sexta-feira, 25 de maio de 2012

De novo o Titanic!

Desde há bastante tempo que, em particular com o aparecimento da informática e dos computadores cada vez mais e mais potentes e renovadas performances, que se pensava ser possível a gestão avisada, diria perfeita, na condução das políticas das nações, incluindo a económico-financeira. Tinha-se finalmente conseguido, com relativa facilidade, aquilo que os nossos ancestrais sempre ambicionaram: ter a gestão das nações, das sociedades, ao alcance da mão. Bastaria aos decisores clicar no botão certo que logo obteriam o resultado procurado e, por via disso, ficariam habilitados a tomar as decisões mais corretas, resolvendo assim os problemas das respetivas comunidades. Não só os governantes como também as empresas, principalmente as maiores e, porque não, os cidadãos também, tinham chegado a um nível de conhecimento pioneiro e invejável do funcionamento do mundo real, nunca antes conseguido.

A noção do bem-estar geral - veja-se a saúde e educação ou turismo, por exemplo - alicerçado no dinheiro fácil (sabemos agora que falso...) e até de alguma abundância, dava a ideia de ser ter atingido o mundo quase perfeito. A Europa - Portugal incluído - os USA e o mundo ocidental como um todo, viviam um mundo à parte: eramos ricos; os melhores. Qual Titanic, (a comparação perde por defeito), navegávamos livres e felizes ao som de grandes orquestras, bem lá acima no convés ou em emoldurados e faustosos salões, não desconfiando nem por um momento, que bem perto se escondia um iceberg (e que iceberg!?).

O continente africano, o mundo asiático, os países do terceiro mundo em geral, eram minimizados, senão desprezados e abandonados à sua sorte. Estive em África/Angola nos anos 2000/2001. A miséria grassava aí em todas as esquinas. Olhava-se com alguma sobranceria e arrogância para a sorte (má sorte) daquelas gentes!

Todo o mundo, em especial o ocidental acordou sobressaltado e incrédulo quando o iceberg bateu neste grande navio e fez um rombo - ainda aberto - de tal maneira grande que, para já, parece não haver ninguém que o repare. Como o Costa Concordia, não se sabe ainda se se vai conseguir reparar ou se se terá de optar por um outro totalmente novo. Estamos parados no meio do mar, ainda a olhar para o rombo do navio, todos paralisados a aguardar ninguém sabe bem o quê!

Enquanto isso as pessoas e as sociedades vão empobrecendo, definhando, vivendo não mais à custa de créditos futuros - que ninguém mais dá - mas à custa dos furos nos cintos...
O sonhado eldorado ocidental acabou e vive-se a pesada realidade, dias perturbados e de futuro incerto.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vidago/Pedras Salgadas - 2012

Há já bastante tempo que não viajavamos para a região de Pedras Salgadas, Vidago e Chaves. Programada que foi a logística, incluindo a estada no Primavera Perfumo Hotel, em Vidago (uma bela surpresa de um 3***), lá fomos, aproveitando a facilidade das autoestradas; de autoestrada em autoestrada chegamos lá num instante. Era ainda cedo para irmos diretos para o hotel e, fazendo contas ao aproveitamento máximo do tempo disponível, continuamos para Chaves. Lá chegados, hora de almoço, há que procurar um restaurante. Minha mulher levava já em mira o 'Restaurante Carvalho', mesmo no centro, numa praça à beira rio, perto do velho Hotel Aquae Flaviae. Entramos um pouco receosos da qualidade do que ali poderíamos encontrar. Correu bem. Bem mesmo. Não direi surpreendente porque, como disse, minha esposa tinha ‘estudado’ o assunto. Aconselhável. No fim fizemos a digestão pela cidade velha, pelas pontes, pelas igrejas, à beira rio… Gostei em geral do que vimos, mormente o lado limpo e atualizado da cidade. Esta cidade acompanhou o que se observa, regra geral, no todo nacional, talvez também em resultado da aplicação do programa Pólis (não investiguei). As águas do Rio Tâmega represadas oferecem à cidade um interessante espelho d’água e são indiscutivelmente uma mais-valia que embeleza a zona ribeirinha e adjacências.
Viemos para o Hotel para aproveitar as infraestruturas existentes, até porque chovia e fazia frio. Depois de um jacuzzi e banhos na piscina interior, à hora certa jantamos mesmo lá, no restaurante do hotel uns belos, bons e inesquecíveis bifes; boa carne de Trás-os-Montes.

Até aqui encontrei, direi, duas faces de Portugal:
i) Um Portugal moderno com bonitas e boas autoestradas, uma cidade limpa, arejada, atualizada, refrescada, agradavelmente habitável, ecologicamente cuidada, tudo feito e refeito com os últimos fundos europeus recebidos; não fora a perturbante visibilidade permanente dos últimos incêndios que também varreram aquela zona, e teríamos um Portugal muito green, como diziam uns ingleses há tempos no Algarve. Que pena manterem-se as causas que os motivam e assistirmos impotentes, ano após ano, à sua destruição. Falamos de um património nacional altamente rentável não só no setor madeireiro como no turístico, para além do ecológico obviamente.
ii) Um Portugal que apanhou em cheio, com toda a violência, os momentos difíceis da crise económica que atravessamos: austeridade, recessão e subsequente emigração. Em Chaves não vi pessoas nas ruas nem o comércio a funcionar. Apenas o mais elementar: pequeninas mercearias. Talvez se explique pelo fato de ser sábado e estar frio (7º); oxalá seja isso. Mas é estranho e desolador olhar para as casas, aparentemente vazias, ruas desertas, apenas aqui e além um estrangeiro, espanhol, agitava e disfarçava algum vazio.

Inevitavelmente, e isso fazia já parte dos planos, fomos visitar o Vidago Palace Hotel.
O que vi foi simplesmente deslumbrante, também por me recordar do seu estado decadente de há alguns anos atrás. Tanta beleza e bom gosto, por dentro e por fora, incluindo os jardins.
Raramente se vê uma oportunidade tão apropriada para se poder aplicar o termo PALACE sem qualquer reserva. O Hotel é, por dentro e por fora, de facto, um Palácio.
Fiquei verdadeiramente empolgado com o que vi.
O edifício, com os seus 100 hectares de parque e floresta, construído no final da Monarquia ao estilo Belle Epoque, acolheu faustosamente a aristocracia portuguesa e europeia; foi mesmo considerado na altura o hotel mais luxuoso da Península Ibérica. A sua atual administração é convocada para o enorme desafio de recrutar clientes, muitos clientes (onde anda a aristocracia/burguesia de outros tempos?), para conseguir o retorno do capital investido na sua recuperação e consequentemente na manutenção das suas portas abertas. Não será fácil!

Continuando a viagem já de regresso para o Porto, fomos também revisitar Pedras Salgadas, especialmente o seu parque e termas.
Portão aberto, nem vivalma à vista, lá fui entrando. Pára aqui, ali, mais acolá. Olha à esquerda, à direita, zona termal, hotéis, casino: tudo abandonado e num estado de degradação acelerado.
Construído sensivelmente na mesma época do Vidago Palace, com o mesmo propósito, não mereceu ainda contudo a atenção de um investidor que ouse tentar recuperar tudo.
A sumptuosidade e alguma opulência que se imagina ter por ali existido, remete-nos para sonhos não mais atingíveis, ou talvez sim, quem sabe o que o futuro reserva. Quão agradável terá sido a vivência e usufruto daqueles imagináveis ambientes.

Porquê o abandono de tão requintados e aprazíveis espaços? Claramente por falta de clientes que economicamente os sustentem. Para onde se deslocaram, porque alternativas optaram e porquê?
Tentar responder a esta interessante questão é tarefa ambiciosa e exige muitos conhecimentos históricos sociais portugueses e não só. Lembro alguns que poderão ter influenciado:
i) final da monarquia portuguesa; intermitências da implantação da república; 1ª guerra mundial; revolução soviética; crise mundial dos anos 20/30; austeridade salazarista; 2ª guerra mundial; Portugal fora do plano Marshall; concentração financeira na guerra ultramarina e, machada final, os retornados. Os milhares de cidadãos nacionais oriundos das ex-colónias (fala-se em mais de 500 mil), forçados a regressar tempestivamente e em grandes massas ao território continental em resultado do tipo de descolonização motivada pelo 25ABRIL’74), foram acolhidos sem qualquer pré plano e foram, muitos deles, alojados em casas de familiares, pensões, hotéis … O Vidago Palace foi também ele recrutado para albergar muita dessa gente. Evidentemente que a alta burguesia – que não aprecia misturas -, ‘fugiu’ de lá e deles e nunca mais voltou e ao Vidago Palace, sem esses ‘bons’ clientes e sem dinheiro, começou a faltar manutenção. Inevitavelmente degradou-se, cada vez mais, até à recente recuperação.
ii) quiçá mais importante e explicativa, terá sido o advento das praias. A burguesia, sempre à frente, por volta dos anos 20, descobriu as praias e redirecionou-se para lá, assim como mais tarde com a mobilidade e intercontinentalidade fácil trazida pela aviação que ofereceu de bandeja novos mundos, voltaram a inovar, a descobrir e a isolar-se nos seus sempre novos mundos.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

José Saramago, Memorial do Convento e outros!

Os premiados Nobel são, praticamente todos, deusificados, entronizados e envoltos numa diáfana auréola de intocabilidade e incriticabilidade. Alguém arriscar comentá-los e menos ainda criticá-los, é uma ousadia pouco comum. É raro verem-se os naturais e habituais comentários, mesmo que bendizentes, na contra capa dos seus livros ou na imprensa em geral, regra também aplicável a JS.

Nota:
Relembro as polémicas posições públicas ou veladas que Cavaco Silva e Sousa Lara (representantes do coro de direita) tomaram ou omitiram sobre JS. Ainda hoje penso que tais posições ou omissões se devem tão só à tentativa do isolamento ou enfraquecimento políticos de JS (JS sempre foi assumidamente comunista) e não à avaliação literária dos seus livros, se é que alguma vez os leram. Desse lado nunca houve um reconhecimento público do escritor, apesar de Nobel.

Dito isto acrescento que, lendo-o, fica-se com a convição que o Nobel lhe foi bem entregue; muito merecidamente: é de fato um escritor original e assombroso.

Lê-lo, porém, nem sempre é fácil.
A originalidade usada na pontuação (não seguindo o método clássico), obriga o leitor a uma redobrada concentração para poder absorver e usufruir de todo o manancial de ideias e imagens que perpassam pelos seus diversificados temas. É como ouvir música clássica versus ligeira; a música clássica não admite distrações: temos de estar concentrados para a ouvir (contrariamente à ligeira que passa bem, servindo de fundo por exemplo a ambiente de trabalho).

Dizia noutro tempo Elton John que quando escrevia música preenchia todos os espaços disponíveis na pauta; gostava, acrescentava, de enriquecer os temas sempre mais e mais, acrescentando-lhes novos sons complementares. Esta ideia aplica-se bem a JS: tudo o que vem a propósito do assunto, é passado à escrita. As ‘pautas’ de JS ficam completamente cheias. As ambiências são inesperadas e agradavelmente exaustivas.

PS
No método clássico de pontuação, o leitor respira no mesmo ritmo do escritor, como que surfando a mesma onda. Aqui, com JS, cada qual – escritor e leitor - imprime seu próprio ritmo, havendo muitas vezes a necessidade do leitor emergir para retomar ou renovar a respiração. 





quinta-feira, 26 de abril de 2012

25 ABRIL'2012. Os Capitães de Abril...

Desejo francamente estar errado e só o futuro o dirá, mas acho que as posições tornadas públicas pelos Capitães de Abril, a que se juntaram Mário Soares e Manuel Alegre (não se associando à comemoração da data), vão revelar-se, a médio prazo, altamente agitadoras e perturbadoras da 'paz' (contida) que até agora se tem vivido em Portugal, paz necessária para tentar resolver as nossas dificuldades internas próximas futuras, e para cuja solução muito vamos precisar, incontornavelmente, da ajuda externa. Receio bem que possa vir a ser o acender do rastilho, que todos sabemos existir mas que, inteligentemente, todos (com algumas exceções...) trabalham para que não seja ativado. Porventura algumas mentes mais agitadoras ou extremistas (não digo que não tenham razão), oportunistas e sedentas de protagonismos, irão cavalgar a onda agora rastilhada para avançar finalmente e dar a cara (inicialmente encoberta - há que estar atento aos primeiros sinais -), e acho que isso não serve a estratégia (certa) que Portugal persegue ao nível nacional e internacional. Esta paz (podre, pode dizer-se) coletivamente assumida, por muito que doa - e todos sabemos que está a doer e até a fazer sangue em muitos lados -, é indispensável para reganhar confiança e credibilidade internacional e assim, mais facilmente, podermos tentar sairmos do atoleiro em que estamos metidos.
E em que pantanal estamos!
§ Creio que Mário Soares errou ao tomar esta posição e desbaratou muitos créditos que lhe são devidos. Oxalá nada disso aconteça e o 'povo' continue calmo e sereno, a bem de um melhor futuro comum.

O que é dito no parágrafo anterior pode ter outra leitura e consequência, perfeitamente diversa, antogónica até e, quiça, benfazeja.
Sabemos que em democracia é fundamental a existência de partidos, organizações e instituições - legal e publicamente conhecidas - que agrupem os cidadãos, dando-lhes voz, e estes neles se sintam representados. Os cidadãos, em geral, gostam de se se sentir acolhidos e incorporados em grupos de todo o tipo - religiosos, políticos, sindicais, académicos, profissionais, desportivos, de bairro. Isso justifica-os, ajuda-os a explicarem-se e acalma-os, bebendo as ideias geradas no interior desses grupos e defendente dentro deles as suas.
Ora no espetro político atual e dado que o PS está do lado da TroiKa, não está a conseguir ser o catalisador e o agregador dos enormes descontentamentos que todos sabemos existir. Mais à esquerda, porque desde há muito se acantonaram demasiado, deixam de fora também imensa gente que neles não se revê.
Esta tomada de posição pública pelos Capitães de Abril, por Mário Soares e por Manuel Alegre, se vier a servir para acolher e almofadar quem por aí politicamente não se sinta representado pelos motivos atrás ditos, até pode ser benéfico para a manutenção da estabilidade. O mais grave é haver 'ovelhas tresmalhadas' que desgarrada, arbitrária, descontrolada e solitariamente resolvam agir por conta própria, fora portanto do controlo de qualquer grupo legal.
Veja-se a violência das manifestações sociais que perpassa, por vezes, pela Grécia e suas consequências internas e externas, e o contributo que a existência destes grupos desfiliados tem dado para a potenciar?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Hotel D. Luís / Coimbra

_________________________________________________________
From: Hotel D Luis (Director) [mailto:director@hoteldluis.pt]
Sent: Tuesday, April 24, 2012 3:19 PM

Exmo. Senhor António Magalhães

Agradeço a preferência que tiveram pelo Best Western Hotel D. Luís e os comentários agradáveis relativamente à nossa equipa. Somos um ECO Hotel com preocupações ambientais e temos a certificação de qualidade ISO 9001/2008, cujo primeiro objetivo é superar as expectativas dos nossos clientes.
Infelizmente não conseguimos superá-las na totalidade. Estou certo no entanto que não seriam 2 ou 3 euros que alterariam a boa disposição e os objetivos desse fim de semana.
Em nossa defesa permita-me apenas dois ou três pequenos comentários:
1. O hotel tem apenas 10 quartos de casal alguns dos quais com cama king sise. Foram atribuídos 3 quartos com cama king sise com vista para traz e dois quartos com 2 camas, com vista para a frente. Era possível ficarem todos para a frente em quartos com duas camas. Tentámos oferecer o que pensámos ser melhor para o cliente – podendo se o cliente quisesse trocar os quartos para trás por quartos para a frente. Não atribuímos esses dois quartos – 127 e 227 - porque por serem mais pequenos do que os outros considerámos ficarem melhor alojados em dois quartos com duas camas com vista para a cidade. Porque nos disseram que preferiam um quarto de casal do que a vista a rececionista terá informado que tínhamos um quarto mais pequeno e com poliban. A rececionista entendeu que como eram 15.30 horas se não gostassem, os mudaria para quartos mais espaçosos para a frente. Foi essa a mensagem que deixou ao colega que a substituiu. Talvez tivessem ficado melhor nos quartos que inicialmente tínhamos atribuído… Tentamos ir ao encontro do que pretendiam.
2. Hoje a maioria dos hotéis já não tem quartos de casal. Também na minha opinião, infelizmente.
3. A alcatifa é uma chaga sobretudo para quem sofre de alergias. Infelizmente as grandes cadeias ainda a usam, e não têm imposto a vontade de alterar a lei para outra solução. Como hotel ecológico é nossa intenção trocar a alcatifa por outra solução.
Creiam V. Exas. que com a ajuda dos nossos clientes tudo faremos para melhorar a qualidade do turismo em Portugal e em particular em Coimbra.
Farei questão na próxima vez que nos visitarem de os cumprimentar e garantir a superação das expectativas.
Enquanto espero, envio a V. Exas. os melhores cumprimentos

Pedro Machado
Diretor geral
_________________________________________________________

Enviada: ter 24-04-2012 15:54
Exmo Sr Pedro Machado
- Gerente

Decorridos 20 dias sobre a 1ª resposta por si dada à questão por mim posta no início deste mês no e-mail abaixo e 10 sobre o seu regresso ao Hotel, e achando eu que é tempo suficiente para ter ponderado e ter tomado uma posição sobre o que então ali expus – que de resto inteiramente mantenho -, venho assim lembrar que continuo a aguardar o justo ressarcimento pedido.

Cmp
António Magalhães
_________________________________________________________

Enviada: ter 02-04-2012 15:54

Att.: Gerente Hotel Pedro Machado

1.
Somos um de grupo de 10 pessoas (Irmãos, já todos maduros), que regularmente fazem questão de ‘turistar’, interna e externamente num são convívio de que já lá vão anos.
Este ano, a opção foi Coimbra para recordar outros tempos, onde não faltou a vista a Universidade, a obrigatória descida do ‘quebra costas’ e a noitada do fado de Coimbra.
2.
A escolha do v/ hotel teve mais a ver com a vista panorâmico sobre a cidade que o local proporcionava, e menos com as estrelas da Unidade Hoteleira, em si mesma. Esperávamos contudo que as 3 estrelas estivessem dentro dos parâmetros regulamentares exigíveis; e no geral estava: do pessoal, cortês e atencioso, nada a dizer; do aspeto geral do hotel, a coisa ainda passa, mas, quando nos deparamos com a presença das ainda indesejadas e sempre anti-higiénicas alcatifas perfeitamente ‘desmodés’, sujas e gastas, aí sim, já há significativos reparos.
3.
De facto a única pretensão que o meu Irmão que atempadamente tratou do assunto reivindicou, foi 5 quartos com cama de casal, que de fato foram concedidos.
Mas, daqui para a frente é que apareceram as desagradáveis surpresas:
a) Quando selecionamos o v/ Hotel foi na perspetiva do usufruto de quartos panorâmicos com vistas sobre a cidade, por ser isso exatamente que queríamos e foram-nos atribuídos justamente os contrários: todos com vistas para as traseiras; não que não gostemos da natureza mas esperávamos ver os ‘pinheirinhos’ natalícios lá mais para Dezembro.
Desagradável.
b) Dois dos quartos atribuídos - e referimos-nos tão só aos nºs 127 e 227 -, por contraponto com os outros três, são completamente diferentes, exíguos em tamanho, e consequentemente com a distribuição do mobiliário/acessórios perfeitamente atrofiados, obrigando a ‘slalom’ constantes entre os dois ocupantes.
E disso não fomos avisados na receção.
Fomos alertados sim para a diferença dos componentes do WC (com poliban), a que não nos opusemos, até por preferências pessoais.
Consequentemente os dois casais a quem couberam os quartos em questão (127/227) passaram a noite praticamente sem dormir.
c) Argumentarão vocês (e foi o que disseram o pessoal da receção com quem dialogamos), que os ditos quartos têm as medidas estandardizadas.
Mas argumento eu que o valor comercial não é de todo comparável.
d) Em sequência, e deixando de fora o desagradável ‘ Claim Book’, solicita-se o competente ressarcimento da diferença comercial dos dois quartos, deixando também de fora a segregação do tratamento oferecido: ou seja, pagou-se montante igual por coisas diferentes.

Aguardando v/ notícias
António Magalhães
_________________________________________________________

Adorar o Estado, idolatrar Cristina ou a potência sexual do porco!

Argentina
"Quando a poderosa indústria da carne de vaca não cedeu, Cristina Kirchner reuniu-se com o lóbi rival e declarou aos jornalistas: a carne de porco aumenta a potência sexual; é melhor que Viagra; e, palavras suas, houve mesmo uma noite "impressionante" com o marido, Néstor, após um jantar porcino. O que aconteceu? A venda de porco disparou. O lóbi da vaca cedeu. E a Presidente ganhou. Ganha sempre. Mesmo quando perde."
Pedro Santos Guerreiro Jornal Negócios 18ABR2012

domingo, 15 de abril de 2012

A lição dos trabalhadores à economia

'A gente da troika anda parva com Portugal. Não percebe as nossas idiossincrasias. As negativas. Mas também as positivas. Incluindo esta: a flexibilidade que os trabalhadores das pequenas e médias empresas estão a revelar. E a capacidade destas para exportar. Salve! Assim se mereçam uns aos outros'
.
.
.
"A outra idiossincrasia que está a funcionar bem é aquilo a que o governador do Banco de Portugal chamou na sexta-feira no Parlamento de flexibilidade tácita do mercado de trabalho. Muitas empresas exportadoras estão a ser mais competitivas por causa daquilo de que os trabalhadores abdicam. Ao contrário do que acontece nas grandes empresas e no Estado, há muitas PME que cuja competitividade está a ser financiada pelos trabalhadores, que interiorizam as dificuldades de sobrevivências das próprias empresas – e nivelam as suas condições à conjuntura. O caso mais radical são os salários em atraso: os trabalhadores preferem tentar preservar o seu posto de trabalho a recorrer a um tribunal e fazer valer os seus direitos. Este é o caso máximo de partilha de risco. E muitas empresas estão a safar-se à custa disso. Um exemplo claro: os trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo acabam de fechar um acordo em que trocam as férias de Agosto para poderem terminar a construção de asfalteiros para a Venezuela"
PSG, Jornal negócios, 15ABR'2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pirâmide Queóps

Quando este enorme e imenso mar diariamente nos saúda com o seu sopro benfazejo, fresco, enérgico, renovado e revigorado, mais um pedra granítica é acrescentada à pirâmide Quéopsquiana da nossa existência ( …que pena não ser eterna!).

terça-feira, 20 de março de 2012

'O Último Segredo'

A mesmo fórmula de sempre e que tantos outros, muitos ilustres, exploraram ao longo de séculos: a religião ou se se quiser o sentimento místico das pessoas. Baralhar e voltar a dar. Explorando ou reinventando pequenos nichos passíveis de controvérsia, fazem deles a sua pepita dourada. Para relembrar apenas os mais recentes: Don Brown em ‘Código da Vince’ e José Saramago em ‘Evangelho Segundo Jesus Cristo’. Este último, até é estranho ou se quisermos mais descarado, porque sendo ele um confesso ateu, não resistiu contudo ao filão comercial do tema. Agora, JRS, também não.
Nem sequer ponho em causa o que é dito, i.e, não questiono a origem dos documentos em que se alicerçam as atuais normas da religião católica. Dou-as como boas. Admito que a evolução documental escrita, possa ter acontecido exatamente como é dito. Acrescento porém que a fragilidade ou a inconsistência da sua origem não é muito relevante para os crentes. Os crentes, ou melhor dizendo, os que sentem a necessidade existencial da crença, são compelidos, compulsivamente, a acreditar e sentem-se confortáveis com a triagem secular que a história tem feito. Obviamente que a instituição, através dos seus mais fiéis seguidores, encarregou-se de colar na Bíblia as normas que julgou mais apropriadas à causa, expurgando-lhe as indesejadas. Ainda hoje assim é: continua-se a exigir alterações da hierarquia, esta ou aquela conforme as razões do grupo que as promove.
Quanto ao romance propriamente dito e para quem conhece já JRS, é mais do mesmo, sem surpresas, variando apenas no tema escolhido, seguindo à risca o seu estilo, jornalístico, mas interessante.
Este romance, quanto a mim, fica um pouco aquém do esperado. Depois, principalmente do Anjo Branco, esperava francamente mais.

PS.: Como com quase todos os escritores estrategicamente acontece, este romance é rico e surpreendente mormente na parte final. Até mais de meio o puzzle dos personagens anda disperso, quase impegável, só a partir daí o formato da história começa, tenuemente, a clarear. Lembra uma onda gigante que bem lá trás, pequenina, se começa a formar, vem engrandecendo e engrossando pelo caminho, acabando por eclodir violenta e ruidosamente no final. Assim foi n'O Último Segredo' e ainda bem.

segunda-feira, 19 de março de 2012

PARABÉNS CI - 19MAR'2012

Isto é verdadeiramente inimaginável e até impossível de acreditar. Telefona-se para casa dos Senhores esperando-se ouvir duas vozes arrastadas, roucas e gastas pelos vetustos e usura dos anos, com as grossas pantufas a aconchegar os jarretes até aos joelhos, as longas e reforçadas mantinhas da serra da estrela enroscadas pelo corpo todo, mais parecendo ursos em plena hibernação, as escalfetas ligadas no máximo protegendo pés esqueléticos, escutando atenta e religiosamente a novela das 10:00, 'A ternura dos 65' sob o olhar atento do sempre presente cuco (o do relógio), aguardando penosa e enfadosamente a chegada da meia-noite para tomar o último chazinho quente do dia (sem açúcar porque os diabetes assim o obrigam) e eis que, surpresas das surpresas, atende o filhinho querido (mais conhecido pelo meu Joãozinho) dizendo, pasme-se, que os supra ditos Senhores tinham ido arrulhar para o escurinho do cinema, lembrando imberbes e teen pombinhos, acrescentando contudo que não tinha a certeza se a opção pela ida para o 'escurinho do cinema' se devia a reminiscências dum longínquo, inatingível e irreversível passado se ao mais elevado grau de demência de um Alzaimer galopante, em último grau mesmo. Não foi o supra dito filho capaz, por pudor ou simples amor de proteção filial, de confirmar qual das duas versões seria a mais corretamente aplicável ao caso em apreço. Fiquei eu, por minha vez, também na dúvida e curioso em saber se algum dia alguém no seu estado de perfeita sanidade mental, teria capacidade credível para me elucidar e resolver tão angustiante incerteza. Espero, apesar da inusitada ocorrência, de que tudo isto não passe de um 'miss understanding' e de que rapidamente seja reposta a verdade dos factos, a bem da nação.

domingo, 18 de março de 2012

Des compagnons de route: 30MAR'2012

Sei que não aprecia especialmente estar debaixo dos holofotes, mas hoje é exceção, uma boa exceção, aliás, e vai ver que não custa nada. Logo à noite até se vai sentir bem melhor.
Há tempos atrás em amena cavaqueira numa das aulas de inglês da tão falada e glosada Sandra, a maior parte dos presentes, exatamente sobre o tema de reforma em Portugal e do significado da palavra, por contraponto com a de outros países, aplaudiram os estrangeirismos Retired e Jubilado (não vou falar no francês - Retraite - por não vir aqui muito a propósito), e, como bons portugueses, que do que é seu facilmente enjeitam, apoucaram o bem nosso e justificado Reformado.
Tirei a esse propósito, alguns sinónimos do dicionário da APP da Porto Editora: reconstruído, reorganizado, reestruturado...
Claramente o termo português traduz definitivamente melhor a verdade do acontecimento.
Ferreira você não se vai retirar para lado nenhum, nem sequer vai jubilado, embora o mereça. Deixamos isso para os políticos que tantas incompreensíveis e injustificadas honrarias têm esbanjado e todos sabemos por quem, com quem, e com que critérios. Vai sim reformar/reorganizar a sua vida, no melhor sentido do termo. Vai escolher outra em substituição da que teve.
Até agora viveu esta durante mais de 45 anos; com ela construiu a sua bonita família e garantiu o futuro (assim também suas filhas lhe queiram dar continuidade, claro). Agora isso acabou. Vai ter de virar essa página e vai ter de reinventar outra que lhe garanta boa saúde física e mental até pelo menos aos 100 anos. Não o queremos ver de pantufas nem escondido do frio debaixo de uma mantinha.
Gostaria de ser recordado pelos seus netos com uma fotografia dessas: pantufas e mantinha? Acreditamos que não. Tem de conseguir continuar a ser um cidadão ativo. Lembre-se de Manuel de Oliveira ou Mário Soares, e os exemplos aqui são perfeitamente aleatórios, claro, que, apesar das suas vetustas idades, continuam a ter projetos e a intervir, muitas vezes mal, convenha-se, mas não desistiram.
A minha mãe, de que tenho o raro privilégio de a ter ainda comigo, tem, como sabe, 32 anos mais que o meu amigo. Se por benesse dos deuses do Olimpo ou de outros quaisquer - que para o caso pouco importa - vier a ter direito a igual exceção e privilégio, significa que ainda teria mais 32 anos pela frente. É, apesar de tudo, muito tempo; o tempo de quase uma outra vida. Pergunto, que vai fazer com todo esse tempo? Deixo-lhe este grande desafio. Reinvente-se.
Perguntava eu aqui há alguns dias atrás a um amigo meu, também a poucos dias da Reforma: como é, não vais sentir falta da atividade que tiveste durante todo este tempo? Eu, afirmou ele calmamente, conformado e bem resolvido, eu não! Esperei todos estes anos por este dia que finalmente chegou; dei, durante todo este tempo, o que melhor pude, do que melhor fui capaz à empresa e à sociedade. Não lhes devo nada. Portanto, agora, chega. Paro, tranquilo, com a exata noção do dever comprimido. Que venham agora outros e que levem a chama olímpica!
A sua empenhada, competente e quase sempre exaustiva dedicação profissional, granjeou-lhe o respeito de todos nós; o seu caráter, o seu savoir vivre e a sua bonomia, a nossa admiração. Foi uma referência. Estamos certos que igual respeito e estima ganhará nos novos amigos que rapidamente recrutará para as suas fileiras, apenas com a sua natural simpatia.

Falei amigos, Sr. Ferreira, e não amigas. Vamos com calma. Porém, se alguma semente que lá trás deixou esquecida quiser tardiamente florescer - lembre-se que nunca é tarde -, e se daí vier a necessitar de um médico amigo para lhe recomendar uns químicos que, - diz-se - agora por aí circulam e abundam - refiro-me àqueles da cor do
seu clube -, venha até cá, que sempre se há de arranjar qualquer coisa que o reanime e ponha bem-disposto.
Numa tentativa de lhe dar algumas muletas - no sentido figurado, claro - que o ajudem nestes primeiros tempos, tomei a liberdade de lhe fazer um Blogue (de que de resto há tempos tínhamos falado), a que chamei propositadamente 'Fio de Prumo', onde poderá exercitar finalmente os seus dotes escondidos de escritor, de intervenção social ou para qualquer outro fim que venha a descobrir e que lhe desperte interesse.
Criei-lhe também uma página no Facebook - desculpe o atrevimento - onde o poderemos acompanhar mais à distância e vice-versa e ainda um e-mail - no Gmail -, cujos endereços estão abaixo.
A password dou-lha depois e depois também a alterará.

http://fio-de-prumo2012.blogspot.com
www.Facebook.com
manuel.ferreira2403@gmail.com
Antes do brinde que queremos partilhar consigo e de um forte e sentido abraço que desejamos dure os ditos mais 32 anos, queremos deixar-lhe uma recordação que por ser em material resistente, esperemos que dure os 32 anos, pelo menos.
Termino com a frase que democraticamente selecionamos e assinamos para si:
"As pessoas entram na nossa vida por acaso; mas não é por acaso que elas permanecem"Teresa, Magalhães, Resende, Anselmo, Paula, Antonieta, Rocha, Dália, Fernanda, Conceição.
Até já, até sempre.
BCP-DCTB-Porto Março’2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"A vida num sopro"

Não vislumbro e até apouco a opção de JRS de incluir na trama a história da Guerra Civil Espanhola - capítulo 3 -, explicada apenas por sentidos critérios de credibilidade autorais ou então numa tentativa de enriquecimento da história com elementos de grande impacto, de vizinhança e do conhecimento geral. Mas se assim foi, e admito que sim, estamos a falar de critérios meramente comerciais. E ao ler o capítulo a ela dedicado nota-se que a sua inclusão e abordagem é forçada. Para caraterizar o personagem (o Chico), fê-lo passar por um sem número de peripécias e lugares que 'sabem' a exagero. Até porque, até aí, nada no personagem indicava que fosse capaz de sobreviver incólume a tantas provações...
Quanto ao resto, o que não é pouco, a narrativa da ação é conduzida com grande mestria, intensa, muito bem ligada, colando irremediavelmente o leitor à história da qual só na última linha se liberta.
Usa as palavras certas e interessantes figuras de estilo para definir os contextos e sem exageros. Leitura de entretenimento, corrida, agradável e ultrarromântica.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Homenagem a Amália Rodrigues



Homenagem a António Silva

Homenagem a Vasco Santana

Homenagem ao Fado


Homenagem a Marilyn Monroe 1926 - 1962

Homenagem a Morgan Freeman

Homenagem a Jack Nicholson