quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Retalho de vida familiar

Decorriam os anos 50. Era eu um petiz de 4/5 anos que começava lentamente a abrir os olhos, ainda remelados, para este (aquele) mundo. Ia detetando e despertando aos poucos e ao meu jeito, também à sombra dos mais velhos, para as pequenas e grandes coisas da vida.

Pela porta sempre entreaberta pequenas poalhas novas de vida iam passando e recheando o meu pequeno baú.

Com aquela idade, os acontecimentos, as reações e ruídos da natureza, nomeadamente os mais violentas - como as grandes trovoadas -, eram ‘fenómenos’ tenebrosos e incompreensíveis: eram as nuvens que esbarravam umas contra as outras, diziam uns; era Jesus a ralhar, diziam outros.
E os temíveis relâmpagos vindos do nada e que de repente transformavam e recoloriam todo o céu, o que pensar deles?
E o arco-íris, que coisa estranha (e bonita) seria aquilo?
... era a tempestade que se estava a reabastecer, diziam uns tantos!
O que é que se passava lá em cima, afinal?

O certo é que ocorriam e aos meus tenros olhos de inocente criatura, eram muito mais intensos e poderosos; enormes e assustadores.
Só mais tarde é que o tempo os apequenou (?) e relativizou.

Na aldeia os horizontes eram longos e largos, pelo menos para mim, e os sons tonitruantes das grandes tempestades e trovoadas ecoavam infindavelmente pelos montes e vales. A audição, a visibilidade e os impactos destes desmedidos e ocasionais acontecimentos, bem como as sensações que eles provocavam, agitavam e alteravam as rotinas de toda a gente.

As casas, de telhados sem forro nem teto (telhas a descoberto), portas e janelas com aberturas consideráveis (o termo calafetagem não era então conhecido), transmitiam a sensação de que estar dentro ou fora delas, era quase a mesma coisa.

Sentindo os cinco filhos tolhidos por estes desconhecidos e grandes temores e reagindo com os seus impulsos paternais (culturais e históricos), meus pais reuniam-nos em local supostamente mais seguro (?) - dentro de casa - tal como a galinha protege seus pintainhos dos perigos noturnos ou tempestades premoniçadas, debaixo das suas asas inchadas.
… e rezávamos, rezávamos a oração da Santa Bárbara.
Das várias versões conhecidas selecionei esta, que me parece a que mais se aproxima da que então ladainhávamos:


"Santa Bárbara
Se vestiu e se calçou,
Nosso Senhor encontrou
E Lhe perguntou,
Bárbara onde vais?
Senhor eu vou ao Céu,
Abrandar os teus caminhos,
Mandá-los para o monte do rosmaninho,
Onde não haja pão nem vinho,
Nem bafo de menino,
Nem ramo de oliveira,
Nem coisa que santa seja"

Não me perguntem agora se a reza resultava.
O certo é que a tormenta lá acabava por passar, fruto mais da sua evolução natural e não tanto pelas nossas inocentes rezas. A bonança regressava, a petizada sossegava, a vida normalizava e a oração a Santa Bárbara guardada sine die.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"Deux Bons Vivants’ - "Dois Maduros"

José (n.f.) e Manuel (n.f.) são dois velhos amigos, amigos do bom e bem viver; ‘deux bons vivants’, como se diz. Dois maduros, no feliz jargão popular. A idade, já matizada pelos cabelos brancos, emprestava-lhes a respeitabilidade e honradez que aos seus cargos de Presidentes de Junta de Freguesia convinha. Bem-falantes, companheiros inseparáveis, amigos do seu amigo, despachavam os assuntos da comunidade à mesa do café ou, melhor ainda, do restaurante.

Animados pelo desejo sempre presente de festejar algo, (quão fácil era para eles inventar motivos de festejos!) pegaram no seu belo carro e lá foram em noite chuvosa a uma comezaina de leitão, ali para os lados da Trofa.
O leitão estava crocante, estaladiço, do melhor. Conversa puxa leitão, leitão puxa 'sarmentinho' e, a páginas tantas, já nenhum dos dois sabia se o sarmentinho empurrava o leitão se o leitão exigia o sarmentinho. O certo é que era já noite alta, para além da meia, e a luta entre o leitão e o sarmentinho não dava sinais de abrandar.

Vencidos já, mais pelo acumulado entorpecimento alcoólico e alimentar que aos poucos se foi apoderando de ambos, muito a custo e recorrendo às últimas réstias das poucas forças que ainda julgavam ter, lá se soergueram; e, cambaleando amparados um ao outro, lá chegaram ao carro (ao mesmo que ali os tinha levado!) para retornarem às suas casas, ficassem elas onde ficassem.

Estrada fora, devagarinho como mandam as boas práticas de condução nestas circunstâncias (se beber e comer muito conduza devagar…), lá iam deslizando estrada fora.
A estrada de regresso à Trofa andava em obras e a sinalização e os faróis dos carros de sentido contrário (porque é que naquela noite andavam tantos carros em contramão e com os faróis no máximo!?), aconselhava a cuidados redobrados. Exímio condutor não lhes foi difícil observar esta regra. A condução, convenhamos, não estava fácil nesse dia e, ofuscados pelos enormes faróis dos carros contrários (os tais que andam sempre em contramão!) e em indesejados ziguezagues, a valeta foi o seu inevitável destino e tranquilo paradeiro: como se tivessem aparcado em lugar cómodo, certo e seguro. O que não foi sequer motivo de grande preocupação, antes pelo contrário, dado o seu estado avançado de ‘lucidez’.
E lá ficaram na valeta descontraídos, taramelando conversas sábias e profundas: como melhor cuidar dos seus eleitores! Ou terá sido outro o tema!?

Até que, outro suave milagre ali aconteceu: a caminho da Trofa por lá passou o dono do restaurante, desse mesmo onde tinham estado. Reconhecendo os velhos amigos, parou, analisou o estado ‘crítico’ da situação e ligou para o reboque, dizendo-lhes isso mesmo: que não se preocupassem (?) que o reboque já vinha a caminho.
E lá foi à sua vida.

Animados e confiantes na notícia, lá esperaram pelo reboque que de resto não tardou, e, desatascando-os, resolveu-lhes aquele pequeno incidente de percurso.
Já livres de ‘perigo’, eufóricos com o feliz desfecho deste percalço, resolveram, e bem, comemorar o acontecimento. Havia já algum tempo afinal que nada comemoravam …
Mas como? Como poderiam naquelas circunstâncias festejar o evento? Era a questão, pertinente, aliás.

Ora do que estavam mesmo a precisar era de beber uns canecos e comer qualquer coisita até porque a noite já ia mais alta ainda e já há bastante tempo que suas gargantas sequiosas reclamavam algum aconchego.
Juntando alguma ação aos oportunos e bem-vindos pensamentos lá foram.
Para onde? Para o restaurante mais conhecido e que ainda tinha as cadeiras quentes: o mesmo onde tinham estado antes.
E festejaram.

Satisfeitos finalmente, regressaram então ao carro (ao mesmo!) e à estrada, à mesma estrada e pelo mesmo percurso, que de resto já lhes era familiar. Não lhes foi difícil reconhecer o caminho, recordar as obras, a sinalização e os já bem conhecidos ziguezagues. De forma tão natural tinham memorizado a viagem anterior, que seguiram direitinhos até… à valeta, essa mesma, a mesma onde antes tinham caído!

Lá novamente atascados, pouco surpreendidos e calmamente parados, lá ficaram olhando um para o outro sem qualquer preocupação ou reação.
Foram ficando …

Até que, novo suave milagre se repetiu: o dono do restaurante, tarde da noite, por ironia do bom destino, voltou a passar por lá (ia fechar o restaurante). Vendo-os, parou e admirado perguntou: o reboque ainda não chegou!?

"A Confissão da Leoa", de Mia Couto

“Durante as batalhas, cadáveres foram deixados nos campos, nas estradas. Os leões comeram-nos. Naquele preciso momento, os bichos quebraram o tabu: começaram a olhar as pessoas como presas.”

“Aconteceu o mesmo no tempo colonial. Os leões fizeram-me lembrar os soldados do exército português. Esses portugueses tanto foram imaginados por nós, que se tornaram poderosos. Os portugueses não tinham força para nos vencer. Por isso, fizeram com que as suas vítimas se matassem a si mesmas. E nós, pretos, aprendemos a nos odiar a nós mesmos.”

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

"Portugal Vale a Pena", Oficina do Livro, 2012

Ao ler as diversas crónicas reunidas neste livro (algumas com belíssimos estados de alma e todas exibindo um amor confesso a Portugal) em que o tema é ‘porque vale a pena conhecer Portugal’ (desafio proposto a vários portugueses de diversas origens, e em que os destinatários da mensagem são, essencialmente, potenciais e ainda desconhecedores turistas estrangeiros), aceitei também eu a provocação e inspiração.
Todavia vou deixar que a pena siga solta dando assim mais livre curso ao que me vai na alma. É que o tema é tão rico que prevejo não vir a ser capaz de o conter nos 2.500 caracteres sugeridos.

Imaginei-me na pele de Guia Turístico, profissão que de resto aprecio e, como eles, vou tentar ‘passar este sonho’ que é Portugal.

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Tenho por hábito fazer convites para assuntos que, também para mim, valham a pena; e verão que o que agora vos faço é um desses: convido-vos a conhecer Portugal, o meu país.
Um país que, como poucos no mundo, tem uma história longa de quase nove séculos, feita com suores e lágrimas, alegrias e tristezas, excessos e escassez, riquezas e pobrezas. Igual, nestes pontos, a tantos outros, afinal.

Começamos a definir este pequeno retângulo com 89.000 km2, ali em Guimarães, no século XII (1143), dividindo a Península Ibérica em dois, autonomizando-nos dos outros peninsulares e depois de progressivamente termos conquistado e expulso outros povos então aqui residentes; árabes inclusive. No século seguinte (XIII) estava definido o território que é hoje. Mais tarde, século XV, no início do que viria a ser uma empolgante bravata nacional, juntamos-lhe os Arquipélagos da Madeira (2 ihas) e Açores (9 ihas).
Reforçamos a nossa vontade independentista no século XVII (1640), resistindo bravamente a mais uma tentativa da nossa reintegração na Península, expulsando o domínio Filipino. Viríamos a ser novamente e seriamente ameaçados em 1808/1814 com as Invasões Francesas, imperava em França o todo poderoso Napoleão Bonaparte.
E outras houve mas ficarão para outra altura.

Nos finais do século XIV, em resultado de um mau momento nacional e sem outras melhores alternativas, atiramo-nos para o mar desconhecido e cheio de adamastores em caravelas inimagináveis e nelas chegamos aos quatro cantos do mundo. Trouxemos e oferecemos esses mundos ao ocidente e levamos o ocidente para lá.
A globalização tinha começado.
Foi o nosso período áureo.
Com o novo comércio que aí se praticou e com a Ciência Náutica (Escola de Sagres), ficamos ricos e importantes, quiçá os mais importantes no mundo. Fomos também e então os primeiros beneficiados.

O nosso pequeno território cresceu imenso passando a incorporar:
• em África: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné e São Tomé e Príncipe;
• na Ásia: na China, o pequeno enclave, Macau; na Índia, Goa, Damão e Diu;
• e bem lá longe no extremo do mundo, na Oceania, junto à Austrália/Indonésia: Timor;
• na América: Brasil.

Somadas todas estas diferentes geografias - 10,742.000 km2 - chegamos a uma área com 1.000.000 de km2 superior aos EUA, ao Canadá ou à China.
Se somarmos as suas populações chegamos a 300 milhões de pessoas (a quase totalidade a falar a língua portuguesa).

Mantivemos esses territórios sob nossa administração até 1975 [Brasil tinha-se tornado independente em 1822 (instigado por um dissidente, descendente e herdeiro monarca português), e Goa, Damão e Diu em 1961 (era então Pandita Nehru o 1º Ministro da Índia].

Nota pessoal:
O odiável e temível Nehru como então era tido pelos portugueses, em especial pelos diretamente envolvidos. Aproveitamos a fonética do nome para derramarmos as nossas angústias e o nosso fel que ele, Nehru, nos punha a produzir abundantemente comparando-o ao extravagante e tirano Nero romano.
Como impacto e testemunho pessoal refiro que, na altura com 10 anos e vivendo na aldeia - Atães/Fermil Basto, tinha um vizinho, o Manuel do Pomar, que cumpria o serviço militar aí nessa parte da Índia, Goa. A família ao saber da notícia da invasão e ocupação pela Índia, principalmente sua mãe, Srª Teresa, tresloucada, inconformada e temerosa com o destino do filho, de mãos na cabeça e vagueando desnorteada de lado para lado, emitia gritos pungentes e lancinantes em cuidados com a sorte do filho nessa Índia inimaginavelmente distante.
Foi o meu primeiro embate frontal com a situação periclitante dos territórios portugueses do além-mar. Aos meus olhos e perceção de criança, longe vinham ainda os tempos em que eu próprio viria a ser sujeito ativo neste processo, indo também eu para Angola durante dois anos ‘72/74. Tenho bem presente as preocupações e angústias vividas pelos meus pais, irmãos e familiares mais próximos nesses tempos sofridos de tantas incertezas pela vida deste seu ente-querido.
Felizmente a natureza anestesia a juventude contra os excessos de sentimentalismos permitindo que sobrevivam às maiores provações e adversidades e a sociedade 'compensa-os' transformando-os em heróis.
Fim de nota.

Como se pode imaginar a sua manutenção foi astuciosa, considerando que éramos um país pequeno, sem respeitabilidade e sem capacidade reivindicativa nos fóruns geopolíticos e geoestratégicos internacionais. A cobiça internacional, sempre à espreita, foi um desafio e uma afronta permanentes.
Soçobramos em definitivo em 1975 depois da dita cobiça ter feito o seu caminho e ter atingido a plena maturação (Macau seria entregue à China em 1999).
De notar que mesmo assim, fomos o último país colonizador a retirar-se de cena. Todos os outros, incluindo os maiores, já o tinham feito.
Acrescenta-se que Portugal, com exceção entre os anos 1930 e 1951 da era Salazar nunca oficializou o termo Império com o significado que geralmente lhe é atribuido. Utilizou o eufemismo Império Colonial.
Sublinha-se que mantemos com esses países, com todos eles, excelentes relações sempre comumente renovadas. Aliás, é para esses países justamente que a nossa atual emigração se dirige e sabe-se que com bom acolhimento e sucesso, principalmente para Angola, Moçambique e Brasil. O movimento migratório inverso tinha ocorrido nas últimas décadas: Portugal acolhera muitos imigrantes desses países; estimam-se em 500.000.
Estamos reunidos numa plataforma internacional - CPLP - com um estatuto próximo do da Commonwealth, porém com uma exclusão de peso: não contempla o livre comércio. É pena! E não obstante essa falha o comércio flui bastante bem entre todos.
Quem sabe se no futuro o estatuto não será melhorado, a bem de todos.

Nota:
A acrimónia relacional ainda hoje sentida entre portugueses e espanhóis, (...de Espanha nem bom vento nem bom casamento), tem a sua explicação mais profunda na história entre ambos. Na era dos descobrimentos Espanha tentou, mais uma vez, a reunificação peninsular com um objetivo imperialista estratégico bem definido: unificar sob uma única bandeira, a sua, todos os territórios conquistados, portugueses e espanhóis. A dimensão dessa junção - 25,000,000 km2 - conteria proporções tais que tornaria a Península Ibérica num imenso império (apenas ultrapassado pelo Britânico). O que Hitler tentou em 1939, alguém já o tinha tentado bem lá atrás: poder hegemónico mundial.
Fim de nota.

O nosso maior poeta, Camões, traduziu essa epopeia nacional nos Lusíadas e aí sintetizou o gene do povo português onde nos revemos e orgulhamos.
Houve momentos da nossa história menos grandiosos - como o atual - mas sempre conseguimos ultrapassar o ‘mar das tormentas’ e retomar a normalidade.

Com a mixagem que resultou dos diversos cruzamentos com outros povos, começou a correr-nos nas veias sangue multicolor e com temperaturas mais quentes.
Acolhemos e refinamos o que de melhor esses povos tinham e também com isso fomos construindo neste ‘cantinho à beira mar plantado’ a nossa identidade como povo e como nação.

Depois desta necessariamente breve resenha sobre a história deste país e deste povo, acredito que já comecem a gostar de nós, senão a admirar-nos. Estou certo que se renderão em definitivo quando começarem a calcorrear, como eles, os trilhos do seu dia-a-dia, e é para aí que agora vos convoco.

Comecemos então pelos locais histórico-culturais ou naturais que são patrimônio mundial da UNESCO em Portugal. Dos quinze até agora eleitos e espalhados por todo o território - da Ilha do Pico à Zona Vinhateira do Douro - convido-vos a conhecê-los a todos, até porque eu próprio tenho dificuldade em eleger este ou aquele. Porventura irão necessitar doutras oportunidades, mas mantenham-nos na agenda pois valem bem a pena.

Deem uma chance às nossas exóticas e bonitas serranias, não esquecendo a agreste serra da Estrela e aí aproveitem para esquiar; namorem nos recantos da de Sintra sob a sua luxuriante e voluptuosa vegetação e refrescantes sombras estivais; corram atrás do Lince na da Malcata e embrenhem-se na natureza profunda da do Buçaco, respirando o seu ar puro e revigorante; deem um salto à acolhedora serra do Gerês e ao seu Parque Natural...

Deixem que os sonhos aconteçam quando apreciarem os horizontes sem limites e serenos dos nossos planaltos de Trás-os-Montes; encantem-se com o jardim natural e inebriante do verde Minho; valorizem o ser humano no trabalho árduo nas vinhas escarpadas do Douro; esqueçam o bulício frenético das grandes metrópoles na pacatez imensa do nosso Alentejo (além Tejo); bronzeiem-se e passeiem-se nas lindas e inóspitas praias Algarvias de areias imaculadas, aquecidas por um sol radioso e coloridas pela sua luz abundante; percam-se na vertigem do além-mar nas límpidas águas azuis do mediterrâneo...

Não vos poderia ocultar, até porque a sua dimensão o impede, o Mosteiro dos Jerónimos, o nosso maior símbolo da era colonial, a par com a Torre de Belém. Também não vos posso esconder, por idêntica razão, o de Mafra que traduz a loucura e o desejo de imortalidade de um dos nossos Reis; conheçam aí a sua enorme e bem recheada biblioteca, uma das mais belas da Europa. Eternizem o amor ao vosso parceiro(a) seguindo o exemplo arrebatado de Pedro e Inês, no de Alcobaça...

Visitem o Parque das Nações, ali em Lisboa, o expoente mais emblemático da modernidade de Portugal; apreciem o design das nossas modernas pontes, da de Vasco da Gama na Capital à de São João no Porto; ouçam uma sinfonia de Mozart na bonita e bem acusticada sala Suggia na Casa da Música, mas não nos levem aquele diamante que o edifício sugere; levem antes a modernidade, o movimento e o dinamismo do edifício Vodafone…

O elevado número das nossas autoestradas e as boas vias rodoviárias em geral, a par do caminho-de-ferro com o Alfa-Pendular, levar-vos-ão rápida e confortavelmente a qualquer recanto nacional.

As nossas cidades, Lisboa e Porto principalmente, estão no top do turismo mundial mas não fiquem por aí. Vão até Coimbra, dos estudantes; Guimarães, aqui nasceu Portugal, Braga ‘Augusta’, aqui se reza, Figueira da Foz e sua linda praia, Nazaré e o seu ‘sítio', Aveiro e sua ria com os coloridos ‘moliceiros’; Bragança …

Somos um país fortemente recetor de turismo e para isso estamos bem apetrechados. Podem optar por alojamentos em hotéis clássicos (do Vidago Palace ao Bussaco Palace ou Lapa Palace) ou modernos ou pelas isoladas e acolhedoras Pousadas, ambos abundantemente espalhados por todo o país.

Se com o que atrás mencionei não vos convenci o bastante, estou seguro que o conseguirei com esta nova proposta: a nossa gastronomia. Tenho porém uma dificuldade que tem a ver com o que devo selecionar. É que a dieta alimentar portuguesa é tão rica, tão variada, tão abundante, suculenta e gostosa que me sinto obrigado a aumentar enormemente o menu e antevejo já as vossas papilas Pavlovianas a salivarem descontroladamente. Deixar-vos-ei uma meia-dúzia de sugestões e um desafio: descubram vocês mesmo as restantes, todas se conseguirem.

Peixe grelhados - fazemos os melhores do mundo. Confirmadamente. Experimentem todos mas não percam a oportunidade da sardinha na brasa, do bacalhau, da corvina ou robalo de mar. Peçam para beber um vinho verde branco fresquinho, não esqueçam.
Fritos - não serão muitos saudáveis, dizem, mas vezes não são vezes. Experimentem uns choquinhos fritos, uns carapausinhos, uns pastéis de bacalhau ou pataniscas acompanhados com um arrozinho malandro de feijão ou hortaliça. Ah, e reguem com vinho verde tinto ou branco fresquinho.
Assados no forno - degustem o cabritinho, vitela à Lafões e peixes em geral incluindo o bacalhau e o robalo. Reguem bem com uma reserva do Douro ou Alentejo.
Cozidos - não podem regressar sem verem e comerem o nosso enorme cozido à portuguesa (uma montanha de carnes e hortaliças), regado com Douro ou Alentejano. Curiosamente também suporta o verde tinto.
Doçaria - do pudim Abade de Priscos, ao simples pastel de Belém, encontrarão um leque de oferta variada de que não vão conseguir experimentar todas.
Peçam para acompanhar estas sobremesas um Vinho do Porto e terminem a refeição com um cafezinho.
Se preferirem a ‘Nouvelle Cuizine’ ou de Autor, temo-la em abundância. São vários os restaurantes Michellados.

Espero que o pedaço de paraíso que daqui levam vos obrigue a regressar, prometendo que continuaremos a cuidar dele para que melhore ainda mais.

Os sedimentos deste já longo viver coletivo deste singular povo português consolidaram princípios, moralidade, hábitos, usos e costumes e, como resultado, sentimo-nos irmanados numa tolerante e sã convivência que apaziguam o nosso dia-a-dia e que partilhamos com todos vós.

Vale a pena conhecer Portugal.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Bem-vindo AO PAÍS QUE NÃO CONHECE: PORTUGAL, Nicolau Santos, 2010

Eu conheço um país:
* Que em 30 anos passou de uma das piores taxas de mortalidade infantil (80 por mil) para a quarta mais baixa taxa a nível mundial (3 por mil);
* Que em oito anos construiu o segundo mais importante registo europeu de doadores de medula óssea, indispensável no combate às doenças leucémicas;
* Que é líder mundial no transplante de fígado e está em segundo lugar no transplante de rins;
* Que é líder mundial na aplicação de implantes imediatos e próteses dentárias fixas para desdentados totais;
Eu conheço um país:
*Que tem uma empresa que desenvolveu um software para eliminação do papel enquanto suporte do registo clínico nos hospitais (Alert), outra que é uma das maiores empresas ibéricas na informatização de farmácias (Glint) e outra que inventou o primeiro antiepilético de raiz portuguesa (Bial).
Eu conheço um país:
* Que é líder mundial no sector da energia renovável e o quarto maior produtor de energia eólica do mundo;
* Que também está a construir o maior plano de barragens (dez) a nível europeu (EDP).
Eu conheço um país:
* Que inventou e desenvolveu o primeiro sistema mundial de pagamentos pré-pagos para telemóveis (PT);
* Que é líder mundial em software de identificação (NDrive);
* Que tem uma empresa que corrige e detecta as falhas do sistema informático da NASA (Critical) e
* Que tem a melhor incubadora de empresas do mundo (Instituto Pedro Nunes da Universidade de Coimbra);
* Que calça cem milhões de pessoas em todo o mundo e que produz o segundo calçado mais caro a nível planetário, logo a seguir ao italiano e
* Que fabrica lençóis inovadores, com diferentes odores e propriedades anti-germes, onde dormem, por exemplo, 30 milhões de americanos;
* Que é o «state of art» nos moldes de plástico e líder mundial de tecnologia de transformadores de energia (Efacec) e
* Que revolucionou o conceito do papel higiénico(Renova).
Eu conheço um país:
* Que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial e que desenvolveu um sistema inovador de pagar nas portagens das auto-estradas(Via Verde);
* Que revolucionou o sector da distribuição;
* Que ganha prémios pela construção de centros comerciais noutros países (Sonae Sierra) e * Que lidera destacadíssimo o sector do «hard-discount» na Polónia (Jerónimo Martins).
Eu conheço um país:
* Que fabrica os fatos de banho que pulverizaram recordes nos Jogos Olímpicos de Pequim;
* Que vestiu dez das selecções hípicas que estiveram nesses Jogos;
* Que é o maior produtor mundial de caiaques para desporto;
* Que tem uma das melhores seleções de futebol do mundo, o melhor treinador do planeta (José Mourinho) e um dos melhores jogadores (Cristiano Ronaldo).
Eu conheço um país:
* Que tem um Prémio Nobel da Literatura (José Saramago), uma das mais notáveis intérpretes de Mozart (Maria João Pires) e vários pintores e escultores reconhecidos internacionalmente (Paula Rego, Júlio Pomar, Maria Helena Vieira da Silva, João Cutileiro);
* Que tem dois prémios Pritzker de arquitectura (Sisa Vieira e Souto Moura).

O leitor, possivelmente, não reconhece neste país aquele em que vive ou que se prepara para visitar.
Este país é Portugal.
Tem tudo o que está escrito acima, mais um sol maravilhoso, uma luz deslumbrante, praias fabulosas, ótima gastronomia.
Bem-vindo a este país que não conhece: PORTUGAL
(publicado na revista "Up" da TAP)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Assunto: Almoço fantástico ;-)

Olá Bié / Raquel

Nem sempre o que parece é, e isto porque, se algum mérito tive neste processo foi o de não estorvar e, de alguma forma, o de o apoiar.
A César o que é de César, and the Óscar goes to: i) Raquel e ii) Branca pela ideia, sua arquitetura e execução e pela recolha fotográfica; iii) para a Sara vai o da realização do filme; para a Branca vai também a realização dos filminhos animados. Limitei-me a fornecer-lhes o material no formato digital e em bom estado de uso.

Dito isto sempre te direi que, pelo meu lado, não fiquei emocionalmente imune à ideia e menos imune ia ficando à medida que via que as coisas estavam a andar e sentia que a Família se unia e entusiasmava em torno do projeto. Embora não seja biologicamente da Família Carvalho, o certo é que a assumi desde muito cedo (e sinto que por ela também fui assumido por inteiro). Tenho muito gosto e orgulho na Família Carvalho. Daí que coloque o meu entusiasmo próximo do dos próprios.

De resto continuo a pensar que é nos núcleos familiares - close mas preferencialmente mais alargados - que reside parte da explicação, da razão e do bem-estar das pessoas.
Por isso apoio estes eventos sem reservas e com muito entusiasmo.

Houve de fato uma preocupação central: a de incluir todos por igual independentemente da geografia onde possam pontualmente estar (no filme animado, no filme da família ou nas bonecos finais). Todos são da Família Carvalho.

Também sou da tua opinião: correu bem, muito bem mesmo: sem alaridos, sem excessos, próprio de quem se conhece e gosta.

Futuro? Acho que posso dizer que já há vontades no ar que o assegurarão. A seu tempo as notícias correrão à velocidade da informática ou hertziana.

Desejamos todos que num próximo encontro da Família Carvalho a sua árvore genealógica tenha enfim frutificado e ostente mais um bonito ramo; por isso festejamos alegremente na altura o anúncio do novo rebento.
A este propósito e porque tenho uma sobrinha que está quase nas mesmas condições (grávida de 5 meses), coloquei há dias um post ao casal no Facebook privado dos Magalhães & Companhia com este texto que, por ser uma situação muito idêntica a replico para Vocês, pedindo-vos que lhe façam as necessárias adaptações:

“Os impulsos da natureza são mais fortes que as circunstâncias, o que levou o Ricardo e Anita a presentearem a eles próprios, à Carlota (a Carlota é a mais sortuda!) e a todos nós, com o mais belo, o mais compensador e comprometedor dos tesouros: uma filha.
- Se há fatos da vida que um pai ou uma mãe sempre bem-diz (… e nunca mal-diz), é a existência (e principalmente a coexistência) dos seus filhos -
A sua vida já começou e, amparada pelos seus pais, irmã e por todos nós – com saúde e alegria que todos lhe desejamos – chegará à idade da sua bisavó, que com um sorriso lhe dá também as boas vindas. Parabéns aos Papás, à Carlota e aos Avós”

Vou enviar o teu e-mail - espero que releves - e esta resposta para as acima citadas protagonistas pois avalio o prazer que terão em conhecer tua opinião. Conhecemos já algumas e posso dizer-te que todas têm uma carga emotiva e positiva muito boas.

Mais um ponto e este deveras importante: está proibida a entrada ao Vítor Pereira neste Grupo; já se for o JJ, aí sim todas as portas lhe serão franqueadas e o tapete vermelho estendido. Até porque este ano vamos ser campeões.

Gr abç para ti e bjnhs à Raquel e um renovado Bem-vindo ao Pimpolho(a).

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Olá Toni

Obrigado pelos email's enviados e pelo trabalho espectacular dos filmes e das fotos.
Adorei o almoço e o convívio de Sábado, foi deveras fantástico por vos ver a todos.
Esta iniciativa foi muito bonita até pela recordação e pelas memórias, pois sei que o tempo, as vivências e o trabalho afasta as pessoas destes convívios familiares.
Espero que mais se repitam e que de uma próxima os meus pais e irmãos também estejam presentes.
Obrigado pelo brinde, apesar da surpresa que fomos alvo (Eu e a minha companheira Raquel) pois ainda é tudo muito recente ;-) (A minha avó é uma malandra! ;-))

Gostei muito de vos ver embora não tenha tido tempo para conversar, espero no próximo falar mais! (Das estratégias do Jorge Jesus e do Vitor Pereira) :-) :-)

Nota: Para a próxima no que puder ajudar ou até mesmo organizar, cá estarei!

Beijinhos para a Branquinha
Grande Abraço

Com os melhores cumprimentos
Gabriel Maceiras
(Bié) e (Raquel)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Marina, de Carlos Ruiz Zafón

O estilo de escrita é uma forma muito pessoal de expressão que se vai consolidando à medida que se experimenta; resulta tipo impressão digital. Quando se diz que alguém escreve com laivos Queirosiano, por exemplo, apenas se pretende com isso catalogar estilos, sendo que não haverá dois exatamente iguais. Cada pessoa encontra a sua própria forma, o seu estilo de vestir as suas ideias. Os escritores, como os estilistas de moda, expressam-se de forma pessoal. Aliás, mesmo que quisessem copiar alguém não o conseguiriam. O cunho pessoal sobrepor-se-ia a outro qualquer estilo.
O resultado final - neste ou naquele formato - não melhora nem diminui as histórias, apenas são contadas de forma diferente, agradando mais este ou aquele estilo de acordo com cada leitor. Nem se poderá dizer com segurança que o estilo mais simples consuma mais páginas. Sabemos que há palavras que resumem conceitos mais alargados mas não significa que se abundantemente usadas consigam reduzir mais os testos.

Resumo em quatro os estilos com que chegam ao leitor:

. os que escrevem como se caminhassem sobre areia fina:
Escrita de aparência simplista, de leitura fácil, corrida. Até parece que o texto já existia e que o escritor se limitou a copiá-lo para livro, tão simples aparece ao leitor a exposição da narrativa.
A ação obedece a uma sequência lógica, e o leitor passeia-se pelas páginas do livro sem esforço, como se caminhasse descalço sobre arreia fina.
As palavras usadas são simples e de primeira interpretação. Exemplo: Haruki Murakami em 1Q84;

. os que escrevem como se caminhassem sobre areia grossa:
Os testos são trabalhados e remendados até ser encontrada a forma final. Nota-se que muitas páginas foram rasgadas entretanto. O discurso é menos fluido e são usadas palavras com conceitos mais concentrados. As imagens de estilo parecem tiradas de um caderno de ‘não se esqueça’. Exemplo: Carlos Ruiz Zafón, em Marina;

. os que escrevem como se caminhassem sobre pedras:
São usadas palavras com conceitos mais concentrados ainda, obrigando a presença do dicionário ou leitores já ‘formados’. O escritor saltita, recua e entrecorta a ação obrigando a uma atenção redobrada para o acompanhar. Exemplo: José Saramago, em O Memorial do Convento;

. os que escrevem como se caminhassem numa montanha:
Ensaio. Leitura acessível a menos gente, quase só para académicos. O Escritor não fica preso ao formato de romance ou poesia, antes percorre todos os estilos e formatos, incluindo histórias que se cruzam no tempo. Exemplo: Humberto Eco, em O Pêndulo de Foucault;

Quanto a este livro de CRZ, Marina: não fiquei convencido. Por curiosidade fui ver um pouco da sua bibliografia. Tem poucos romances publicados o que pode justificar a necessidade de um maior treino nesta área do romance. Porém, e quanto a este livro, sempre direi que é quase agradável, veiculando uma história algo interessante e razoavelmente bem escrito. A sua leitura obriga a alguma atenção; bonitas figuras de estilo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

1Q84, from Haruki Marukami, Livro 3º

- Fim da trilogia 1Q84 -
Estamos perante um escritor de uma enorme e invulgar envergadura intelectual.
Não era em vão que este ano era apontado como o mais sério candidato ao Nobel.
Possui um tal conhecimento do seu país, do mundo, do ser humano, da vida, que se permite ficcioná-los ou surrealizá-los.
Opinar sobre ele é um exercício de alto risco e obriga a pôr de lado alguns pruridos. ‘Scope’, é necessário algum scope para o abordar.
Lê-lo é uma oportunidade estimulante, um passatempo envolvente e gratificante.
Caminhar com ele ao longo da história ficcionada é percorrer agradáveis caminhos desconhecidos.
Como quem caminha numa autoestrada e tem necessidade de fazer incursões laterais para reabastecimento, assim se movimenta HM para enriquecer mais e mais a história com episódios complementares. Sai muitas vezes (e ainda bem) da dita autoestrada principal para percorrer outras vias, enriquecendo assim e muito o núcleo da história. Só que por vezes demora a regressar ao eixo principal perdendo-se em pormenores dispensáveis. “Vou ali e já volto”, mas demora-se …
Sublinho o bom uso das originais, imaginativas todavia apropriadas imagens de estilo que tão bem rendilham a ideia central.
Contrariamente ao que em geral se observa na maioria dos escritores que aceleram a ação à mediada que se aproximam do final, HM não tem essa preocupação e até surpreende exatamente por ser diferente. Desacelera mesmo à medida que se aproxima do final. O interessante para ele parece não ser o fim mas o meio até lá chegar. Chegar à lua não é importante, importante é o todo trabalho que há para lá chegar.

domingo, 28 de outubro de 2012

MyHeritage / Rubem

Prezado Senhor

Foi com alguma estupefação, ceticismo e algum receio vírico que abri este seu e-mail. Quem será que bate à porta? Desde logo porque o único Ruben que constava na minha base de dados pertencia a um tal Ruben_10 (10 anos). Este '0088 ' (88anos) parecia-me impossível pertencer à mesma pessoa. Não fora a foto que em boa hora fez o favor de anexar (a da sua esposa) e que de imediato me linkou para sua pessoa, continuaria na minha espessa dúvida. Bem haja pois pela lembrança que teve e que resolveu meu aflitivo enigma.

Contudo uma outra preocupação nasceu em mim: porquê às 02:20 da manhã!? Daqui e agora fervorosamente lhe peço que doravante (?) não se ocupe mais com a minha pessoa a tais adiantadas horas. Porém e mais uma vez a chave foi o mesmo anexo: a estas horas só podia estar (ou esteve) com a sua eleita esposa. Fiquei bem mais descansado por concluir que as razões de tão adiantada hora eram outras. Ainda bem, é de Macho!, o que de resto muito honra, porque perpetua, a sua ascendência de alta linhagem e machesa.

Quanto à sua expressa vontade de ver incluída no MyHeritage também o ramo de sua bonita e dileta esposa, please be advised, de que de imediato acionarei os procedimentos aconselhados tendentes a ver facilitados os vossos acessos e, assim, poderem dar boa continuidade a mais esse ramo da sua nova e futura família que em si e em sua esposa começam e que virão enriquecer esta árvore genealógica com novos e valiosos frutos.

Devolvo renovados os votos de um resto, agora já pouco, bom fim de semana, feliz por me ter sido concedida mais uma hora, que contabilisticamente aproveitei para levar à conta do descanso.

Termino também com os mais escarafunchosos cumprimentos,

António de Magalhães
(escrito com as regras do novo acordo ortográfico, ou nem tanto)

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Caríssimo António Maria de Magalhaes:

venho por este meio comunicar a sua excelencia que este do qual lhe escrevo é o meu novo endereço electrónico, sendo que o hotmail já se encontra desactualizado, desde já lhe peço desculpa por possiveis incómodos causados, nomeadamente o extravio de mensagens. deste modo, tenho que lhe pedir que me reenvie o convite para o myheritage, para que possa actualizar tanto os meus dados como os da minha dileta esposa. de qualquer maneira, segue em anexo uma fotografia da acima mencionada para qualquer eventualidade.

sem mais a acrescentar, resta-me deixar os votos de um bom fim de semana.

cumprimentos escarafunchosos

ruben santos

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

"Em democracia Portugal nunca conseguirá controlar a despesa"

João César das Neves
22 Outubro 2012
Jornal de Negócios

[...] E qual é a razão? O poder político dos grupos à volta do Estado é maior que o poder político dos contribuintes. Quem recebe está mais perto do que quem paga e isso faz toda a diferença. Não é abuso e corrupção (que há mas não chega para isto). São muitas pessoas boas que vivem à custa do Estado [...]
[...] No caso actual, foi o Tribunal Constitucional que desgraçou o país, porque ao impedir o corte de salários e pensões, que representam 70% da despesa, obrigou a subir impostos, o que estrangula a economia, que é quem paga os salários e pensões [...]

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"Rio das Flores", de Miguel Sousa Tavares

Até parece que, através deste livro, MST quer associar-se a todos aqueles que ainda hoje sentem necessidade de exorcizar a era Salazar ou, também, associar-se à necessidade de uma certa catarse nacional dessa época.
A história descrita neste romance histórico decorre na primeira metade do século XX, com enfoque especial nos anos 1936/1945, incorporando episódios e fatos da guerra civil espanhola e da II guerra mundial e o comportamento de Portugal, chefiado por Salazar, perante elas.
Os fatos, os episódios aqui recordados são, em geral, já conhecidos mas, acrescento, nunca será demais avivá-los, trazê-los à luz do dia, repassá-los às novas gerações como testemunho do que foram esses terríveis anos, inculcando-lhes o custo e o gosto pela liberdade, pela democracia e pela paz.
A Europa (e o mundo ocidental em geral) tem hoje a posição cimeira de que se orgulham porque aprendeu com os erros do passado, com muito sangue, a implementar soluções coletivas duradoiras, e alicerçadas nos grandes e, então, novos valores morais, principalmente o que mais faltava: a paz. Foi somente a partir da segunda guerra, recorda-se, que se acabou com a banalização da morte. O valor da vida humana, e não só, foi a partir daí muito mais respeitado e conseguido. Nunca mais houve tantas arbitrariedades e mortes.
É comum aceitar-se o número de 45,000,000 de mortos na II guerra mundial e entre 330/450 mil em Espanha.
Há mais de 65 anos que há paz na Europa.
Os principais valores que há mais de 150 anos vingaram na Revolução Francesa (1789: Liberté, Egalité, Fraternité) e que rapidamente se espalharam pelo mundo civilizado, foram ideias força importantes que informaram positivamente a gestão das sociedades futuras. Faltava o maior deles: a paz. A Europa e o mundo, contudo, não estavam nessa altura ainda preparados para dar esse grande passo, o passo para a paz. Só depois da catástrofe da II guerra é que foi possível agregar países para essa causa.

Quanto ao romance ficou um pouco aquém das minhas expectativas. Lê-se com facilidade. Escrito com laivos Queirosianos, peca porém por falta de adrenalina, aquela substância que anima a alma e que aqui não é ativada no leitor, concretamente nos primeiros 2/3 do livro; no último terço redime-se um pouco.
A leitura decorre lenta mas gostosa a um nível chão, como bem terreno é todo o cenário da narrativa.
Viagem romantizada ao século XX, até ao final da II guerra, com enfoque bastante detalhado nos incontornáveis e odiáveis ditadores reinantes nessa altura. De Salazar a Hitler, passando por Mussolini, Engelbert Dollfuss, Franco, Getúlio Vargas – personagens por quem MST nutre um especial ódio de estimação e contra quem verte seu imenso fel.
No último terço do livro encontra-se uma ou outra página particularmente vibrante e acordatória, concretamente o curto discurso de Pedro para com o irmão Diogo após o regresso daquele da guerra civil espanhola para onde se voluntariou pela defesa das suas causas.
Curiosamente MST quase que não utiliza as tradicionais imagens de estilo; não que sejam necessárias mas sublinha-se pela novidade.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

UE critica reposição de subsídios: função pública ganha mais 20%

Agência Financeira
Por Paula Gonçalves Martins
2012-10-11
[…] A Comissão Europeia critica, no relatório da quinta avaliação da troika ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PEF), a decisão do Tribunal Constitucional, de chumbar o corte de subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos, alegando que, mesmo com esse corte, os trabalhadores do Estado continuam a ganhar cerca de 20% mais que os trabalhadores do privado. […]

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

...do livro ‘Rio das Flores’, de Miguel Sousa Tavares

… excerto do livro ‘Rio das Flores’, de Miguel Sousa Tavares, sobre a guerra civil espanhola, 1936/1939:

“Mas o preço cobrado por Estaline à República Espanhola foi ainda mais alto. A pretexto de que os nacionalistas poderiam tomar Madrid em qualquer momento, logo em Setembro, ainda os nacionalistas não estavam à vista de Madrid, Alexander Orlov (aliás, Nikolsky), o chefe do NKVD enviado por Moscovo, convenceu o ministro das Finanças, Negrín, e o primeiro-ministro, Largo Caballero, a enviarem a reserva de ouro do Estado espanhol (a quarta maior do mundo) para um “local seguro”. Esse local, que estes três homens sabiam onde ficava… era Moscovo. Aí chegado, após uma audaciosa operação montada por Orlov, os “camaradas” soviéticos fizeram logo saber qual o preço a pagar: dos 800.000 dólares que, a preços de 1936, valiam os lingotes de ouro, 80.000 eram logo debitados pelo transporte para Moscovo, 70.000 pela embalagem e armazenamento, e 170.000 ao ano pela sua guarda nos cofres do Kremlin. O restante era abatido ao preço da “ajuda” enviada. Contas feitas, depois de se ter despojado da maior riqueza do país e sua grande fonte de financiamento para o esforço de guerra, a República espanhola via-se, ao fim de dois anos, já na situação de devedora à URSS de milhões de dólares.”

domingo, 30 de setembro de 2012

Parabéns

Alteza,

Estes seus súbditos receberam com especial satisfação e agrado o convite para as comemorações do seu tão esperado 4° aniversário.

Por sabermos tratar-se de uma data especialmente importante e bonita, aceitamos orgulhosos tão distinto e Real convite, prometendo empenho, no que estiver ao n/ alcance, para não desmerecermos tanta honra.

Estamos certos que toda a Vossa Família Real estará presente, incluindo o Príncipe - também herdeiro - Simão Marques, o que muito dignificará o evento.

Toda a Corte, com os seus trajes de gala, abrilhantará toda a cerimónia, e presentear-vos-á com o que de melhor Vosso Reino possui, onde não faltarão gomas surpresa e ricas e lindas bonecas.

Cremos que todos os súbditos convidados prestigiarão o acontecimento e aumentarão os presentes mais do agrado de Vossa Alteza.

Aguardamos com confessada ansiedade a hora marcada - 16:00 do próximo Domingo - em que esperamos ver e oscular Vossa Alteza Real, e juntarmo-nos a todos aqueles que nesse dia viverão junto de Vossa Alteza, mais um dia feliz de suas vidas,

António Magalhães, Avô
Branca Magalhães, Avó