domingo, 26 de janeiro de 2014

'PORQUE FALHAM AS NAÇÕES', de Daron Acemoglu e James A. Robinson

James A. Robinson
 Daron Acemoglu
Com um segundo título ‘As origens do Poder, da Prosperidade e da Pobreza’ - ambos bons títulos - aqui está uma obra brilhante e elucidativa; com princípio, meio e fim.

Estamos perante uma tese, para mim um Tratado, de Ciência Política e de Economia, focando (e alertando) para a importância da implementação de boas práticas de gestão, gestão cuidadosa das nações, pequenas ou grandes.

Os autores, eles próprios, encarregaram-se de lembrar e de a contrapor com outras teorias sobre o mesmo tema, nomeadamente com aquelas que o tentam explicar pelo lado Geográfico, Cultural ou da Ignorância.
Embora não os tendo lido mas, na medida em que D.A. & J.A.R. falam delas, parece-me esta bem mais incontestável.

Com um respeito 'notável' pelos seus autores, opinaram e, no meu modesto entender bem, que aquelas, embora respeitáveis teorias, continham algumas brechas, e que não eram suficientemente fortes e capazes de explicar tudo; e assim e sobre elas também, acrescentaram a sua:

• a das sociedades com instituições políticas e económicas inclusivas e/ou extrativas;
• a das sociedades com governos absolutistas;
• a das sociedades mais ou menos centralizadas;
• a das sociedades que defendem e asseguram o direito à propriedade privada;
• a das sociedades respeitadoras da lei e da ordem;
• a das sociedades que incentivam a economia;
• a das sociedades com contrapoderes fortes disseminados;
• a das sociedades que promovem a destruição criativa.

Sobre estas grandes linhas orientadoras e compilando informação exaustiva, escreveram este quase compêndio em que detalhadamente explicam porque é que umas nações falham, e outras prosperam e perduram com sucesso.

Abordagem interessante e do mais elaborado e completo que ultimamente tem aparecido. Seus autores, (Daron Acemoglu & James A. Robinson), dois homens inteligentes e com uma capacidade de trabalho singular, levam-nos através das suas investigações e conclusões, para patamares de conhecimento e compreensão sobre a evolução do comportamento das sociedades, antigas e recentes, absolutamente novas e reveladoras.

Assumimos que, para assegurar esta sua frente de trabalho, recrutaram um batalhão de pessoas - também bem preparadas, os chamados ‘ratos das bibliotecas’ - (como fazem muitos escritores da n/ praça) para selecionarem o material que eles elegeram para constar em livro. Esta retaguarda, contudo, não ofusca nem diminui o seu talento e trabalho de líderes na publicação final.

É um privilégio para todos nós poder ter acesso a trabalhos de pessoas dotados destas capacidades, capazes de sintetizar, enquadrar e dar forma, neste caso, à história da evolução da humanidade de séculos (do séc. X a.C. até ao nosso), focando os seus aspetos políticos e económicos.

Livro fundamental, básico mesmo, para todos aqueles que ambicionam acompanhar o funcionamento do mundo para além do fervilhar do dia-a-dia. Saber como agir e reagir, tendo por base informação abrangente e sólida.

Todo o cidadão e principalmente se político responsável deveria conhecê-las: os quês e os porquês das coisas; quais as opções a tomar com segurança, de forma a salvaguardar sempre o essencial. Se assim fosse, estou certo, poupar-se-iam etapas e evitar-se-iam muitas desilusões. Decidir em cima do joelho, sempre com soluções de recurso, é perigoso e conduz as sociedades, as mais das vezes, por caminhos sinuosos senão tortuosos, e não raras vezes estatelando-as contra a parede como é o exemplo quase dramático do presente caso português; e não só.

Por deficit académico ou iliteracia pessoal sobre o tema sinto-me pouco confortável para o questionar ou para o por em causa. É tão densamente explicativo, tão historicamente bem fundamentado, tão internacionalmente calibrado que pendo para a sua aceitação como incontornável verdade.

Na perspetiva destes dois autores, alguns dos grandes e antigos impérios estudados, concretamente o Romano, o Aksum ou o Maia (que não os coloniais dos tempos mais modernos), colapsaram a partir da altura em que as suas políticas e economias enveredaram e se tornaram maioritariamente extrativas, atingindo o ponto do não retorno.

Os conceitos resumidos nas palavras ‘inclusivo’ e ‘extrativo’ resultam felizes. São de resto as duas palavras-chave que perpassam por todo o livro e são os alicerces e charneiras para esta proposta; praticamente tudo se resume a elas e são o seu epicentro.

Resumo para mim próprio 'extrativo' como:
Funcionamento da economia e da política tendo como primeiro objetivo a obtenção fácil e rápida do lucro mas, e isto é distintivo, fora de sistemas integrados, coletivos e de interesse geral ou nacional.
Por exemplo: negócio de armas, drogas, fraudes fiscais, escravatura - à moda antiga ou moderna -, corrida desregrada ao ouro/prata ou e também, noutra escala, a economia paralela (economia não contabilizada: ilegal ou clandestina; em Portugal, 19% - 31.1MM€ - Finais de 2012)...
O contrário disto, e desejável, são as economias e as políticas 'inclusivas' em que as empresas e as pessoas funcionam em sistemas nacionais conhecidos e integrados pagando aquelas - empresas e pessoas - os seus impostos e recebendo dos estados, em retorno, as ajudas sociais.

Em Portugal, felizmente, a maioria das empresas e das pessoas pagam os seus impostos pese embora o fato de ultimamente devido à 'crise', muitas terem optado, numa deriva preocupante, pela economia paralela.

Outro tema interessante é o da 'descentralização' do poder. Este não deverá funcionar tipo vasos comunicantes em que todos dependem de todos (mesma fonte) mas exercendo cada um a sua quota de poder.
Quanto mais ramificado / distribuído estiver o poder mais seguros estarão os direitos dos cidadãos e o funcionamento dos países; a contrário, a concentração do poder (absolutismo) agiliza e facilita o exercício do poder discricionário.

Até à leitura deste livro defendia com vigor a não regionalização em Portugal com o argumento simplista e economicista de que era mais uma 'criação' para facilitar mais 'jobs for the boys', como se diz. Embora agora repensada, mantenho a opinião apenas por três motivos:

1º - somos um país demasiado pequeno para o espartilhar ainda mais;
2º - o poder local de que o país dispõe provou ser o necessário e o suficiente para suster o central e responder às ambições locais; inclusive, através da ANMP e ANAFRE, conseguiram formar lóbi com muita força política;
3º - os lóbis para serem fortes têm de ter alguma massa crítica, massa crítica essa que seria apoucada por uma dimensão menor ou, a contrário, seria exponenciada se com maior dimensão.

Nota 01 - foi justamente e só por esta última razão que fui contra a criação do novo estado do Kosovo (10.000KM2 / 2,000,000 pessoas): país pequeno demais para garantir sua própria independência e/ou sobrevivência e também para se afirmar internacionalmente. Vamos ver a quem o tempo dará razão.

Nota 02 - ao nível da União Europeia os países mais pequenos estão a incorrer no risco sério da transferência excessiva de poderes para Bruxelas, e isso pode vir a revelar-se fatal. Bem sei que 'ainda' estamos na fase definidora das bases do funcionamento da União mas, observa-se claramente a tendência da centralização ou, então, à pressão já hegemónica por parte dos países maiores e mais fortes, nomeadamente do eixo Franco-Alemão ou mesmo só da Alemanha.

Já noutra altura aqui lembrei que, por estes motivos, os países da U.E. chamados de periféricos (PIIGS) estariam mais seguros se os seus interesses já estivessem mais cruzados com os dos grandes; cruzados ao ponto de não ser possível, exequível, desaconselhável ou descartável o ‘descruzamento’. Se assim fosse os ditos grandes ter-nos-iam em melhor conta aquando das grandes decisões: ao defender os seus teriam de defender os nossos.
A Federação dos Estados seria solução.

'Destruição criativa' com o consequente espaço e oportunidade para a criatividade e empreendedorismo das pessoas, criatividade sempre bem-vinda por ser um dos motores fundamentais do progresso e da prosperidade.

O exemplo referido no livro do tear inglês é paradigmático: o poder nega a evolução por recear turbulência na 'paz (podre) social'.
Resumindo a história do tear inglês (1583): havia um sujeito (padre) que observando sua mãe e suas irmãs a fazer malha começou por imaginar o que poderia ser a produção de roupa se, em vez de uma só agulha, fossem várias a operar ao mesmo tempo. Abandonou a vida eclesiástica e dedicou-se por inteiro ao projeto. Investiu todo o resto da sua vida nele tendo, já quase no fim, conseguido fazer o primeiro tear da história. Pegou nele e foi falar com a Rainha - Isabel I - para patentear o invento e, depois, ganhar dinheiro. Abreviando, recebeu dela um redondo ‘não’. Ainda tentou com o Rei sucessor - Jaime I - mas continuou a receber o mesmo condenado ‘não’. França também disse ‘não’.

Aqui há alguns anos atrás estive turisticamente numa fazenda do nordeste brasileiro. Fomos (bem) recebidos pelos proprietários que simpaticamente nos explicaram o funcionamento da fazenda. Interessou-me toda a explicação em geral e detive-a na parte da colheita da cana-de-açúcar. A fazenda era grande, 15.000 hectares, salvo erro. Para além da criação de gado dedicavam-se à exploração da cana. Foi então dito que a sua colheita era feita por trabalhadores e que estes eram pagos de acordo com o número de metros cortados, ou seja: X metros/homem/dia de cana manualmente cortada, vezes X reais/metro, igual a salário dia.
Na minha voluntariosa e europeia visão perguntei porque não introduziam máquinas para a colheita em substituição dos humanos? Produziriam mais e não dariam problemas doutra natureza! Reposta pronta do fazendeiro: e o que faria com os trabalhadores? Ficariam sem emprego e sem dinheiro e viriam aqui para a porta perturbar...
Eis pois replicado nos nossos dias - século XXI - o exemplo do tear inglês. Já lá vão mais de 200 anos depois da revolução industrial inglesa e no Brasil (ainda) é assim!
'Destruição criativa', nem pensar.

Apetece aqui deixar, porque relacionada, uma outra pequena história ocorrida nessa viagem. Abeirou-se de nós um 'miúdo de rua' - não da cidade mas de campo - que não mais nos largou. De entre muita outra conversa, perguntei: que faz teu pai? Resposta pronta: de dia agricultura, de noite criatura. (Eram 11 irmãos).

Botswana, exemplo interessante!
De entre os países africanos emerge o Botswana como exemplo diferenciador. Embora também ex-colonizado teve a singular sorte de ter tido como seu primeiro presidente, após a independência em 1980, um Senhor chamado Seretse Khama que, tendo estudado em Inglaterra, para lá levou a organização política e económica inglesas (políticas e economias inclusivas). Com esforço, abnegação pessoal e vencendo resistências de todo o tipo, conseguiu aí implementá-las. Como consequência temos um país africano (penso que único) com um crescimento sustentado de anos (10 %/ano). Por acaso, ou não, o atual Presidente – Iam Khama - é seu neto. (Área: 581.000 K2 - População: 2,000,000 - PIB per capita 16.000 USD/Ano – PIB/Portugal: 20.000).

Sob as mesmas perspectivas ‘inclusivas/extrativas’, explicam também a ascensão e queda da antiga URSS. Avisam que a atual China está a crescer com políticas e economias extrativas, daí se inferindo o fim do seu atual estatuto – a médio/longo prazo -.

Segundo esta análise o vaticínio de Nostradamus (1503) sobre o ‘poder amarelo’ - que hoje se verifica - não durará como imaginava.
A ver vamos.

É imperioso – porque estabilizadores de futuros sólidos e longos - haver estados democraticamente fortes (inclusivos), fortes ao ponto de serem capazes de:

• conduzir os interesses superiores dos países que representam;
• assegurar a ordem pública;
• cumprir e fazer cumprir as regras constitucionais;
• assegurar o direito à propriedade;
• incentivar a atividade económica;
• permitir e garantir a destruição criativa.

Muitas vezes se fala do porquê da diferença atual dos países ex-colonizados: uns ricos, outros pobres ou muitos pobres. Chama-se para a comparação, por um lado, países como os EUA/Austrália e, por outro, os Asiáticos, Sul-Americanos ou Africanos.

Nós portugueses gostamos de pensar e espalhar à boca cheia que fomos e somos ‘diferentes’: melhores!
João Paulo II na sua deslocação a Angola espalhou isso mesmo ao fazer ecoar nos media sua admiração pela boa coa-habitação social entre o antigo colonizador e o novo país. Eu próprio sou testemunha, quer antes quer depois da independência, que existe uma relação de amor-ódio entre os dois países com franco pendor para a do amor. Outro tanto não se poderá afirmar da parte política angolana. Com efeito, por razões de sobrevivência política, afirmação autonómica e sénior do país, a classe política continua a ter necessidade de embandeirar o estigma do ‘colonizador’, semeando a cada esquina esse pseudo-ódio.

Houve realmente e ainda há na n/ relação com os ex-territórios coloniais, uma relação de proximidade e ‘boa vizinhança’ que se explicará pela tradicional bonomia e caracter afável do povo português. E pelos dias que correm essa bonomia e essa afabilidade estará bastante mais acentuado dadas as necessidades de emigração portuguesa.
Bem no seu início essas relações foram iguais a de quase todos os outros colonizadores, tendo ido explorar em primeiro lugar, como eles, e durante séculos, esses povos, numa pressão fortemente extrativa. Não era então n/ preocupação dotar aqueles países de infraestruturas político-económicas inclusivas capazes de resistir e subsistir ao tempo; explorou-se mesmo a escravatura como primeiro recurso para a obtenção de dinheiro rapidamente.
A Inglaterra quando chegou concretamente aos EUA ou Austrália, não encontrou número de indígenas bastantes que aliciasse a sua transação comercial. Daí que, nestes dois lugares, tiveram de fazer outras opções o que, não só poupou aquelas gentes à escravatura como proporcionou a introdução de lógicas inclusivas. Beneficiaram esses países do espírito da revolução industrial que para aí foi sendo exportado. As suas caraterísticas e pujanças atuais remontam e ancoram-se nesse tempo e são hoje o que sabemos: ricos e poderosos.

Ler este livro – brilhante, histórico e aprazível - é fazer uma bem-sucedida viagem de quase 30 séculos pela história político-económica da humanidade.
Seus autores não pouparam esforços nem pesaram o tempo despendido para demostrar cabalmente sua tese.

Copy/paste do livro, página 443:
“Hoje os países fracassam porque as suas instituições económicas extrativas não criam os incentivos necessários para as pessoas pouparem, investirem e inovarem”.
Frase simples mas lapidar onde está concentrada toda a teoria. Obviamente que para a descodificar na sua máxima extensão tem ler-se todo ele.

O livro é rico demais para o tentar fechar em poucas linhas.
Deixo aqui algumas impressões para memória futura, aquelas que me pareceram mais significativas, sugerindo-se a leitura integral do livro. Pode parecer que os autores escreveram demais; mas não. Este puzzle é constituído por imensas e pequenas peças e chegados ao fim verifica-se que todas elas encaixam e são importantes à compreensão do tema.

No último terço do livro deixam-nos uma resenha, apesar de breve, bastante interessante e elucidativa do status de alguns países nos dias hoje, à luz dos conceitos defendidos no livro como a Argentina, Colômbia, Botswana, Uzbequistão, Coreia do Norte, Serra Leoa e muitos mais. A reter. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

...mais vale viver (relativamente) pior!


Futuro
Passado

“Século XX, Século do sofrimento e da esperança!”

Acabei de ler a “História do Século XX”, de Martin Gilbert.

Foi com gosto intenso e muitas vezes emocionado / indignado / revoltado… que revisitei todo o século XX conduzido pelas mãos de um mestre em história e literatura. Sim, as duas abordagens, histórica e literárias, estão bem presentes. História do comportamento das sociedades, da humanidade em geral bastante conseguida, agradável, imparcial, objetiva e literariamente perfeita.
Ritmo certo e uso correto e até exímio da palavra na transmissão dos acontecimentos.

Não nego, antes pelo contrário declaro, que me deixei emocionar por muitos dos fatos que aqui são lembrados em resultado dos fatos em si mesmos e pelo realismo e crueza como ocorreram.

Acresce também que a segunda metade do século (desde 1951) foi também vivida por mim e eu próprio fui testemunha e sujeito ativo do seu desenrolar. Fui eu também interventivo durante dois anos na guerra colonial portuguesa, ao seu serviço, quando vesti a farda militar em Angola nos anos 72 a 74.
Em bom rigor e não tentando com isso alijar responsabilidades, não tinha como alguns, uma atitude consciente das envolvências em resultado de algum deficit de informação académica e/ou política. Comecei aí precisamente, aos 20 anos, a perceber melhor e mais detalhadamente o que acontecia à minha volta e no mundo. De qualquer modo ao participar fui agente ativo na história, nomeadamente na portuguesa.

Vou tentar não me repetir ao que já escrevi a propósito desta publicação de MG num outro apontamento anterior, mas confirmo por inteiro o que então lá referi.

A história portuguesa num ou noutro momento também figura nos relatos de MG mas, para o bem e para o mal, consta pouco; admito que, depois dos muitos exemplos que li da história de outros países, para o bem. Com efeito a maior parte das inclusões históricas de países na ‘História do século XX’, foram-no por razões de guerras, crueldades, morticínios, xenofobias, étnicas, raciais, desalojados, refugiados ou acontecimentos desumanos desse género, bem graves e tristes.
Não figurar aí por essas razões, parece-me uma boa omissão.

… mas há dúvidas.

Aqui há alguns anos atrás viajando pela primeira vez por essa europa adentro (até à então Checoslováquia), e confrontado com a diferença abissal a muitos níveis dos países visitados, nomeadamente França, Suíça e Áustria, foi referido pelo Guia que essa diferença de modernidade tinha tido origem nos dinheiros do plano Marshall a que Portugal, por não ter participado da II guerra, não tinha tido acesso. 
Essa não participação remeteu-nos para o isolamento político e financeiro que só terminaria (?) com a n/ entrada na U.E.; ou seja, essas consequências pesaram duramente em várias gerações durante mais de 40 anos.
Valeu a pena?
Obviamente que não é possível reduzir o valor da vida humana a uma cifra, ‘não tem preço’, e Portugal ao não entrar nessa guerra poupou muitas vidas. Quantas? Milhares, seguramente. Num dos pratos dessa balança temos de colocar essas vidas poupadas e no outro a miséria (relativa) em que viveram 10.000.000 de portugueses durante esse período.
Pendo para o lado dos que pensam que mais vale viver (relativamente) pior do que ter-se entregue vidas à chacina.

Sublinho por me parecer de destacar o fato de George Bush ter escrito no seu diário pessoal que estava a ler os escritos de Martin Gilbert na altura da intervenção do Iraque no Koweit e que essa leitura foi importante para formar s/ opinião sobre se a América deveria ou não intervir: interveio. Fica assim relevada, se disso houvesse necessidade e não há, a mais-valia da opinião de MG.
Seus escritos dão-nos a oportunidade de refletir sobre os acontecimentos que condicionaram o passado e, porque se ligam, projetar avisadamente o futuro.

A quem chegue a este nível de conhecimentos corre o sério risco de ter de repensar toda a sua arquitetura de filosofia de vida, política e não só. Não é possível ficar-se indiferente depois de beber esta dose maciça de informação.
Se por um lado os acontecimentos, muitos deles terríveis, reestruturam o pensamento, por outro lado somos banhados por uma calma inesperada pois se aprende a relativizar muito do que se ouve e nos posiciona para fazermos melhores triagens.
Ficamos mais seguros e certos sobre o amanhã, se é possível pensar-se assim.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Impressões - "HISTÓRIA DO SÉCULO XX", Martin Gilbert

Martin Gilbert
Para quem não dispõe de muito tempo para percorrer com mais detalhe os labirintos da História do Século XX e pretende mais rapidamente apanhar o comboio dessa história, tem nestes pequenos oito livrinhos um compacto do que de essencial então se passou no mundo.
Falo de uma leitura, diria, obrigatória, de mesinha de cabeceira, que ajuda a posicionarmo-nos na nossa rota histórica e melhor enquadrar, compreender e relativizar os acontecimentos dos nossos dias.

Na definição de ‘história’ nos primeiros bancos da escola, brincando, dizia-se: a história “é uma sucessão de sucessos sucedidos que se sucedem sucessivamente sem cessar”.
Definição ligeira, com humor mas com um fundo verdadeiro.

Afinal na história humana nada acontece por acaso: os acontecimentos, como as contas de um rosário, estão presos um aos outros. A questão está em sermos capazes de os decifrar atempadamente e de os relacionar.

Martin Gilbert fá-lo como poucos e com uma crueza sadia. Não emite opinião e limita-se a relatar factos. As conclusões/ilações ficam para a consciência de cada um e digo que pesam e muito.

Aqui acrescento uma questão que me acompanha há já algum tempo: a isenção do historiador.
Sem adicionar os nomes de quem me estou a lembrar, duvidei sempre da capacidade ou vontade de isenção dos historiadores; alguns selecionam criteriosamente fatos de forma a orientar o leitor para as ideologias que perseguem. Achava que não era possível direta ou indiretamente um historiador manter-se na zona da imparcialidade. Até achava humano tal postura ou dificuldade. Porém, com MG, essa dúvida é muito mitigada e quase sempre ultrapassada.
Com efeito MG atravessa a História do Século XX vestido com um fato de amianto impermeável a preconceitos políticos, religiosos, de continente, de país, de lobies, de grupo ou outros, mostrando-nos os fatos TODOS, vistos de todos os lados; apenas os fatos, ‘tout court’. Quando assim é a leitura torna-se mais absorvente e agradável. A ausência dessa rede no historiador liberta o leitor e aproxima-o do que é dito aceitando como mais verdade.
Não direi que é cem por cento isento mas anda próximo disso.

Na contracapa de cada livrinho foram transpostas algumas opiniões publicadas nos principais jornais mundiais, nos jornais de referência – goste-se ou não -, (Financial Times, Sunday Times, Daily Telegraph...), opiniões que assino sem reserva.
É de facto um historiador e escritor prodigioso, com uma capacidade intelectual e de trabalho árduo muito acima do que se conhece.
É notável a sua capacidade em conseguir condensar seus vastos conhecimentos de forma ordenada, muito completa, inteligível (e muito acessível) nestes pocket books.

Embora sem grande detalhe, tudo o que condicionou a história do homem no planeta terra (e na Lua) nesse século, é aqui lembrado: sucessos e insucessos, avanços e recuos, dúvidas e incertezas, guerra e paz.

Foi um século riquíssimo em muitos domínios.
É comum dizer-se que no século vinte tudo aconteceu. Até parece que antes o homem andou a semear de charrua para agora colher de Space Shutle.

É perverso e até esquizofrénico assumir-se, mas o grande motor que acelerou as maiores mudanças derivou das duas guerras, nomeadamente da segunda.
Quantas invenções não tiveram aí origem!?

MG dedica-lhes, à primeira e à segunda, e bem, muito do seu tempo; com todo o cuidado para que a história resulte compreensível e o leitor fique com o puzzle próximo do exato. E a meu ver fica, de forma curta, mas fica.

Também eu me deixei sensibilizar, indignar, revoltar…, não só pelas causas que as motivaram mas sobretudo pelo sofrimento indescritivelmente atroz sofrido.

Os números e factos em si mesmos impressionam!, alguns até às lágrimas. Refiro-me em especial aos relatos feitos sobre os atos indescritíveis e desumanos com que as pessoas foram desprezadamente tratadas no decorrer das duas Grandes Guerras. Tanto na primeira e ainda mais na segunda os níveis de horrores infligidos atingiram o inimaginável.
A quantidade de mortes [na primeira 8,5 Milhões e na segunda 60 Milhões (?)] diz bem.do.que.aconteceu.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Mortos_na_Segunda_Guerra_Mundial

Que poder de atração - fatal -,
que fascínio exerceu Hitler sobre uma boa parte da população alemã! que o apoiou e levou ao poder!?
Como foi possível Hitler (e Mussolini) ter chegado ao topo do poder!
Que magnetismo ofuscante transportavam com eles!?

Não vou aqui acrescentar mais pormenores sobre o tema: os livros fazem-no muito melhor. Deixo apenas algumas impressões, alertas e homenagens.

Homenagem aos militares e civis mortos.


Homenagem à Grã-Bretanha e aos Estados Unidos d’América, através dos seus principais responsáveis, Winston Churchill e Franklim Roosevelt. 
Franklim Roosevelt
Winston Churchill

O que fazer com personagens abomináveis do género de Hitler?
Qual o castigo adequado para este (s) monstro (s)?
Em resposta à minha própria dúvida direi que o Homem não foi nem é capaz de conceber um sanção proporcionada aos crimes praticados!
A mente humana não consegue dimensionar tal punição; ficaria sempre aquém de…

Numa visita recente ao Bunker de Hitler - em Berlim, perto do Portão de Brandeburgo, onde se refugiou nos últimos meses e onde acabou por suicidar-se -, por uma coincidência (?) a meu ver feliz, (o algoz perto das vítimas…), foi erigido um Monumento aos 6 Milhões (?) de Judeus - também conhecido por Memorial do Holocausto - mortos na 2ª Guerra.
Gostei particularmente do Monumento.
A sua sobriedade, austeridade, profundidade, dimensão, extensão, cor…, remete-nos de imediato para a tragédia deste povo.
Pisando o terreno onde está submerso o bunker, me questionei sobre a opção de nada ter sido feito de mais visível ao longo dos anos para recordar o bunker e o seu ocupante (está apenas delimitado o espaço). Repensando sobre as eventuais razões, satisfaz-me o argumento de que não se deveria perder mais tempo com o personagem. Terra por cima e pronto, não se perca mais tempo com…
A ideia de que ninguém mais o seguiu é reconfortante. Tudo o que ele representava morreu com ele; não teve seguidores; não houve devotos que lá regressassem.
Nem as ervas crescem …

Estes incontáveis morticínios das duas guerras, com números nunca até então atingidos, despertaram nas gentes e nos seus governantes a consciência do valor da vida humana e a necessidade da sua proteção.
A dor, a angústia, o sofrimento mexeu finalmente com a escala de valores estabilizadoras das sociedades e reescalonou sua orientação.
Foi possível a partir daí reunir na mesma mesa - ONU - muitos países e pensar nesse objetivo.
A banalização da morte foi travada.
Não mais ocorreram no mundo tais números, felizmente.
  
 
Memorial do Holocausto

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Deficit da CGA: 4MM€/Ano

Na revista 'Visão' do passado dia 03 de Outubro, foi publicada uma crónica de Diogo Freitas do Amaral, sobre o Deficit da Caixa Geral de Aposentações.
Encostando-se ao livro 'O Meu Programa de Governo' de José Gomes Ferreira (setor privado), e usando do contraditório para proteger sua tese, discorreu em quatro pontos a sua abordagem ao tema. O artigo está bem escrito, escorreito como é de resto seu apanágio; usa e bem esta sua característica para dizer o que pretende e fá-lo bem.

Senti, para além da forma, um grande incómodo ao lê-lo e, à medida que me ia apercebendo da sua verdadeira intenção, senti também um enorme formigueiro e mal-estar a crescer dentro de mim.
Ao escrevê-lo, usou essas suas armas e mais uma: a do extenso testo para anestesiar o leitor.
Escondeu, aplanou, branqueou, maquiou - chame-se-lhe o que se quiser - argumentos a meu ver clarificadores da sua posição.

Usando eu próprio também o meu direito da defesa do meu ponto de vista, carrearei para o tema os pontos seguintes:
Não revelou quem foi o 'pai', o grande responsável pela reforma dos novos estatutos da CGA.
Poderia e deveria ter historiado que a CGA foi reinventada por Aníbal Cavaco Silva que em 1993 os aprovou e promulgou, era então Primeiro-ministro.
Poderia e deveria ter dito que a CGA daí resultante ficou mal estruturada, cheia de problemas e que só em 2012 lhe foram introduzidas as necessárias (?) correções de sustentabilidade; que esteve portanto 19 anos a sobreviver ligada à máquina do OGE, de todos nós.
Estamos pois perante um assunto que teve um grave e enorme pecado original e que o culpado tem nome;
Deveria ter dito e não disse e foi nisso intencional, que a CGA foi revista objetiva e fundamentalmente para continuar a servir uma certa classe da sociedade: os funcionários públicos;
Deveria ter dito e não disse que os pensionistas da CGA auferem pensões bastante superiores à dos privados;
Deveria ter dito e não disse que as reformas do setor público funcionam de forma diferente e bastante mais favoráveis que a dos privados da Segurança Social, não só nos montantes pagos, como atrás se disse, como nos critérios de acesso, nomeadamente nos da idade (ultimamente menos devido à conjuntura).

O seu escondido e secreto objetivo foi o de manter os funcionários públicos, incluindo as suas reformas, num patamar distinto na sociedade portuguesa, lembrando o cancro das 'castas' na Índia (que nem Mahatma Gandhi conseguiu erradicar): uns, os privados, são os Párias, e os outros, os funcionários públicos, os Bramas.
Este ponto é para mim da máxima importância e interpreto o seu artigo intelectualmente desonesto por esconder pensadamente argumentos para proteger-se, a si e aos seus.

Ainda bem que no final da crónica declarou os seus interesses: que foi e aufere pensão como funcionário público. Fica-lhe bem mas usa também esse último argumento para, mais uma vez, tentar disfarçar a sua pseudo-isenção de político e intelectual impoluto e inatacável. Esconder este ponto é grave, crucial e fatal.

'A mulher de César tem de ser séria e não só parecer séria'.
Um manto diáfano disfarça a virgem!

O manto protetor dos funcionários públicos é enorme e chega a todo o lado. Cerram fileiras quando se sentem ameaçados e, até agora, com sucesso: não perderam nenhum dos inúmeros 'direitos adquiridos'.

Em breve o Tribunal Constitucional pronunciar-se-á sobre os cortes de 10% nas reformas dos funcionários públicos propostos pelo Governo. É minha convicção que vai 'chumbar' mais está medida: protegem a classe e consequentemente a si próprios.

Franklin Roosevelt logo a seguir à depressão de 1929 teve de lutar tenazmente com idêntico Tribunal Constitucional que o obrigou a reinventar alternativas para o país então tão necessitado de soluções para ultrapassar a grave crise em que estava mergulhado.
Passos Coelho bem pode inventar soluções para tentar resolver o problema do país mas, desde que sejam medidas que belisquem este setor, estarão sempre condenadas ao fracasso.

Aliás percebe-se e ouve-se bem a música da orquestra que, bem afinada, chutará Passos como fez com Sócrates.
São indiferentes a qualquer solução que venha a ser implementada; o importante mesmo é que não lhes toquem nos direitos e estatuto adquiridos.

Já em tempos aqui o disse e bem-desejei a presença da Troika; não porque goste deles mas porque entendo que a sua presença força soluções de nivelamento social que de outra maneira seriam impossíveis de introduzir em Portugal.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cacofonia Nacional


Ao ler há poucos dias uma entrevista de José Félix Ribeiro - estudioso que acompanho há alguns anos - dei comigo a refletir sobre o interesse que teria para Portugal a existência de ‘Think Tank’s’.
Trabalhava ele ainda no ‘Departamento de Prospectiva e Planeamento’ e aí produziu e deu à estampa conhecimentos, fundamentados em cuidadosos estudos, que mereceram a atenção e interesse de muita gente, e meu também. Não estou aqui a validar esses estudos, estou apenas a afirmar que os achei muito interessantes e muito bem alicerçados, resultando em apports de novos conhecimentos sobre áreas que até então desconhecia, pelo menos com aquela extensão e profundidade. Trabalhava em primeira mão para o estado mas muitas das suas ideias não saíram do papel.

“Em casa onde não há pão, todos falam e ninguém tem razão”.
Um bom mote para apreciar a dissonância opinativa nacional.

Em Portugal assiste-se, a respeito de tudo e de nada, à difusão de um sem número de opiniões desgarradas de que, por tantas serem, poucas ecoam de fato, fazendo lembrar o efeito do delta do Nilo mas ao contrário. Por outro lado as pessoas, por saturação, simplesmente não lhes dispensam a atenção necessária.
Bem sei que estes ‘opinion makers’ recebem ‘à tarefa’; só que para a condução do país nos mais diversas zonas de interesses, não atingem o alvo, resultando em palavras soltas ao vento e não chegando a criar raízes ou correntes de opinião. Uns dos poucos que como D. Quixote isoladamente conseguiu mover os moinhos, e a quem foi dado algum crédito - já fora de tempo -, foi Medina Carreira, goste-se ou não dele.
Seria bem mais profícuo se os ‘pensadores’ se concentrassem em forums específicos, e daí resultassem correntes de opinião, fortes, que mostrassem as alternativas possíveis nos vários domínios da sociedade; com menos dispersão portanto, e focando as pessoas em temas mais concretos. E não só políticos. São aliás redutores ao confinar-se maioritariamente à política.
Conhece-se o CES, com pouca atividade e, com ressonância, pouco mais.

O Jornal Público estudou e publicou:
“97 Comentadores semanais nas TV’s a que correspondem 69 horas de comentário político semanal”, e salvo a exceção de José Sócrates, todos recebendo interessantes recompensas monetárias, algumas mesmo ‘muito interessantes’. Ex.: Marcelo 10.000 €/Mês; Manuela Ferreira Leite: 5.000; Marques Mendes: + de 7.000!
Ao ouvir-se tantas vozes e tão dissonantes, mais parece uma cacofonia, chegando mesmo à esquizofrenia. Está a perder-se um tempo precioso, que já não temos, para pensar em conjunto soluções de futuro viáveis.
A ampulheta não para!

“os Think Tank são organizações ou instituições que atuam no campo dos Grupos de interesse, produzindo e difundindo conhecimentos, assuntos estratégicos, com vistas a influenciar transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas sobretudo em assuntos sobre os quais os pessoas comuns não encontram facilmente bases para analisar de forma objetiva”

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Alemanha: 'Reparações de Guerra'

Tratado de Versalhes | 1919
1ª Guerra: 1918

Somente após os Aliados terem a certeza de que a Alemanha tinha efetivamente capitulado, aceitaram negociar a paz, impondo-lhe condições punitivas pesadas:

* Reconhecimento da culpa;
* Perda de parte do seu território, incluindo as colónias;
* Redução do tamanho do exército;
* Proibição de fábricas de materiais bélicos;
* Indemnização pelos prejuízos causados.

Foram todas arrancadas a ferros e ficaram plasmadas no extenso e pormenorizado 'Tratado de Versalhes' (1919), e aí, de entre o diverso articulado, ficou estipulado que a Alemanha aceitaria pagar indemnizações aos Aliados pelo esforço financeiro que haviam tido com a sua intervenção, o que ficou conhecido como 'Reparações de Guerra' (270 Milhões marcos-ouro ou 33 Milhões USD).

Esta dívida contumaz, que deveria ter começado a ser paga logo nos anos subsequentes, não o foi. E não o foi principalmente por três motivos, a saber:

1º - a Alemanha do pós-guerra entrara num processo recessivo, com desemprego e inflação a níveis tais, que o país não gerava riqueza capaz de honrar os compromissos, nomeadamente os externos;

2 - a assinatura do Tratado de Versalhes resultou de uma obrigação de circunstância formal inevitável e não de uma aceitação racional e muito menos nacional;

3º - os delegados alemães sabiam que esta assinatura poderia ser o fermento onde poderia levedar a próxima futura oposição interna.

§ haveria de ser aqui neste ambiente de choque, humilhação e revolta nacionais, com o orgulho alemão ferido, que Hilter viria a encontrar espaço para lançar as sementes do que viria a ser o 'partido nazista' e as causas que agregaram e empolgaram os seus seguidores para a 2ª guerra mundial, apenas 20 anos depois.

Embora pressionadas pelos 'credores', habilidosamente - todavia com argumentos visíveis (desemprego e inflação) -, conseguiram adiar, ano após ano, o pagamento das reparações acordadas; e os credores, com o passar do tempo não mais tiveram 'força' para lho exigir.

Haveria de ser com a assinatura do tratado da U.E, 70 Anos depois, que as partes zeraram a dívida.

Depois da 2ª Guerra, paulatina e estrategicamente, a Alemanha começou a montar no terreno os alicerces do que é hoje.

Começando na Comunidade Europeia do Cavão e do Aço (CECA), (1951), gizaram, a régua e esquadro, o organograma do sucesso.
Durou uns anos mas chegaram lá, novamente ao topo do mundo. Não precisaram mais de recorrer às armas mas à economia.

Terão sido os 'Credores', ironia do destino, (ou não!) quem, depois da segunda guerra mundial, lhes ofereceu o primeiro bônus!, quando para lá fizeram jorrar dinheiro através do Plano Marshall (1947) - (13 Bi USD / equivalente a 132 Bi em 2006).

Agradecidos pegaram nos tostões e com tempo produziram milhões.

(Resumo muito breve da edição reduzida de Martin Gilbert, 'HISTÓRIA DO SÉCULO XX')
U.E.
Plano Marshall | 1947
CECA | 1951

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Avaria C5 - 15SET'2013

Para memória futura
Avaria C5
Matrícula: Maio 2009 40-HS-99
Km actuais: 41.094
Última revisão: 38.712, Maio 2013
Revisões e acompanhamento: sempre nos concessionários da Citroën.

Ao chegar já perto de casa, e sem que até então tivesse ocorrido algo assinalável, acendeu no visor do carro a palavra 'Service' acompanhada de um toque sonoro e, cito de cor, a expressão 'pressão de óleo do motor insuficiente'.
Alarmado e preocupado com o alerta, não andei mais com a viatura e, via Seguro de Assistência em Viagem, foi o carro rebocado até às oficinas da Caetano Retails da Maia.
Explicada detalhadamente a ocorrência ficou aí parqueado para diagnóstico.
Segundo depois me foi comunicado, após os testes, o problema não tinha origem na parte electrónica.  Assim, avançaram para a parte mecânica tendo concluído, após medição com o manómetro, que a pressão do óleo do motor era inferior à recomendada pela Citroën em 1 Bar e que tal diminuição era atribuída à avaria da bomba que assegura ou que deveria assegurar a correta pressão do óleo no motor.
Face às explicações fornecidas, dei ordem de reparação.
Porém, e agora passo para Citroën/Portugal, não me conformo nem aceito esta avaria, melhor dizendo, com a duração da peça avariada.
Era de supor, pelo menos eu supunha, que, por comparação com a concorrência, as peças de um carro desta gama resistiriam muito mais tempo e muitos mais quilómetros à erosão do tempo e do uso, razões pelas quais foi o carro por mim preferido: não ter problemas por uns tempos.
De resto, e em conversa com o técnico que o assistiu, foi-me por este adiantado não ter nunca encontrado outra avaria igual. Acrescentou ainda não saber explicar das razões que lhe terão dado origem...
Digo ainda que é uma peça inacessível e cuja bom funcionamento e manutenção não dependem do utente mas da qualidade da sua origem.
Dei sempre à viatura a assistência que a Citroën recomenda e nos seus concessionários.
Dito tudo isto, digo agora que alijo qualquer responsabilidade pessoal no caso imputando-a ao fabricante/Citroën, e reivindicando a sua substituição graciosa.
Fico a aguardar v/ notícias convicto das razões que me assistem e certo de que a Citroën também concluirá isso mesmo, honrando a postura idónea que granjeou ao longo dos anos em Portugal e no mundo.

(O texto não chegou a ser enviado dado que a Caetano Retails tomou a iniciativa de contatar a marca - depois de eu ter dito que o ia fazer - e daí resultou que a Citroën se prontificou em pagar 90% e a própria Caetano Retals os 10% restantes da bomba d'óleo)