domingo, 30 de setembro de 2012

Parabéns

Alteza,

Estes seus súbditos receberam com especial satisfação e agrado o convite para as comemorações do seu tão esperado 4° aniversário.

Por sabermos tratar-se de uma data especialmente importante e bonita, aceitamos orgulhosos tão distinto e Real convite, prometendo empenho, no que estiver ao n/ alcance, para não desmerecermos tanta honra.

Estamos certos que toda a Vossa Família Real estará presente, incluindo o Príncipe - também herdeiro - Simão Marques, o que muito dignificará o evento.

Toda a Corte, com os seus trajes de gala, abrilhantará toda a cerimónia, e presentear-vos-á com o que de melhor Vosso Reino possui, onde não faltarão gomas surpresa e ricas e lindas bonecas.

Cremos que todos os súbditos convidados prestigiarão o acontecimento e aumentarão os presentes mais do agrado de Vossa Alteza.

Aguardamos com confessada ansiedade a hora marcada - 16:00 do próximo Domingo - em que esperamos ver e oscular Vossa Alteza Real, e juntarmo-nos a todos aqueles que nesse dia viverão junto de Vossa Alteza, mais um dia feliz de suas vidas,

António Magalhães, Avô
Branca Magalhães, Avó

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Monte Santo Resort *****

1. Frequento este 5 * há já algum tempo e continuo a achar que é um bom Resort, dos melhores.

2. Desconheço as dificuldades (se é que as tem) na sua gestão, atendendo ao momento que o sector, o país e o mundo fornecedores de turismo vivem.

3. Tendo em conta estes dois pontos, os reparos que a seguir farei, são ainda e apenas de performance:

- jardins - talvez por ser final de verão, apresentam manchas degradadas e sinais evidentes de fraca manutenção;

- restaurante - percebi que é um Resort familiar com bastante presença de crianças (ainda bem) e que no restaurante (também) estão à vontade sujando muito. Para quem chega e vê o cenário é, no mínimo, desagradável. Não tenho soluções mas os técnicos de turismo devem ter;

- piscina - o chão à volta da piscina principal é escorregadio, perigoso até, e aparenta sujidade constante. Não será difícil resolver este ponto;

- Habitações - não é de todo compreensível e muito menos aceitável que o Novo Cliente seja confrontado com sofás manchados (demais) e tapetes impossíveis de serem pisados de tão sujos. O Novo Cliente quer sentir-se impecavelmente bem acolhido e ter uma estada prazenteira. Não deveria ser necessário dirigir-se à receção para correções. Também aqui penso não ser difícil resolver.

Espero ter condições para regressar, o que desejo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sopram novos ventos pela Europa...

Quatro grandes e importantes acontecimentos novos ocorreram na última sexta-feira 07SET’2012 na Europa, na Eurozona, a saber:
i) O BCE tomou medidas inovadoras e estruturais (finalmente) para a EuroZona (para a Europa e para o mundo em geral), que irão influenciar o nosso futuro a vários prazos;
(Fica-se apenas à espera da decisão do Tribunal Constitucional Federal alemão sobre a dotação para o FEEF/MEF, no próximo dia 12, que se espera que venha a aprovar)
ii) O grande centro de decisões deslocou-se da titubeante Alemanha para o Banco Central Europeu;
iii) Foram dados passos seguros na consolidação do euro;
iv) Abriram-se várias janelas de oportunidade para novas iniciativas.

Mario Draghi e a sua Equipa – que de resto já há algum tempo o tinham pré anunciado - apresentaram um plano inédito, conseguindo a quadratura do círculo, diria, ao acomodar interesses até agora inconciliáveis. Conseguiu, de forma hábil e naturalmente muito negociada, juntar numa mesma plataforma gregos e troianos, leia-se Alemanha, França, Países do Sul (Itália, Espanha ...), a desavinda Grã-Bretanha e, não menos importante, acalmar os famosos mercados.

As reações subsequentes foram positivas e vão no sentido da sua acreditação: os juros pedidos aos países resgatados baixaram, as ações em geral subiram, o euro valorizou, as principais commodities também (petróleo/ouro…).

Evidentemente que só o futuro dirá se o que agora foi decidido foi correto, e se eram as medidas mais certas. As possíveis foram com certeza. Parece-me, desde logo, que sim. São de tal maneira abrangentes, minuciosas e envolventes (e nada generosas), que elas próprios se auto-garantem.
E os países para a elas se candidatarem têm de percorrer um enorme calvário, e submeter-se às rigorosas normas do FMI. Nada de borlas, portanto.

Foi a abundância de dinheiro inesgotável de um lado e a sua atribuição com critérios de extremo rigor por outro, que fez com que fossem bem aceites por todos. Inclusive foi introduzido um item - o da esterilização da dívida – que veio neutralizar a receosa Alemanha quanto ao descontrolo da inflação.

Parece-me, à luz dos dados que estavam disponíveis em cima da mesa, ser um plano bastante bom.

Esqueça-se a bondade do plano. É muito exigente e rigoroso. Os credores seguraram-se bem: emprestam sim mas querem de volta o seu dinheiro, custe o que custar.
E aos portugueses (e não só) vai custar muito. Aliás já esta a custar: veja-se o anúncio das últimas medidas do governo.

A mudança do centro do poder (ocasional?) para o BCE, foi também interessante.
Estava a tornar-se desconfortável para o resto Europa sentir-se comandada apenas pela Alemanha. O BCE agindo, como parece, como mais um poder, não só dessacraliza o poder único (alemão) como funciona como contrapoder, impondo mais equilíbrios. Os diversos poderes de Bruxelas não tinham conseguido até agora desempenhar esses papéis de contrapoder. Estavam submersos pelo alemão.
Respira-se melhor agora.

Por outro lado e bem importante, a Europa começa finalmente a dar passos conjuntos, a funcionar como um bloco. Foram dados os primeiros passos para a assunção de compromissos mútuos que os amarram – como siameses - por muitos anos, tornando o projeto Europeu irreversível.
Finalmente.

Tem ainda outras consequências, importantes também: com a aprovação e aceitação deste plano abrem-se várias oportunidades para que outros importantes itens meio adormecidos até agora possam avançar, como por exemplo a harmonização bancária e Federação de Estados.
A ver vamos.

Post Scriptum:
O Tribunal alemão já se pronunciou, autorizando, com algumas condições, nomeadamente impondo uma contribuição máxima da Alemanha para o fundo: 190 MM (dos 700MM).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os Portugueses, de Barry Hatton

Escolho a palavra 'interessante' para definir sucintamente esta abordagem aos 'Os Portugueses'.
Sabe a tributo prestado pelo seu autor ao país que tão bem (no seu dizer) o acolheu e pelo qual (no seu dizer também) se apaixonou.

Barry Hatton, correspondente estrangeiro, inglês, a viver em Portugal há mais de 25 anos, enamorou-se pela nossa história, pelas nossas gentes, pelos nossos usos e costumes, por nós.
Embora tenha sido convidado para trabalhar noutras geografias, a todos respondeu com um não por não ter conseguido separar-se desse amor. Amor que muitas vezes não percebe (mas que faz um enorme esforço para entender) e de que é incapaz de fugir. Amor conflituoso, quase amor/ódio, com altos e baixos, avanços e recuos, incompreensões, hesitações, perturbações: amor.
De um ponto de observação mais distante, mais isento - com um olhar inglês -, sem grandes pretensões, ambições literárias, sociológicas ou de fundamentação histórica excessiva, preocupou-se em selecionar os factos que terão influenciado, justificado ou explicado o nosso percurso coletivo, desde a fundação de Portugal até aos nossos dias.

Não é frequente encontrar alguém, de fora, que se deixe entusiasmar, de forma tão abrangente e empenhada e aceitar fazer uma viagem voluntária e entusiasmada pela nossa história, principalmente se feita a partir do coração; isto é, não olhando em primeira mão a proventos financeiros mas mais a impulsos afetivos, de autojustificação e de inquietação e à necessidade compulsiva de expressar publicamente tais afetos, preocupações ou admirações.
Conseguiu condensar as suas interessantes – algumas para nós esmagadoras - conclusões num pequeno livro de fácil leitura que atrai, interessa e prende o leitor.
Optando pelo formato de puzzle, consegue através das suas inúmeras peças retratar e interrogar não só a nossa história, como os nossos usos e costumes.
Consegue colocar-nos em frente do espelho da nossa história.

É verdade que na maior parte do relato nos pincela com tintas bem sombrias, e o quadro final aparece bastante escuro, mas em muitos casos está aceitavelmente pintado, por muito que nos custe e até por vezes doa. Na parte final a tonalidade melhora deliberadamente bastante e as cores mais garridas também têm lugar.
Acredito que poucos portugueses comprassem tal quadro e muitos menos o mantivessem exposto nas suas casas.

Convenhamos que os fatos revelados e relevados não vão muito para além daqueles que são mais do conhecimento dos portugueses em geral mas mesmo assim fá-lo com seriedade intelectual, embora tomando partido aqui e além. Cede num ou noutro ponto em particular nos usos e costumes. ‘Foi uma refeição memorável’, disse no final de um abundante e bem regado almoço tradicional de matança do porco.
Fica-nos a impressão que terá já admitido a hipótese de se naturalizar português.
(se tivesse sonoramente arrotado e, já agora, palitado os poucos dentes exibindo orgulhosamente a unha enorme do dedo mindinho, limpando o farfalhudo bigode e a bem oleada e lustrosa boca às costas da mão gorda e peluda enquanto com a outra coçava as partes, trilhadas de uma tarde de imóvel sonolência, alternando com suaves, atenciosos e promissores beliscões na sua Maria, passaria seguramente e com distinção no teste de novo cidadão português e faria inveja a muitos, 'ditos', portugueses...)

Quase livro de bolso ou pequeno compêndio de consulta primária e muito acessível.
Não se trata de uma tese sobre a história de Portugal mas tão só de um repositório de lugares mais comuns, de fatos históricos mais relevantes e conhecidos, e que mais o terão sensibilizado.

Mais uma nota, também testemunho pessoal:
Já por duas vezes estive ausente de Portugal - dois anos numa primeira vez e quase um ano na segunda: em 1972/74 e 2000/01. Digo ausente apenas, pois a vontade de regressar esteve sempre sentimental e irremediavelmente presente. Apesar de saber que viver em Portugal é, muitas vezes, viver no fio da navalha, nunca tal porém foi motivo suficiente para abandonar de vez o torrão de origem.

Quando de regresso de ausência mais prolongada começamos a sobrevoar Lisboa, a ver os inconfundíveis telhados coloridos da capital - únicos - entrecortados pelo verde intenso das nossas árvores; a retilínea, imponente e quase majestática ponte sobre o Tejo; a acolhedora estátua de Cristo Rei que, como uma mãe, nos recebe com os seus longos braços abertos; o extenso prateado e suave lençol d'água a separar as duas margens; Almada; as colinas de Lisboa; a zona ribeirinha; Belém, com o seu emblemático monumento aos descobrimentos; a luz do dia portuguesa; o estádio do Benfica, fazendo o conjunto lembrar um vivo e perene presépio laboriosamente trabalhado..., os batimentos cardíacos aceleram de repente e o Home, Sweet Home invade e enche a nossa alma faminta. Uma paz serena toma então conta de nós. Repisar as plataformas do aeroporto é como entrar portas adentro da nossa própria casa com um resgatado e saudoso 'cheguei'.
É ser português, carago!

terça-feira, 10 de julho de 2012

...do livro "Os Portugueses", from Barry Hatton

(...)Desiludidos de qualquer ideia de que uma longa amizade pudesse contrabalançar os interesses da Grã-Bretanha, os portugueses perceberam, a meio do caminho da Primeira Grande Guerra, que deveriam ignorar o pedido do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico para que se mantivessem neutros. O governo português reconheceu que o resultado do conflito ditaria a arquitectura do poder do pós-guerra em, pelo menos, dois continentes. Percebeu, também, que, para manter qualquer esperança de conservar os seus territórios africanos, precisaria de ter assento na mesa das negociações do pós-guerra. E, para o conseguir, precisaria de ser um dos combatentes. Portugal provocou a Alemanha para que lhe declarasse guerra em 1916, ao apresar barcos alemães e austríacos que tinha impedido de sair, a pedido da Grã-Bretanha, do porto de Lisboa. Portugal enviou então duas divisões de infantaria, somando 55.000 homens mal armados, para as trincheiras da Frente Ocidental, em 1917. (...)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sub. Férias/Natal e o Tribunal Constitucional.

O Monstro
Tenho para mim que o princípio da igualdade entre os cidadãos de um qualquer país é um bem em si mesmo por ser um elemento aglutinador e estabilizador da sã convivência entre os povos, que deve ser incrementado, cultivado e perseguido por todos, principalmente pela classe política e de sobremaneira pelos dirigentes em exercício.
É uma bandeira a hastear bem alto e motivo de orgulho para qualquer sociedade moderna.

Em Portugal e depois do 25 de Abril de '74, mercê de circunstâncias várias mas sobretudo pela dinâmica sindical de ambas as grandes associações, a CGTP e a UGT, houve um setor para quem os privilégios sociais e salariais se distanciaram: o setor público. Este setor alimentou as centrais sindicais e as centrais sindicais nele se ancoraram para se autojustificarem e sobreviverem.

Em resultado desta cúmplice convivência e dependência mútuas, o setor cresceu, engordou, também com o argumento político de que eram especiais e credores do respeito dos outros, dos privados. Eram especiais (Marcelo Rebelo de Sousa, in tv, dixit).
Conseguiram consagrar essa diferenciação consubstanciando-a em sucessivas e significativas regalias e nos salários contratuais das suas respectivas empresas (ver exemplos na TAP, TV, CP, GALP, CTT, EDP, PT, AdP, CGD, BdP ...).
No final de 2011 essa distância quantificava-se entre 10/15% a seu favor (Pedro Passos Coelho, ao JN, dixit).
A juntar a estes dois confortáveis e desmesurados privilégios soma-se um terceiro de décadas e não menos importante: não podem ser despedidos.

* Nesta data o setor privado tem 819.000 desempregado
* O setor público emprega 608.000 pessoas (não investiguei se neste número estão incluídas as das autarquias)

Também com base nesse argumento, ele (PPC) que vinha do setor privado, quando teve a oportunidade ou necessidade, ambicionou estoica e finalmente encurtar essa distância tirando-lhes os subsídios de férias e Natal.

... Com quem ele se foi meter!

Sabe-se que esses dois subsídios tinham um impacto de 14,3 % nos seus salários anuais.
Com o mesmo pau PPC matava três questões: reduzia a diferença salarial entre os dois sectores (igualdade relativa), resolvia a questão do deficit e semeava mais justiça na sociedade.

A FP é uma máquina (famosa máquina do estado, o monstro); os privados são a energia que a alimenta.
É também a maior das corporações, bem organizada, organizada tentacularmente, com fortes lóbis presentes em todo o lado.

Os Juízes do Tribunal Constitucional, também eles nomeados politicamente, também eles funcionários públicos (o resultado da votação teria sido bem diferente, estou certo, se na sua composição estivessem privados) quais chefes de fila, da grande fila dos funcionários públicos, numa proporção de nove para três, e com todo o seu definitivo poder, vieram sentenciar que a lei que permitia o corte de ambos os subsídios apenas à FP era inconstitucional, por não salvaguardar o princípio da equidade fiscal.
Anularam assim todo o trabalho que PPC tinha tentado.
Voltamos pois ao ponto de partida ao restabelecer-se a diferenciação negativa e os privilégios desse setor.
Obviamente que a etapa seguinte será a de incluir os privados nas medidas necessárias para cobrir o deficit, restando apenas conhecer-lhes as proporções.
Fica também e ainda uma bota para descalçar: a eliminação dos quatro feriados. Não esquecer que a sua eliminação era a medida compensatória e equivalente para os privados...
A ver vamos.

* Meu sogro, homem simples mas de abrangente e sólida cultura de vida, dizia, reforçando uma ideia generalizada:
"O estado é um grande patrão".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cimeira da UE, 29JUN'2012

A avaliar pela primeira flor de sal colhida nas i)opiniões publicadas em geral na imprensa nacional e estrangeira no final da Cimeira da UE de hoje, juntando-lhe a ii)reação das praças de Wall Street e Ásia em alta, a iii)subida das principais commodities: petróleo/ouro/prata/cobre e ainda a iv)valorização do euro contra o dólar, poder-se-ia fácil e precipitadamente concluir que o resultado desta cimeira tinha sido um sucesso.
A curto-médio/prazo veremos que não.

A agenda para a reunião que tinha sido sucessivamente reescrita, foi completa e inopinadamente esquecida a favor de um único ponto: socorrer rapidamente a Itália e a Espanha.
Essa questão sim, pelo que se soube, foi decisivamente importante.
Monti e Rajoy, pressionadíssimos pela urgência de acalmar os mercados na reabertura de segunda-feira, tentando assim que eles não lhes fechassem as portas e a juros razoáveis, bloquearam a evolução da reunião até à chantagem, 'obrigando' os outros a votar o seu único ponto: mais dinheiro já.
Todos os outros, incluindo a Alemanha de Angela Merkel, cederam.

Foi então inventada uma nova fórmula de engenharia financeira para que os famosos mercados lhe fechassem os olhos e não a incorporassem como item de avaliação.
Neste sentido e no imediato ganharam a Itália e Espanha, e por simpatia os outros PiiGS e outros futuros previsíveis necessitados também. As teses alemãs foram abatidas por este KO de urgência, tornado exigência de última hora ou então adiadas sine die (?).
Hoje, excecionalmente, o centro de gravidade das decisões deixou de ter como epicentro a Alemanha e a França, e deslocou-se para os países do Sul.
Até parece que a democracia na UE está a funcionar...

É minha convicção que, e mais uma vez, vai jorrar dinheiro para cima dos problemas e, por via disso, é possível que durante algum tempo os mercados não ataquem (deixa-os poisar, numa versão mais vernácula), sem que, contudo, as questões estruturais, onde se poderia começar a erguer com alguma solidez o futuro da UE, sejam analisadas, submetidas a consenso e aprovadas.
Mais uma oportunidade desperdiçada, portanto.

Quanto a mim a agenda alemã fazia sentido e era plena de oportunidade. Poder-se-ia ter encontrado uma solução que fosse um mix de ambas, incorporando pois os pontos, alguns pelo menos, da agenda alemã. Não só para que Merkel não saísse humilhada como, principalmente, porque há questões que ela põe que são fundacionais de uma futura e desejável UE.

A Alemanha embora jogando este 'jogo' de xadrez com o mesmo número de peças, fá-lo porém num tabuleiro muito maior, de gigantescas proporções. Não se sabe ao certo (e não sei se a própria Alemanha o saberá), que jogada fará a seguir?, quando a fará?, se terá trunfos escondidos?, que trunfos serão esses?, ou se estará a pensar em aplicar um xeque-mate? Sabemos sim que estamos a ver um jogo entre o FCP/Passarinhos da Ribeira, em que o FCP fatalmente vencerá sempre.
Convém ter presente, sempre, essa capacidade alemã.

(Claro que os Passarinhos da Ribeira gostam de jogar na liga primo-divisionária; só que para lá se aguentarem têm de ativar esforços sobre-humanos, calçarem as chuteiras todos os dias, e trabalhar muito, muito mesmo para compensar o delay que os separam dos grandes. O FCP vai lucrando com eles, vendendo-lhes algumas oportunidades, jogadores e logísticas; e os Passarinhos recebem algum dinheiro dos direitos televisivos e vão-se empenhando mais e mais para tentar manter a cabeça de fora)

Sabe-se agora (ver Blog 'comunidades' do JNeg) que no início da crise, em 2008, os gregos deviam à Alemanha à volta de 700 mm€. Sabe-se agora também que essa dívida alemã já está no BCE(!?). Já não é dívida só alemã(!).

Chegados aqui lembra-se, sugerindo-se, a leitura atenta da crónica de PSG do JNeg, 29Jun, em que especula(?) escrevendo: 'E se a Alemanha estiver a preparar a saída do euro?...'

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A insustentável leveza do parecer!

Percebe-se os fundamentos da Alemanha na recusa intransigente dos Eurobonds. Angela Merkel tem sido implacável: não, não e não. Para já. Pretende primeiro, de diversas formas e em múltiplos setores, assegurar o controlo da situação, na perspetiva Alemã, claro; quer ver rigor orçamental nos diferentes países; quer ver convergência bancária com supervisão centralizada em Bruxelas (União Económica e Monetária)...
Depois de tudo isto afinado e a funcionar, aí sim, autorizará os tão desejados(?) Eurobonds. Não se trata pois de uma questão de princípio mas de estratégia. Excecionalmente poderá vir a ceder mais cedo na questão das garantias dos depósitos, mas parcialmente.

Do outro lado temos os mercados que não dão tréguas. Não querem saber dos timings da Sra. Merkel, nem de ninguém; estão lá para ganhar dinheiro, muito dinheiro, e até, de alguma maneira, agradecem esta confusão: tem engordado muito à sua custa. Quem lhes tem garantido altas rentabilidades? Justamente os PiiGS, os mais aflitos quando pagam taxas elevadas. Portanto quanto maior for a crise maior serão as taxas e consequentemente mais lucros. Não querem saber se são países pobres ou ricos, grandes ou pequenos ou qual a sua latitude. Querem dinheiro, ponto. Atuam muitas vezes através de fundos (muitos deles soberanos também) invisíveis, despersonalizados, desumanizados, geridos por imberbes e ricos yuppies habituados a ganhar dinheiro fácil.
Convém aqui lembrar que, não obstante, atuam na legalidade, dentro do sistema, o nosso, o capitalista. Não são pois extraterrestres que comandam os nossos destinos: são terráqueos como nós e que o nosso sistema permite.

A questão que se põe à UE, aos seus dirigentes, a todos nós, é a de saber se as difíceis (há que reconhecê-lo) decisões a tomar ainda vão a tempo de inverter o sentido da marcha dos acontecimentos? Se os nossos dirigentes europeus estão a controlar os tempos de reação dos ditos mercados?, mais implacáveis que Angel Merkel. Obviamente que eles (mercados) mandam e comandam, disso não há dúvida. Não se trata da corrida do gato e do rato, em que os ratos somos nós; trata-se de tentar inverter esses papéis. Devíamos ser nós os gatos, mas não está fácil. Deixamo-nos cair demasiado! Os nossos dirigentes têm tido um comportamento reativo, correndo sempre atrás do prejuízo, não tendo sido capazes, até agora, de pro-atividade, de antecipação.
O desafio é enorme, hercúleo, o maior dos últimos 100 anos. Vamos ver se estamos à sua altura.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

1Q84(2) - Haruki Murakami(HM)

Este segundo livro a que HM se propôs para continuar a ficcionar a história iniciada no primeiro volume, vem em tudo na mesma sequência e superior narrativa e decorre sem surpresas; perfeito. Não para de surpreender e entusiasmar o leitor.
Contém igualmente páginas de rara e soberba subtileza, apenas ao alcance de poucos escritores.
As cenas íntimas de Tengo/Fuka-Eri ou Aomane/Ayumi são hinos à sensibilidade.
Sublinha-se a capacidade fina e grandiloquente com que expõe estas facetas do comportamento humano.
Todavia, aqui e além, quando entra em terrenos metafísicos exagera um pouco na dose indo para além do aceitável. Aprecio a aptidão de alguém quando é capaz de nos transportar para essas viagens; gosto, de quando em vez, levitar um pouco e entrar em ambientes irracionais; o ponto aqui é a sua dose e justificação.
HM gosta de voar e principalmente planar, mas às vezes esquece-se e fica lá em cima tempo de mais. E o leitor à espera…
Por mais denso que seja o tema abordado, tal como os mosquitos que passam intatos pela chuva, também HM consegue passar por essas grossas gotas e, com destreza sagaz, leva-nos incólumes com ele. E nós vamos.
A palavra ao serviço das ideias.
Um bom passatempo.
Vou ler o 3º.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Fracasso do euro seria desastre para economia alemã

Domingo, 24 de junho de 2012
A revista "Der Spiegel" revela hoje um documento do Governo alemão que calcula os possíveis efeitos a nível macroeconómico do desaparecimento do euro à luz da atual crise das dívidas soberanas.
"Os países que sofreriam maiores desequilíbrios seriam precisamente os que estão a ser mais afetados pela crise das dívidas soberanas: Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália"
"Comparando com esse cenário de rotura da zona euro, qualquer resgate parece um mal menor"
"As estimativas para a maior economia europeia indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) cairia quase 10% no primeiro ano com uma nova moeda nacional e o desemprego atingiria cinco milhões de pessoas"
"As estimativas para a economia espanhola apontam para uma taxa de desemprego de 26,7% e o PIB recuaria 11%"

Depois disto, digo eu, a Alemanha, para seu próprio bem, não pode mais continuar a tratar do problema Europeu com tanta hesitação. O tempo corre veloz e começa a escassear. A ampulheta está a ficar vazia. Se acha que para prosseguir o projeto europeu quer ver primeiro aceites e implementadas por todos os outros 26 (16) as medidas que julga indispensáveis, tem de se impor de forma determinante na próxima reunião de 29 de Junho. Não acredito muito nisso – embora considerando que há melhores condições geopolíticas para o fazer –.
Acho que chegou a hora das grandes decisões.
Amanhã pode ser tarde.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mini(?)-Cimeira de Roma

Uma cimeira entre os quatro grandes países que compõem a Eurozona (com a Grã-Bretanha ficaria perfeito), é em si mesma notícia e boa notícia. Quando no final se anunciam convergências de opiniões e decisões, ainda melhor. Até agora, toda a Eurozona estava incomodada por se sentir tutelada apenas pela França e Alemanha; era um motor de 27 cilindros a trabalhar apenas em dois. Com o agudizar da crise em Espanha e Itália, foram estes também (finalmente) chamados para o centro de decisões. Ainda bem. Assim as decisões começam a ser mais democráticas, mais representativas; de alguma forma sentimo-nos mais presentes. Evidentemente que a presença de todos os outros seria francamente mais democrático mas, não sejamos ingénuos, os grandes não os querem lá: só atrapalham, pensam; participarão sim quando as grandes diretrizes estiverem assumidas pelos grandes.

Com dinheiro dos privados e do resultante das restruturações dos orçamentos dos diversos países, ficou decidido injetarem 130 mil milhões de euros (1% do PIB da UE) nas economias da U.E. A pressão para a tomada desta ação, a começar em François Hollande, foi grande e não houve como escapar-lhe, incluindo a renitente Angela Merkel.
Aparentemente todos os países ficaram contentes.

De facto o problema social, as pessoas - a começar pelas dos PiiGS - já estavam a viver mal, muito mal. Havia pois que encontrar dinheiro para lhes minimizar as angústias e sofrimentos, fosse qual fosse o baú onde tivessem de o ir procurar. As pessoas em primeiro. Nisso a Europa é única.

Terá sido uma boa solução?, oportuna?, a melhor? Tenho sérias e fundamentadas razões para duvidar.
Quem, com são conhecimento ou poderes premonitórios, poderá responder?! Convém lembrar que o método foi o já usado no passado recente, de que todos nos lembramos, tendo produzido os resultados que sabemos. Deitar dinheiro para cima dos problemas apenas os esconde, não os resolve. Aí a Alemanha tinha e tem razão: arrumem-se primeiro as casas - restruturações, reformas - e só depois o dinheiro, os Eurobonds ou outros.
Ora as casas ainda não estão arranjadas, longe disso.

Nota:
As populações destes países, incluindo a Grã-Bretanha, somam 311 milhões de pessoas.
O total da U.E., rondará os 500 milhões.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

G20, Los Cabos/México

   A Cimeira do G20, em Los Cabos/México de 19 de Jun – a sétima –, decorreu com pompa e circunstância, tendo motivado a presença ao mais alto nível dos seus representantes, conseguindo assim que os holofotes da imprensa mundial neles incidissem. Aproveitando (ou desaproveitando) o fato, de lá saíram algumas ideias mas não decisões concretas.
Visavam, com a sua presença e mediatismo, pressionar a Europa e a Alemanha em particular, para a tomada urgente de medidas substantivas de modo a poderem dizer ao mundo que estavam atentos, identificando o centro dos problemas na europa.
   Qual Cinderela, Angel Merkel, aparentemente alheia a essa pressão, passeou-se como um princesa, honrada e venerada, sem resistências visíveis. Não se deixou pressionar e pelo contrário deu ainda mais visibilidade às suas teses de austeridade, rigor orçamental, convergência bancária, fiscal e política. As suas grandes linhas de força para a Europa saíram reforçadas. Os outros, submissos, dependentes, vergaram-se ao seu peso.
   Como mais importante realça-se a vontade política expressa da maior integração do sistema financeiro europeu, o que inclui uma supervisão conjunta dos bancos e garantias sobre a segurança dos depósitos bancários.
   Angel Merkel abordará assim reforçada a próxima reunião do Eurogrupo do dia 28 de Junho.
A ver vamos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

EuroBonds / Garantia de Depósitos

Uma das muitas questões que se está a pôr a muitos cidadãos da zona Euro é a da garantia das suas poupanças sediadas nos seus diversos países de origem/residência; e um dos problemas que se está igualmente a colocar a esses mesmos países, é o da sua credibilidade de, apenas de per si, conseguirem dar garantias aos cidadãos de que os seus depósitos estão seguros.

Não basta, como se pode ver pelos muitos mil milhões de euros que estão a fugir da Grécia ou Espanha e um pouco da Irlanda (e não só), que os respetivos governos os venham garantir - até 100.000,00 -. A sua bondade carece de autenticidade.  E não adianta porque o cidadão - acompanhando ao minuto a evolução económico-financeira -, simplesmente, não acredita e tenta por todos os meios (cada qual do seu jeito) por a salvo em tempo útil aquelas migalhas que, quantas vezes, com tanta abnegação, conseguiu amealhar para os piores (mais futuros?) dias.
Portanto a garantia dos estados, individualmente considerados, consabidamente, não chega; não responde às preocupações e medos dos cidadãos.

Obviamente que esta fuga de capitais depaupera os países, o sistema bancário, as finanças, a economia, tudo em geral. Contribui ainda, enormemente, para a sua descredibilização junto de futuros credores que pensarão: se os próprios não acreditam porque haveria eu de injetar (dar) lá o meu dinheiro?

E chegamos assim a um ponto crítico!
Como restabelecer confiança nas pessoas, nos países, na Europa?

A Alemanha tem mostrado inabalável resistência à adoção dos Eurobonds. Já aqui o escrevi, mais que uma vez, que compreendo sua posição. Pretendem, primeiro, uniformizar critérios de boa Governança (os do 'rigor alemão') em todos os países: na banca, no fisco, nos orçamentos... e só depois aceitarão então a mutualização da dívida a nível europeu.

Porque não arrancar já com a ideia dos EuroBonds, justamente para esse fim, para Garantir o dinheiro dos cidadãos?
Seria, acho eu, um bom estabilizador e dinamizador geral das economias, não só para as pessoas como para os países. As pessoas não sentiriam necessidade de retirar suas economias dos seus países porque as sentiriam seguras.
É certo que parte delas ficariam nos cofres dos bancos mas estes, por sua vez, poderiam retorná-las para a economia.
Muitas preocupações seriam mitigadas e, no mínimo - o que não é pouco -, as pessoas sentir-se-iam mais felizes.

Mais, e penso ser este o cerne da questão, com a assunção desta mutualização a Europa daria, para dentro de si mesma, para os credores e para o mundo, finalmente uma ideia de união, que tarda faz tempo; a não ser que não o tenha feito ainda, deliberada e estrategicamente, para poder saltar fora do projecto europeu em qualquer altura com baixos custos. É que, as interdependências das nações são ainda excessivamente frágeis e a sua inexistência permite, com alguma facilidade, o fim da U.E. Será que é isso que os países mais ricos (Alemanha e países Nórdicos) querem?, o fim da U.E.?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

'Rio+20'-Sustentabilidade do planeta Terra, o nosso.

Sob o lema 'crescimento económico, inclusão social e preservação do meio ambiente' e 20 anos após (Eco1992), ocorre no Rio o 'Rio+20'.
Na altura, fundado pela ONU, o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o meio ambiente), foi a organização a quem foi artibuída a função de liderança mundial do meio ambiente. Hoje, 20 anos depois, ainda conta apenas com 58 membros, ficando de fora dois terços dos países (!?).

Partindo do princípio que a questão da deterioração acelerada e gravosa do meio ambiente é mundial e a todos atinge, e tendo em conta que apenas um terço dos países membros da ONU admite discutir o problema, convenhamos que, desde logo e à partida, é um problema não direi insolúvel mas, no mínimo, de imprevisível tratamento e desfecho.

Sabendo-se que praticamente todos os países presentes foram severamente atingidos pela crise que grassa pelo mundo, e sabendo-se que são precisos 30 mil milhões de dólares por ano para sustentar esse programa - segundo o 'G77+China' - e que esse dinheiro deveria sair do bolso desses mesmos países agora em crise (nalguns profunda), adivinha-se, sem ser necessário recorrer a grandes cálculos, que estamos perante um problema complicado: não há dinheiro disponível para efeito.

Nos últimos 10/15 anos esses mesmos países (não todos) viveram tempos de prosperidade e de relativa abundância e mesmo assim não foram capazes de fazer com que o PNUMA avançasse decisivamente. Parece-me que agora com bastante mais facilidade alijarão responsabilidade e se retirarão (fugirão) da questão. Veja-se aliás o que fizeram Barak Obama e Angela Merkel: não apareceram no Rio.

Penso ser opinião mundial e consensual de que é urgente, muito urgente, mudar comportamentos a todos os níveis para tentar desacelalar a velocidade vertiginosa com que o mundo ecológico se está a precipitar para o abismo. A ONU alerta que, a este ritmo e se nada entretanto for feito, nos vamos estatelar em 2030; nessa altura (estamos apenas a pouco mais de 15 anos de distância), crescentemente, a pressão sobre os recursos do nosso planeta - alimentar e energético - duplicará!

'Rio+20' será tempo perdido.
É certo que estará lá muita gente, muitos altos dirigentes mundiais, mas infelizmente e para além do aproveitamento mediático que a visibilidade da Conferência oferece aos países participantes - além do show off dos próprios participantes e do aproveitamento económico-turístico do país anfitrião -, não haverá resultados concretos. Ninguém mostra vontade política para contribuir com a sua quota-parte para abastecer o investimento dos 30 mm. De resto, ainda nem sequer começou a cimeira, e a preocupação dos responsáveis é de 'costurar' um testo final para lhes lavar a face.

O elevado número de presenças mostrou conhecimento e sensibilidade para o problema, mas não a ponto de libertarem dinheiro dos seus países, dos seus cidadãos, para ajudar a inverter a marcha inexorável dos acontecimentos e, sem isso, ficamos na mesma.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Bancarrota Portuguesa: 1891

1.Em resultado de causas várias ocorridas no país no último quartel do século XIX – mas tendo presente a titubeante governação do país -, Portugal declara bancarrota parcial em 1891, quando s/ dívida externa atinge 75% do PIB.
Depois de quase 40 anos de grande estabilidade monetária/cambial e relativo crescimento económico, começou a desenhar-se uma crescente crise na última parte daquele século, crise financeira (à qual se sucedeu uma crise económica), que culminou com o colapso das finanças do estado e do sistema bancário.
A instabilidade política, financeira, económica e social que começou por abalar as estruturas e o sistema (Monárquico) - a que veio dar lugar a implantação da República em 1910 -, e o Ultimato Inglês sobre as pretensões portuguesas em África – Mapa cor-de-rosa -, são contributos decisivos que explicam esses conturbados tempos.

2.A solução encontrada para o pagamento dessa dívida, foi a da s/ renegociação com os credores (1902), tendo-nos então sido dado o prazo de 100 Anos para a s/ liquidação total, o que veio a concluir-se em 2001.
Ou seja, diversas gerações, durante um longo século, tiveram de suportar a má gestão das políticas dessa altura.

3.A questão que se põe é a de saber se é compreensível, aceitável e justo que as gerações futuras tenham de suportar os desmandos das anteriores e durante quanto tempo? Quanto a mim, não é questão sequer; entendo que a geração que fez ou permitiu a (s) asneira (s) a deva resolver em tempo útil, clarifique-se na sua própria geração. Com que argumento, com que desfaçatez, amanhã, responderia aos meus netos quando se confrontassem e me confrontassem com uma dúvida e dívida dessas?
Felizmente parece haver já algum consenso, maioritário, quanto a isso. Apenas os partidos mais à esquerda é que ainda falam na renegociação da dívida, i.e., atirar lá para a frente as dívidas atuais de qualquer maneira. Sine die!
As posições dos grandes partidos e dos grandes países dominantes na europa, à frente dos quais a Alemanha, têm travado essa possibilidade ao rejeitarem as eurobonds ou ao não permitir que se acione a máquina de fabricar euros e, digo eu, ainda bem. Consequentemente todos os países - Portugal incluído (a viver atualmente com dinheiro alheio), são obrigados a proceder como os seus credores querem e obrigam: a pagar as dívidas em curto prazo.
Sou claramente a favor da inscrição na constituição dos limites do deficit orçamental. A não existência dessa obrigatoriedade permite que o(s) partidos(s) que estejam no governo – por razões eleitoralistas – lhes escape, esbanjando dinheiro. Até agora foi isso justamente o que aconteceu.

4.A evolução negativa (esperemos que pare), do caso espanhol, italiano ou mesmo francês – 3 grandes - pode agravar de tal maneira a crise na Europa em geral, que aos dirigentes europeus não reste outra alternativa senão a de adotarem uma ou as duas soluções anteriores. E isto a favor de um bem maior, que é da manutenção da Europa com o perfil social que a nível mundial detém. E, se chegarmos aí, também eu serei a favor dos eurobonds ou outra solução igualmente comprometedora. Mas só nesse caso, porque acho que a europa tem um perfil social único no mundo e que deve fazer o possível e impossível para o manter. Se assim for, amanhã poderemos dizer aos nossos netos que as dívidas passadas são o preço desta europa que se conseguiu manter e de que também usufruem. Porém temporizadas. Nunca os 100 anos da crise de 1891! Resgatar esses encargos futuros deverá ser uma prioridade permanente de todos.
Não quero tirar razão àqueles que dizem que não contribuíram para o problema, onde também me incluo (embora dele tenham beneficiado – todos nós de uma outra forma beneficiamos), e que a responsabilidade é dos agentes políticos e económicos. Mesmo assim, por omissão, laxismo, inércia ou mau voto nas urnas, permitimos que tal tivesse acontecido.
Assumamos então as nossas responsabilidades, no nosso tempo, e poupemos aos nossos netos encargos alheios.

5. Grandes infra estruturas
No que acima refiro cabem, apesar disso, os grandes (ou pequenos) investimentos que – comprovadamente – se justifiquem. A condição que relevo como decisiva tem a ver com a duração do equipamento em causa. Um aeroporto (apenas como exemplo) tem um prazo de validade temporal, no que à sua capacidade de trânsito de passageiros e materiais diz respeito, supostamente de vários anos; muitas gerações portanto. Fazer repercutir o seu custo inicial por essas diversas gerações parece-me justo e inquestionável.

6. Fundos da U.E.
A partir da adesão de Portugal à CEE e em resultado das negociações entre as partes, cá chegaram, no devido tempo, muitos mil milhões de euros para projetos aprovados, de comum acordo, entre a CEE e Portugal.
A condição que A CEE punha para a atribuição desses fundos, é que para que esses projetos avançassem, o País tinha de contribuir com 25% do total. Tudo de borla não! Custa-me a admitir que não sejamos capazes de financiar esses 25% e consequentemente se tenham de devolver os 75% por não uso. A mobilização da sociedade para este efeito deveria ser firmemente tentada pelo governo e por todos os agentes sociais. O dinheiro, sabemos, é caro e conseguir credores disponíveis não é tarefa fácil.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

...por um prato de lentilhas!

Já noutra altura disse que a história não vai ser simpática para com Cavaco Silva (CS). Não é nada pessoal, nem o conheço nem faço questão disso. É mesmo política a m/ posição.

O grande entusiasta da n/ adesão à, agora, UE, foi sem dúvida Mário Soares. E também continuo a pensar que fez bem. Com um esforço notável e com a imprensa em geral do seu lado, conseguiu agarrar todo o país para esse projeto - exceto os partidos de esquerda, do PC para baixo -. A grande maioria dos portugueses esteve com ele e apoiou-o. Saber que íamos pertencer ao clube dos mais ricos do mundo, facilitou e entusiasmou-nos a todos. Ter acesso e viver a vida como se ricos fossemos, era uma possibilidade tangível que não podíamos desperdiçar. Vista a n/ adesão apenas nesta perspetiva - e foi o que conheceu - era um passo enorme e empolgante em rica e boa direção.
As cores do quadro que na altura foi pintado eram de tal maneira atraentes que ofuscaram o n/ sentido crítico e alternativo.

A outra parte e, sabemos agora não menos importante, era a da materialização dessa adesão.
Confiamos então as n/ esperanças a CS e nele tudo depositamos. Coisa simples, o nosso futuro colectivo.
Seus acólitos (há sempre acólitos em tudo!) e (mais uma vez) a imprensa em geral, encarregaram-se, com sucesso, de criar de CS a esfíngica e aura imagem de guru em finanças e estadista de respeito, ao nível dos melhores. D. Sebastião tinha regressado do norte de África, disfarçado de CS. 'Ele sabia o que estava a fazer'! (?)

Começaram as negociações.
Como os ursos, hibernamos durante todo esse período e alheamo-nos do que estava a acontecer, enquanto faziam o ninho atrás das nossas orelhas. E, em troca do muito dinheiro (que começaria chegar a rodos), CS entregou, em particular à Alemanha e França, praticamente todo o nosso tecido produtivo primário e também secundário. A agricultura foi dizimada; as pescas - com o inicial abate dos barcos e o consequente desmantelamento da frota pesqueira - foram também destruídas; a indústria pesada, o setor siderúrgico desapareceu. Para onde foi tudo isto? Alemanha e França principalmente.
Negociaram bem esses países. Ficaram com a parte de leão do negócio. Mais, conseguiram criar em nós o espírito facilista e consumista dos seus produtos e nós compramos; não com dinheiro gerado dentro de portas, mas com dinheiro deles inclusive, com créditos futuros. Até submarinos, que não precisávamos, lhes compramos (noblesse oblige).
Fomos depois comprando mais e mais produtos - mais caros - justamente à Alemanha e França, aos preços deles e contribuindo assim e fortemente para o sucesso das suas economias.
E a nossa dívida a crescer a bom ritmo!

A Alemanha sempre foi na história da Europa e do mundo um grande país e também e sobretudo hoje continua a ser, porque sabe negociar, exibindo evidentemente os seus trunfos de grande e poderoso.
Reservaram para nós a exploração da indústria barata e de mão d'obra desqualificada, massiva e intensiva: têxtil e calçado. Aí tínhamos (e temos) de concorrer com os países de mão d'obra ainda mais barata que a nossa, a dos BRICS, da Europa de leste e asiática em geral. Uma desgraça!
Queriam de nós, dizia-se, o sol e as praias, a gastronomia, o bom e simpático acolhimento e que não nos preocupássemos com o resto que eles, como marionetes, de lá nos manipulariam.
Este verde cantinho à beira mar plantado seria o seu oásis, para descanso e retempero de energias.
E nós, hibernados, concordamos!

Para os ditos acólitos de CS escorreu abundantemente o leite e o mel; para as pessoas comuns, algumas migalhas também. Com esse dinheiro barato e fácil, vivíamos todos, uns e outros, alegres e felizes.
E o cuco continuava a fazer o ninho na nossa casa!

Adormecidos pelo canto da sereia, lembrando outras épocas bem lá atrás, não nos apercebemos de que alguém estava a capturar perigosa e dramaticamente o nosso futuro.

E assim chegamos ao precipício onde estamos com o beneplácito, cobertura, cobardia e ignorância de CS.
O que fez CS quando foi, por 10 anos, primeiro-ministro?
O que fez CS no seu primeiro mandato e o que está a fazer agora no segundo, como PR?
Onde esteve o guru de finanças, o estadista exemplar CS?
Contrariamente ao que dizia Camões, CS não se libertará da lei da morte e desaparecerá com ela.
Dele, ela, a história, se esquecerá.