segunda-feira, 22 de junho de 2026

CCAÇ4640_XXVI Encontro/Quarteira(20JUN'26)

É bom estarmos juntos.
Por poucos que sejamos parecemos sempre muitos porque os ausentes - os que hoje não vieram e os que já partiram - também cá estão. Também estão cá os longínquos camaradas e amigos africanos de quem perdemos o rasto mas não a saudade. A convivência com eles foi muito enriquecedora ao tempo, porque multicultural e multirracial. Absorvemos deles uma dimensão do mundo que não tínhamos e, também com eles, o nosso mundo acelerou e cresceu em conhecimento e relacionamento humano.
Todos, os ausentes e os longínquos, são e serão sempre uma extensão de nós. A bem dizer nunca nos separamos. Une-nos um tempo; uma vida.

O esforço físico e monetário para cá estarmos, são bem compensados por estes bocadinhos de convívio pessoal. Não que tenhamos grandes coisas recentes a acrescentar ou partilhar pois, salvo algumas excepções, cada um de nós fez sua vida em ambiente próprio, mas temos um pedaço de vida em comum muito marcante, muito forte, muito vívido porque vivido nas trincheiras, que nos liga e que selou uma amizade intemporal. Um pedaço de vida singular em que nos tornamos homens da noite para o dia. De alguma maneira - cada um ao seu jeito, obviamente - aqueles dois/três anos moldaram nossas vidas. Muitos de nós saímos então, quase imberbes, debaixo das saias da mãe diretamente para o mundo; para um mundo desconhecido, para um mundo exigente, aventuroso, para um mundo arriscado, perigoso, desafiador.

Fácil não foi mas não dissemos que não. Desabrochou em nós bravura que nem sabíamos que tínhamos e, temerosos, sim, demos o corpo às balas. E aqui a expressão é literal, carregada de sentido.
Fomos capazes.
Fomos valentes.
Lidamos com a G3, com as rações de combate, com a seringa, com o racal, com a cantina, com os unimogs, com as berliers, como principiantes no início mas veteranos no final.

Um pouco de humor, quase negro: tomara o Trump ou o Putin que nos alistássemos agora nas suas fileiras. Mas para estas guerras responderemos com um não absoluto; porque insanas, acrescente-se.

Foi uma experiência de vida incrível. Foi um laboratório onde testamos as nossas capacidades, a nossa resiliência, como agora sói dizer-se. Pessoalmente nunca a enjeitei, pelo contrário, alicerçou-me e fortificou-me para a vida, vida sempre desafiadora.
Ficou como referência.
Atrevo-me a pensar que todos nós diremos o mesmo.

Já imaginaram os nossos netos, alguns com a nossa idade de então ou a caminho, com a ‘canhota’ às costas?

A erosão natural da vida já levou alguns de nós; o último foi o nosso Belinho. Partiram mas continuam bem presentes entre nós. Sempre. Proponho dedicar um minuto da nossa saudade a estes nossos Amigos.

Uma palavra de admiração e apreço aqui para o jovem Capitão. Foi um Capitão com maiúsculas. Um pouco mais velho que nós mas com adultez, lucidez, inteligência e serenidade bastantes para capitanear nossos destinos.
Obrigado.
Peço para ele bons e bonitos anos de vida e palmas. 

E agora um tempo para as nossas famílias, família que construímos em parceria com as nossas esposas, algumas aqui presentes. Um tempo de reconhecimento por tudo que nos deram. E foi tudo. Estamos-lhes gratos pelo que foram e pelo que são. Vieram os filhos, os netos - bisnetos, talvez -, netos que tanto nos alegram e preenchem.

Somos uns felizardos.
Estamos a viver dias cheios, bonitos e felizes.

É bom andarmos por aqui orgulhosos do dever cumprido, orgulhosos do nosso passado, orgulhosos da nossa amizade, orgulhosos das nossas famílias e muito confiantes no nosso futuro.

Um brinde a Todos nós.



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