamos a viver dias estranhos, sem saber exatamente o que pensar nem o que fazer com eles! Alguns até passam despercebidos, sem deixar rasto. Veja lá minha amiga que, apesar de ter muito teeeempo disponível, resolvi ficar em casa a maior parte deles! Custar-lhe-á com certeza entender estas minhas opções e ainda menos entenderá o que se passa por aqui. Mas não peça, por favor, muitas explicações pois também não as entendo e não as tenho para dar.

Desejo sinceramente que por aí esteja a viver melhores dias que eu e, se assim for, peço-lhe, em nome da nossa longa amizade, que me avise, por favor, para que a possa visitar e passar uns dias na sua agradável companhia e do seu extremado esposo. Espero ansioso suas notícias a fim de começar a preparar a viagem e ir assim preenchendo  minha agenda - por ora muito vazia - com coisas com interesse.

Ainda me atrevo a roubar-lhe um pouco mais do seu tempo para lhe dizer que ontem mesmo estive na sua bonita cidade mas não me atrevi a visitá-la por querer acautelar sua saúde de possíveis contágios que, embora mascarado, a pudesse vir a afetar. Espero sua compreensão e perdão para tão indelicada atitude.

Não me quero alongar mais, não porque não aprecie falar com a minha amiga, mas por não a querer entediar com o meu espírito confinado. Mais tarde, quando o ‘bicho’ que dizem andar por aqui se for embora de vez e nos podermos finalmente encontrar, tentarei explicar-lhe o significado desta palavra tão em uso por cá.

Até lá, desejo sinceramente que fique bem, bem como todos os seus, mormente os que acima referi.

Adeus até ao nosso reencontro esperando boas notícias suas e dos seus na volta do correio.

Nota importante:
Se por acaso ouvir dizer que um tal de CoronaVírus ou Covid-19 se dirige para a sua bonita terra, não lhe abra a porta, por favor. Diz-se por aqui, onde ainda estará(?), que não vem por bem. Se por desventura ele aí chegar, desconsidere-o; não fale sequer com ele. Aceite o conselho deste amigo. Nós, por aqui, e para nos protegermos, barramos-lhe a tentativa de intrusão com máscaras. E até agora está ali à porta, mas não entrou.

Despeço-me mais uma vez chamando para aqui as  boas lembranças passadas e o desejo de iguais ou melhores no futuro.

Assina o amigo, atencioso e obrigado,
Tony



terça-feira, 5 de maio de 2020

69 Anos, com migalhas.


69 de idade atingidos, Yes!, e isso é ótimo, mas apenas 68 primaveras vividas. Sim, convenhamos, esta primavera que decorre assim enclausurado não conta para esta conta. Logo, fico com um crédito de uma primavera que resgatarei mais tarde, bastante mais tarde. Faço questão disso nem que para tal tenha de contratar o ‘cobrador de fraque’. Tenho direito e ponto final. Não obstante o andar rápido da estação, vou tentar apanhar a que ainda tenho pela frente. Um mês e meio, quase, não se pode desperdiçar. Mesmo mascarado aí vou eu.

De resto, foi um ‘festejo’, como dizer, confinado. E todos já sabemos o que esta palavra, muito em uso nos nossos dias, significa! e que vamos, de resto, repetir por mais uns teeeeempos. Tempos que usarei para  saborear uma a uma vossas mensagens e rever ao ralenti algum passado comum. Mensagens vindas de alguns amigos da meninice, da juventude, da primeira experiência profissional, dos camaradas d'armas e especiais amigos, muitas da segunda fase profissional (TermoNor e Tudor), incontáveis da profissão de uma vida (Banco), transnacionais e transatlânticas também, calorosas de amigos recentes (Viagens), de desagrupados, da família alargada (FdQ e FdV) e próxima (m&c). E fecho com as dos meus mais que tudo: esposa, filha/genro e dos meus dois pequenos Príncipes Encantadores. Até estes não pude abraçar ainda e da rua para a janela vai uma distância imensa, sem medida, inatingível, intocável e, porque não dizê-lo?, dolorida. Às vezes, quando de lá venho, estanco com dificuldade o que poderia originar uma carreirinha de gotas d'água saídas da saudade de um abraço apertado. Por outro lado invade-me um contentamento tranquilizador por ver os quatro, ainda que de longe - como que encaixilhados na janela -, serenos, alegres e sorridentes. E o coração desaperta-se assim um pouco.

Mas vou contar-vos um segredo esperando que o ‘nosso amigo’ - que sabemos andar por aí - não nos ouça: vieram os quatro cá a casa e cantaram-me os ‘parabéns a você’. Entraram com sorrisos lindos porém contidos e cumprimentos divertidos de toque de pé. Resistimos ao abraço e mantivemos as distâncias de segurança possíveis. Pratiquemos a 'distância social', ironizou o pequenote! 
Não foi tudo mas foi muito. Quero acreditar que o ‘nosso amigo’ considerará isto um pecadilho tolerável e não nos penitenciará. Ficaria chateado com ele.

Quando não há bolo as migalhas são preciosas e adquirem sabores intensos.

Ah!, como desejo abraçar estes quatro!?

E o dia foi fechando com os 'parabéns a você' cantados por todos os m&c por vídeo ZOOM.
Aqui emocionei-me um pouco, confesso.

Esta ‘viagem’ convosco, por entre tanta gente, foi não só agradável como reacendeu o desejo de nos voltarmos a encontrar. Espero que em breve. Oxalá o nosso ‘amigo’ comum se vá embora depressa. E não deixa saudades.

Estou certo que melhores dias e outras formas de vida virão. E com abraços, claro.

Para já,  continuaremos a ver-nos por aqui. 
Fiquem bem.
Protejam-se.

Obrigado pelas vossas lembranças.

Abraço igual ao de sempre: forte e sentido.





segunda-feira, 4 de maio de 2020

“OS OTOMANOS, O Erguer de um Império”. Netflix


‘Dica’

Acabei de ver na Netflix “OS OTOMANOS, O Erguer de um Império”.
Filme recente, estreado este ano, bem feito, boa imagem (ainda que muita de estúdio: cinema é ilusão), com o ritmo certo e com o essencial à compreensão do tema.
* uma temporada, seis episódio.

Trata-se de um filme-documentário, com inserções complementares de historiadores, que tem como foco a histórica conquista de Constantinopla (inicialmente Bizâncio), a cidade de Constantino, o Grande.
(conhecia-a em 2001, no ano da queda das Twin Towers. Uma cidade fascinante com 15 M habitantes. O país, Turkia: 75 M)

Em 1453 reinava por lá Constantino XI, e o mundo romano-cristão limitava-se nessa geografia com a ajuda do então todo poderoso Papa (estamos na idade média). (E na peste negra). 
A cidade, último reduto romano a oriente, fora inexpugnavelmente muralhada e sua segurança gerida por sábios militares.

Constantinopla e Veneza foram grandes centros de chegada e de distribuição europeia das matérias primas oriundas do extremo oriente. Os vestígios da Rota da Seda conservam-se por lá.
Viriam a diminuir de importância com a descoberta da solução do mesmo tráfego de mercadorias por via marítima.
E Lisboa foi grande e destronou-as…

Voltando atrás.
Na linha de sucessão do sultanato sobe ao poder o jovem - 13 anos - Maomé II. Com 23, ambição desmedida, tenacidade rara e genialidade única, atira-se à conquista da cidade que muitos tentaram antes.
O filme acaba com a tomada da cidade. 
Daí para a frente sabemo-lo.

Se lhe foi possível obter o impossível - a conquista de Constantinopla rebatizada desde aí de Istambul - porque não continuar?
Com esta conquista, os Otomanos transformam-se em Império e viraram o curso da história e do mundo. Tornam-se grandes, grandiosos e sanguinários e partem à conquista do mundo. E conseguem uma boa parte.
Viriam a sucumbir 500 anos depois - 1923 - já depois da I guerra com a viragem política para ocidente chefiada por Ataturk.

Nos nossos dias, numa edição sultanada, Erdogan, atual presidente, insufla nas mentes turcas a capacidade da hegemonia turca de outros tempos, acalentando-lhes ideias… e arrebanhando adeptos.

As contas do rosário da história estão sempre ligadas.

Mais info:
https://www.blahcultural.com/critica-de-ascensao-imperio-otomano/


sábado, 2 de maio de 2020

Empatia nacional! Why?



Faz tempo, seguramente mais de 45 anos, que Portugal e as suas gentes não estavam tão unidos no mesmo propósito. Sendo o motivo forte, a pandemia, o certo é que outros países não lograram alcançar este desiderato, pelo menos em idêntica dimensão. Vários, desde os EUA à pequena Eslovénia passando por jornais de referência mundial, observaram-nos elogiosamente. Se a esta união vai corresponder um bom resultado?, é conclusão a que chegaremos lá mais para a frente.

Porquê esta sincronia de vontades?, é a pergunta. Responder-lhe é temerário.

De entre as muitas opiniões que pululam por aí, retenho uma em especial: a de uma longa história comum de 900 anos. Poucos países no mundo têm raízes tão profundas, tão entrelaçadas. Poucos países no mundo foram tão grandes como Portugal em alguma época. (Mais recentemente)Poucos países no mundo fizeram uma revolução total apenas com cravos. Poucos países no mundo têm um tronco comum tão definido como Portugal. 

Não menosprezo o medo individual e coletivo da pandemia que nos caiu em cima feita tsunami; não menosprezo o receio da devastação económica que a todos atinge; não menosprezo a incerteza no futuro que paira sobre o mundo e sobre nós. Mas, em adversidades como esta, saber e sentir a comunidade confinada, porém serena, a deixar-se conduzir num cenário toldado de incertezas e acreditando, quase cegamente, que assim vamos conseguir sair deste aperto, é notável. Acreditar que quem conduz os destinos do país o está a fazer bem(?), apesar de sabermos que eles também não sabem, é obra.

Termos conseguido pôr de parte temporariamente as salutares divergências políticas, religiosas, clubísticas?, é extraordinário.
Vivermos num ambiente de empatia geral, é único.

E porquê tudo isto? Porque somos 'velhos' de séculos. E esta 'velhice' é boa conselheira.

Amanhã, aos poucos, regressaremos às divergências; hoje é o tempo certo de cultivarmos a empatia.
Ela nos resgatará para dias melhores.

domingo, 26 de abril de 2020

'Unorthodox', Netflix


[Dica]

Acabei de ver na Netflix o filme Unorthodox (uma temporada, quatro episódios).
O tema é sobre os judeus ortodoxos, suas formas de vida no interior do grupo, usos e costumes.
E, um pouco novidade, numa abordagem disruptiva ao seu fundamentalismo. 
Pegam numa jovem e frágil personagem a viver num bairro judeu-ortodoxo em Brooklin que, ao despertar para a vida - 19 anos -, vê e quer mais do que o absurdo daquele viver.
Foge para Berlim ao encontro de um mundo novo (e velho, no encontro com o passado dos seus - holocausto -, e nessa viagem ficam interrogações ao ortodoxismo destes judeus.
Filme leve numa narrativa lenta, pensadora.

Porque andamos por lá, poderão achar interessante.


domingo, 19 de abril de 2020

Um tempo estranho, este!

Vamos todos ficar bem
Amanhã haverá um outro dia.
Com o mesmo Sol.


Vivemos
Um tempo de hibernação, silencioso, estranho.
Um tempo de contornos vazios.
Um tempo de definição oscilante a cada momento.
Um tempo de dias lentos e difusos.
Um tempo experimental.
Um tempo de redescoberta do que somos.
Um tempo com tempo para olhar a esperança lá mais à frente.
Um tempo de olhar pela janela e ver as ruas apinhadas de nada.
Um tempo de saídas fugazes e escrutinadas.
Um tempo cabisbaixo, envergonhado, ainda que mascarado.
Um tempo de foragido.
Um tempo de escusas verbais.
Um tempo antiasséptico, anti-TOC, anti-patogénico.
Um tempo de síndroma de vírus.
Um tempo de Vírus-BioMania.
Um tempo sem ‘touch’.
Um tempo de sorriso raro.
Um tempo de pausa sem se saber exatamente porquê e para quê.
Um tempo monotemático.
Um tempo de um mundo de pequeno tamanho.
Um tempo de um mundo do tamanho do mundo.
Um tempo de singular tolerância.
Um tempo de intolerância para com desalinhados.
Um tempo de ideias torpes e avariadas.
Um tempo de acreditação científica.
Um tempo de espera por uma vacina-deus.
Um tempo de proximidade de espécie.
Um tempo virtual.
Um tempo de escrutínio ao futuro.
Um tempo de tributos profissionais.
Um tempo de apaziguamento social.
Um tempo de alterações ambientais.
Um tempo da assunção da importância da economia.
Um tempo de comunhão global.
Um tempo de valorização familiar.
Um tempo denso e tenso.
Um tempo de secundarização das diferenças.
Um tempo de relego dos vulneráveis.
Um tempo de clausura.
Um tempo distante e saudoso do calor humano
Um tempo de sentimentos novos.
Um tempo de surpresa e estupefação.
Um tempo de contentamento de uma história comum de 900 anos.
Um tempo de olhar para o lado e sentir o conforto da continuidade.

Um tempo de aplauso a quem trabalha.
Um tempo aspirante à solidariedade.
Um tempo de sensibilização para causas maiores.

Um tempo de apego a causas nobres.
Um tempo de confiança e de dependência do coletivo.
Um tempo de hinos à saúde e à vida.
Um tempo de celebrar a Vida. 

Um tempo de...

Amanhã será outro tempo. Ou o mesmo tempo.
Bom tempo, com certeza.


sábado, 28 de março de 2020

18 Anos! Parabéns, Leonor.



18 Anos!
              Parabéns, Leonor.

'Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura'
            [Camões]

Uma brincadeira camoniana para entrar no teu DiaD: 18 Anos! A idade de que todos falam e muitos querem. Que agora é inteiramente tua.

Parabéns, Leonor

Um dia bem cheio, alegre e feliz, desejo acompanhado de enorme ambição: que os futuros sejam assim também, repito: Cheios, Alegres e Felizes.

Sem te despedires dos dias que até aqui somaram para os 17, dá um caloroso Welcome aos próximos, encantando-os com um dos teus bonitos smiles. Eles devolverão em dobro essa tua receção.

18 Anos!
É tempo de olhar em frente mas é tempo também de começar desde já a usufruir ao máximo do que o tempo tem para oferecer. E tanto é. Tem vezes que olhar pelo retrovisor é consolador, mas não vale a pena gastar muito tempo com isso até porque as novidades que entusiasmam já aí não estão.

Os que seguem um pouco mais à tua frente asseguram-te que aí há mesmo boas novidades e as que tu encontrarás serão bem interessantes. Vale a pena por vezes um pequeno esforço para as apanhar. Estar atento, preferir e usar o seu lado bom é o segredo e aposta ganha, com retorno imediato.

“Vida experimentada é vida melhorada”, diz-se e eu concordo.
Sugiro que retenhas a diversidade de que foram salpicados os, quase, 101 anos da tua bisavó Ana ou dos 95 do teu bisavô Avelino. Sabiam eles, de experiência feita, que as perceções do dia-a-dia poderiam ser traiçoeiras e optaram, com sabedoria e sucesso, por calibrar suas opiniões e decisões para prazos longos.
Sabemos que deu certo.

Mas hoje é dia de festa ‘até às tantas’! O dia dos teus 18!
Festeja com toda a garra que tens. Isola por um dia os 17 e os 19 e vive intensamente os 18. Quem sabe não voltarás a ele muitas vezes e é sempre bom encontrar o sorriso que então deixaste.

Bebe um cálice do espumoso - agora podes! Já estás alforriada - e deixa-te inebriar pela alegria dos 18.

Parabéns

Dá e recebe um Xi bem apertado da tua Mãe/Pai, que te adoram;
Da tua Mana, que será sempre tua maior amiga, apesar de rezinga;
Dos teus quatro avós, para quem serás sempre uma estrelinha brilhante;
De todos nós, os m&c, que gostamos muito de ti e acompanhamos com interesse os teus dia-a-dia;
De todos os teus amigos com quem continuarás a temperar os dias.
Falta alguém?

"Vai Leonor pela verdura
Vai formosa e segura"
           [Myself]

Be Happy
Teu tio-avô, em cujo radar sempre estás,

Nota.
Logo mais, às 21:30, vamos todos cantar-te os Parabéns pelo vídeo do Messenger.
Fica já marcada a hora para todos.

Nota extra.
Os dias especiais que estamos a viver ficarão como uma marca dos teus 18 e em breve uma mera recordação de um acontecimento único na vida de todos nós.