terça-feira, 20 de março de 2012

'O Último Segredo'

A mesmo fórmula de sempre e que tantos outros, muitos ilustres, exploraram ao longo de séculos: a religião ou se se quiser o sentimento místico das pessoas. Baralhar e voltar a dar. Explorando ou reinventando pequenos nichos passíveis de controvérsia, fazem deles a sua pepita dourada. Para relembrar apenas os mais recentes: Don Brown em ‘Código da Vince’ e José Saramago em ‘Evangelho Segundo Jesus Cristo’. Este último, até é estranho ou se quisermos mais descarado, porque sendo ele um confesso ateu, não resistiu contudo ao filão comercial do tema. Agora, JRS, também não.
Nem sequer ponho em causa o que é dito, i.e, não questiono a origem dos documentos em que se alicerçam as atuais normas da religião católica. Dou-as como boas. Admito que a evolução documental escrita, possa ter acontecido exatamente como é dito. Acrescento porém que a fragilidade ou a inconsistência da sua origem não é muito relevante para os crentes. Os crentes, ou melhor dizendo, os que sentem a necessidade existencial da crença, são compelidos, compulsivamente, a acreditar e sentem-se confortáveis com a triagem secular que a história tem feito. Obviamente que a instituição, através dos seus mais fiéis seguidores, encarregou-se de colar na Bíblia as normas que julgou mais apropriadas à causa, expurgando-lhe as indesejadas. Ainda hoje assim é: continua-se a exigir alterações da hierarquia, esta ou aquela conforme as razões do grupo que as promove.
Quanto ao romance propriamente dito e para quem conhece já JRS, é mais do mesmo, sem surpresas, variando apenas no tema escolhido, seguindo à risca o seu estilo, jornalístico, mas interessante.
Este romance, quanto a mim, fica um pouco aquém do esperado. Depois, principalmente do Anjo Branco, esperava francamente mais.

PS.: Como com quase todos os escritores estrategicamente acontece, este romance é rico e surpreendente mormente na parte final. Até mais de meio o puzzle dos personagens anda disperso, quase impegável, só a partir daí o formato da história começa, tenuemente, a clarear. Lembra uma onda gigante que bem lá trás, pequenina, se começa a formar, vem engrandecendo e engrossando pelo caminho, acabando por eclodir violenta e ruidosamente no final. Assim foi n'O Último Segredo' e ainda bem.

segunda-feira, 19 de março de 2012

PARABÉNS CI - 19MAR'2012

Isto é verdadeiramente inimaginável e até impossível de acreditar. Telefona-se para casa dos Senhores esperando-se ouvir duas vozes arrastadas, roucas e gastas pelos vetustos e usura dos anos, com as grossas pantufas a aconchegar os jarretes até aos joelhos, as longas e reforçadas mantinhas da serra da estrela enroscadas pelo corpo todo, mais parecendo ursos em plena hibernação, as escalfetas ligadas no máximo protegendo pés esqueléticos, escutando atenta e religiosamente a novela das 10:00, 'A ternura dos 65' sob o olhar atento do sempre presente cuco (o do relógio), aguardando penosa e enfadosamente a chegada da meia-noite para tomar o último chazinho quente do dia (sem açúcar porque os diabetes assim o obrigam) e eis que, surpresas das surpresas, atende o filhinho querido (mais conhecido pelo meu Joãozinho) dizendo, pasme-se, que os supra ditos Senhores tinham ido arrulhar para o escurinho do cinema, lembrando imberbes e teen pombinhos, acrescentando contudo que não tinha a certeza se a opção pela ida para o 'escurinho do cinema' se devia a reminiscências dum longínquo, inatingível e irreversível passado se ao mais elevado grau de demência de um Alzaimer galopante, em último grau mesmo. Não foi o supra dito filho capaz, por pudor ou simples amor de proteção filial, de confirmar qual das duas versões seria a mais corretamente aplicável ao caso em apreço. Fiquei eu, por minha vez, também na dúvida e curioso em saber se algum dia alguém no seu estado de perfeita sanidade mental, teria capacidade credível para me elucidar e resolver tão angustiante incerteza. Espero, apesar da inusitada ocorrência, de que tudo isto não passe de um 'miss understanding' e de que rapidamente seja reposta a verdade dos factos, a bem da nação.

domingo, 18 de março de 2012

Des compagnons de route: 30MAR'2012

Sei que não aprecia especialmente estar debaixo dos holofotes, mas hoje é exceção, uma boa exceção, aliás, e vai ver que não custa nada. Logo à noite até se vai sentir bem melhor.
Há tempos atrás em amena cavaqueira numa das aulas de inglês da tão falada e glosada Sandra, a maior parte dos presentes, exatamente sobre o tema de reforma em Portugal e do significado da palavra, por contraponto com a de outros países, aplaudiram os estrangeirismos Retired e Jubilado (não vou falar no francês - Retraite - por não vir aqui muito a propósito), e, como bons portugueses, que do que é seu facilmente enjeitam, apoucaram o bem nosso e justificado Reformado.
Tirei a esse propósito, alguns sinónimos do dicionário da APP da Porto Editora: reconstruído, reorganizado, reestruturado...
Claramente o termo português traduz definitivamente melhor a verdade do acontecimento.
Ferreira você não se vai retirar para lado nenhum, nem sequer vai jubilado, embora o mereça. Deixamos isso para os políticos que tantas incompreensíveis e injustificadas honrarias têm esbanjado e todos sabemos por quem, com quem, e com que critérios. Vai sim reformar/reorganizar a sua vida, no melhor sentido do termo. Vai escolher outra em substituição da que teve.
Até agora viveu esta durante mais de 45 anos; com ela construiu a sua bonita família e garantiu o futuro (assim também suas filhas lhe queiram dar continuidade, claro). Agora isso acabou. Vai ter de virar essa página e vai ter de reinventar outra que lhe garanta boa saúde física e mental até pelo menos aos 100 anos. Não o queremos ver de pantufas nem escondido do frio debaixo de uma mantinha.
Gostaria de ser recordado pelos seus netos com uma fotografia dessas: pantufas e mantinha? Acreditamos que não. Tem de conseguir continuar a ser um cidadão ativo. Lembre-se de Manuel de Oliveira ou Mário Soares, e os exemplos aqui são perfeitamente aleatórios, claro, que, apesar das suas vetustas idades, continuam a ter projetos e a intervir, muitas vezes mal, convenha-se, mas não desistiram.
A minha mãe, de que tenho o raro privilégio de a ter ainda comigo, tem, como sabe, 32 anos mais que o meu amigo. Se por benesse dos deuses do Olimpo ou de outros quaisquer - que para o caso pouco importa - vier a ter direito a igual exceção e privilégio, significa que ainda teria mais 32 anos pela frente. É, apesar de tudo, muito tempo; o tempo de quase uma outra vida. Pergunto, que vai fazer com todo esse tempo? Deixo-lhe este grande desafio. Reinvente-se.
Perguntava eu aqui há alguns dias atrás a um amigo meu, também a poucos dias da Reforma: como é, não vais sentir falta da atividade que tiveste durante todo este tempo? Eu, afirmou ele calmamente, conformado e bem resolvido, eu não! Esperei todos estes anos por este dia que finalmente chegou; dei, durante todo este tempo, o que melhor pude, do que melhor fui capaz à empresa e à sociedade. Não lhes devo nada. Portanto, agora, chega. Paro, tranquilo, com a exata noção do dever comprimido. Que venham agora outros e que levem a chama olímpica!
A sua empenhada, competente e quase sempre exaustiva dedicação profissional, granjeou-lhe o respeito de todos nós; o seu caráter, o seu savoir vivre e a sua bonomia, a nossa admiração. Foi uma referência. Estamos certos que igual respeito e estima ganhará nos novos amigos que rapidamente recrutará para as suas fileiras, apenas com a sua natural simpatia.

Falei amigos, Sr. Ferreira, e não amigas. Vamos com calma. Porém, se alguma semente que lá trás deixou esquecida quiser tardiamente florescer - lembre-se que nunca é tarde -, e se daí vier a necessitar de um médico amigo para lhe recomendar uns químicos que, - diz-se - agora por aí circulam e abundam - refiro-me àqueles da cor do
seu clube -, venha até cá, que sempre se há de arranjar qualquer coisa que o reanime e ponha bem-disposto.
Numa tentativa de lhe dar algumas muletas - no sentido figurado, claro - que o ajudem nestes primeiros tempos, tomei a liberdade de lhe fazer um Blogue (de que de resto há tempos tínhamos falado), a que chamei propositadamente 'Fio de Prumo', onde poderá exercitar finalmente os seus dotes escondidos de escritor, de intervenção social ou para qualquer outro fim que venha a descobrir e que lhe desperte interesse.
Criei-lhe também uma página no Facebook - desculpe o atrevimento - onde o poderemos acompanhar mais à distância e vice-versa e ainda um e-mail - no Gmail -, cujos endereços estão abaixo.
A password dou-lha depois e depois também a alterará.

http://fio-de-prumo2012.blogspot.com
www.Facebook.com
manuel.ferreira2403@gmail.com
Antes do brinde que queremos partilhar consigo e de um forte e sentido abraço que desejamos dure os ditos mais 32 anos, queremos deixar-lhe uma recordação que por ser em material resistente, esperemos que dure os 32 anos, pelo menos.
Termino com a frase que democraticamente selecionamos e assinamos para si:
"As pessoas entram na nossa vida por acaso; mas não é por acaso que elas permanecem"Teresa, Magalhães, Resende, Anselmo, Paula, Antonieta, Rocha, Dália, Fernanda, Conceição.
Até já, até sempre.
BCP-DCTB-Porto Março’2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"A vida num sopro"

Não vislumbro e até apouco a opção de JRS de incluir na trama a história da Guerra Civil Espanhola - capítulo 3 -, explicada apenas por sentidos critérios de credibilidade autorais ou então numa tentativa de enriquecimento da história com elementos de grande impacto, de vizinhança e do conhecimento geral. Mas se assim foi, e admito que sim, estamos a falar de critérios meramente comerciais. E ao ler o capítulo a ela dedicado nota-se que a sua inclusão e abordagem é forçada. Para caraterizar o personagem (o Chico), fê-lo passar por um sem número de peripécias e lugares que 'sabem' a exagero. Até porque, até aí, nada no personagem indicava que fosse capaz de sobreviver incólume a tantas provações...
Quanto ao resto, o que não é pouco, a narrativa da ação é conduzida com grande mestria, intensa, muito bem ligada, colando irremediavelmente o leitor à história da qual só na última linha se liberta.
Usa as palavras certas e interessantes figuras de estilo para definir os contextos e sem exageros. Leitura de entretenimento, corrida, agradável e ultrarromântica.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Homenagem a Amália Rodrigues



Homenagem a António Silva

Homenagem a Vasco Santana

Homenagem ao Fado


Homenagem a Marilyn Monroe 1926 - 1962

Homenagem a Morgan Freeman

Homenagem a Jack Nicholson

Homenagem a Robert de Niro

Homenagem a Meryl Streep

Homenagem a Luís de Camões

Homenagem a Mário Soares

Hmenagem a Wernher von Braun . 23MAR1912 - 16JUN1977

Homenagem a Luciano Pavarotti . 12OUT1935 - 06SET2007

Homenagem a Giuseppe Verdi . 10OUT1813 - 27JAN1901

Homenagem a Wolfgang Amadeus Mozart . 27JAN1756 - 05DEZ1791

Homenagem a Ludwig Van Beethoven . 16DEZ1770 - 26MAR1827

Homenagem a Mahatma Gandhi (02OUT1869-30JAN1948)

Homenagem a Eca de Queirós (José Maria de Eça de Queirós (Póvoa Varzim, 25NOV1845-Paris,16AGO1900)

Homenagem a Victor-Marie Hugo (1802-1885)

Homenagem a Nelson Mandela

Homenagem a Pele (Edson Arantes do Nascimento )

Homenagem a Eusébio da Silva Ferreira

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

... dia de Reis

Com hoje é dia de REIS e não tive a oportunidade e o privilégio de partilhar o acontecimento com as minhas habituais e insubstituíveis comensais, e querendo, de alguma forma aplanar essa lacuna, envio por esta via a recordação possível do evento, para que fique registado para memória futura que não se tratou de mera alternância de companhias, mas motivos fortes e de índole também relevante, me levaram para outras paragens. Paragens que, apesar de também agradáveis, não fizeram esquecer, antes pelo contrário recordar tão ilustres ausências.Aqui vai pois e bom apetite:
Nota:Sei que há pessoas que gulosa e secretamente – qual chocolate escondido para mais tarde glosar - mantêm em escaninhos esconsos e gradeados a sete chaves, não a imagem sugestiva e virtual do supra mostrado e cobiçado espécime, mas outro sim aquele pedaço Pavloviano que qualquer canídeo não enjeitaria.Como classificar e manter em bom patamar relacional tal casta de gente (?!)A dúvida instalou-se e quiçá nem um fim de semana que se aguarda inesquecível fará olvidar ou ultrapassar tão enigmática e desconcertante postura!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Reforma na Função Pública vale mais do dobro da Segurança Social

Reformam-se mais cedo e com pensões mais elevadas.
Em média, em 2009 os funcionários públicos aposentam-se aos 59,6 anos e com uma pensão de 1.240 euros. Já na Segurança Social deixa-se de trabalhar mais tarde - 62,8 anos - e por menos dinheiro - 472 euros.
O primeiro-ministro justificou os cortes nos subsídios de Natal e de férias dos funcionários públicos com o facto de o Estado pagar salários 10 a 15% superiores aos do privado. O JN foi ver o que se passa no regime de aposentações e concluiu que as reformas dos trabalhadores do Estado valem mais do dobro das pagas pelo regime geral da Segurança Social, que ficam, aliás, abaixo do salário mínimo nacional, fixado em 485 euros.

JN, 21NOV'2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

'D'este viver aqui neste papel descripto - Cartas da guerra'

António Lobo Antunes
Tivesse eu 'engenho e arte' - como dizia o outro -, e quase que podia replicar, também em tão denso e volumoso livro, o meu caso pessoal. Podia ter-me cruzado com ALA durante o ano de '73. Estivemos em muitos lugares comuns: Luanda e Luso, nomeadamente. Ele foi para GC e eu fiquei a 15 Km do Luso, Sacassange, primeiro, e Cangamba/Cangombe, depois; mais tarde, 2ª metade de '74, em Quibala Sul. Contudo as histórias vividas e a s/ intensidade (se também narradas) seriam, pràticamente, as mesmas. A dele contudo, na vertente militar, foi claramente mais envolvente, intensa e comprometedora. Os casos pessoais afectivos, cada pessoa tem òbviamente os seus, mas a ambiência em que foram vivenciadas são idênticas, para não dizer iguais. Deixo-lhe uma palavra de apreço pessoal e grato reconhecimento por ter conseguido por em livro - com a s/ mais valia de escritor -, de forma 'tão informal' e por isso mais verdadeira, o testemunho de muitas milhares de vidas de jovens portugueses que por lá passaram.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Empresas públicas dão mundo de regalias a trabalhadores e familiares

04OUT2011-‘SOL’- A Soflusa dá mais de 100 mil viagens grátis por ano.
Os filhos dos sete mil trabalhadores da TAP não pagam bilhetes de avião nesta operadora aérea até aos 25 anos e alguns mantêm a regalia mesmo depois de os pais já se terem reformado da companhia.
Na Carris, estar de baixa compensa porque a empresa garante ao trabalhador o salário sem descontos. As empresas públicas devem mais de 38 mil milhões de euros!
* Conhece-se a origem destas benesses, muito aumentadas depois de Abril’74. É chegada a hora, aproveitando a presença da TroiKa, para rectificar os exageros.

Ordem dos Médicos quer fim aos atestados por gripes

04OUT’2011 - Jornal do Algarve – Proposta da Ordem dos Médicos visa reduzir os atestados médicos por gripes ou enxaquecas, combatendo as falsas declarações. A Ordem dos Médicos vai apresentar uma proposta ao Ministério da Saúde para reduzir os atestados médicos por gripes ou enxaquecas, noticia o “Público.

* Interessante iniciativa, pecando apenas por tardia. Oxalá tenha acolhimento no MS.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Madeira / U.E.

1.Nota-se bastante animosidade/revolta dos continentais contra os Madeirenses, quando se pensa na dívida enorme - 5/6 MM€ - que a Madeira (A. João Jardim) contraiu. Vêm inclusive ao de cima ideias de independência, não por parte dos madeirenses mas dos continentais. Estes não estão dispostos a pagar o que eventualmente lhes venha a caber para resolver aquela questão. Esquece-se, com facilidade, a consanguinidade do todo nacional (com Madeira+Açores). Fizeram a dívida que a resolvam, mas não à n/ custa, diz-se à boca pequena.
2.
Por contraponto e sem qualquer consanguinidade, que dizer da reacção dos (alguns) Finlandeses/Alemães, quando se negam a contribuir para resgatar o problema da dívida de Portugal?! Convenhamos que, aos olhos daqueles (poucos) cidadãos, não será fácil compreender a dita ajuda, sabendo eles que também lhes vai sair do bolso! Que, a curto/médio prazo, serão prejudicados directamente! Sabemos que aquela ajuda é justificada pelo cruzamento de interesses existentes entre os países e que ao fazê-lo estão a protegê-los. Mas ao simples cidadão a interpretação do funcionamento da alta finança passa um pouco ao lado.
3.Aos dirigentes políticos/media, compete um papel esclarecedor importante. Apenas palavras de solidariedade são insuficientes e até caem mal. As pessoas comuns querem mais. Querem saber exactamente o que está em causa. Podem não saber muito de finanças mas não são estúpidas.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Conluio entre Médicos e Professores!

2011-09-26 - (DN) '...entre Outubro do ano passado e Janeiro deste ano foram passados 70 mil atestados médicos a professores do ensino público, o equivalente a 514 mil dias de baixa. No total mais de onze mil clínicos assinaram as baixas. Só uma médica passou 413 atestados'.

Viva os Professores e os Médicos… Classes/Instituições privilegiadas, comendo todos à mesa do OJE! Contra estes comportamentos cívicos Mário Nogueira/José Manuel Silva não se pronunciam. Com que moral vêem para a rua reivindicar da sociedade mais privilégios?! Resolver assim problema português é impossível.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A João Jardim_O Trapaceiro

Grande Líder? Caso patológico? Ora aqui está um caso em que a história será biface: i)se visto por um madeirense, será um grande líder: nos últimos 30 e tal anos transformou a região autónoma da Madeira numa das poucas regiões ricas do todo nacional. Com a sua liderança, ludibriando tudo e todos, conseguiu desviar para lá, milhões e milhões. Modernizou a ilha com vias-rápidas, túneis, boas acessibilidades, hospitais, Universidades, turismo … O povo da Madeira muito lhe deve; ii) se visto pelo nacionais - àparte a partidarite – será (tantos adjectivos possíveis…) um, digamos, sacana. Mas aldrabão, vigarista, trapaceiro… também lhe vão muito bem. Política e èticamente, é inadmissível a existência de um protagonista assim. Evidentemente que vencerá as próximas eleições de Outubro. A sua gente não quer saber como é que ele consegue o dinheiro, importa-lhe sim – tout court – que o arranje e continue a arranjar. Dar-lhe-ão ainda mais votos para poder continuar a trapacear, mantendo assim a torrente do leite e do mel activa e na direcção insular. Pessoalmente acho que estragou a Ilha, irremediàvelmente.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ponto inicial: é preciso reduzir o custo do Estado

"Ponto inicial: é preciso reduzir o custo do Estado. Não há maior banalidade que dizer isto. Nem maior dificuldade, como se vê. O Governo de Pedro Passos Coelho já engoliu essa dose de humildade, e terá de a vomitar um dia: as gorduras que denunciou são um mito. Para cortar despesa do Estado é preciso ir aos salários Função Pública ou às pensões, é preciso ir às empresas do Estado, é preciso ir à Saúde e à Educação, é preciso começar a reduzir a dívida para baixar a âncora dos juros".
PSG-Jornal Negócios

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Repartição dos impostos

É que, desta forma – com impostos generalizados -, nenhum sector social/corporativo foi isoladamente afectado, e por isso não tem havido manifestações: estão todos a ser atingidos de igual forma(?). Como são todos, ninguém se manifesta. E o governo quer evitar as manifestações, não só por questões gestão política (de sobrevivência) como, diria que principalmente, por razões de visibilidade externa. Querem evitar a todo o custo (e que custo!) que Portugal dê uma imagem para o exterior de sublevação popular/nacional, como na Grécia tem acontecido. Uma das formas de neutralizar esses ímpetos revoltosos é repartir o problema por todos(?), não hostilizando este ou aquele sector. Ontem mesmo, qual Egas Moniz de corda ao pescoço, PPC foi ‘prostrado’, ‘de joelhos’, agradecer à Srª Merkel. Não que os Alemães não mereçam esse reconhecimento mas é humihante ver Portugal posto internacionalmente nesse papel. Os erros de gestão do passado vão começar agora a ser pagos. Oxalá se consiga, mas vai ser doloroso.

Cavaco e o imposto sobre heranças

Nem se esperava, de resto, outra atitude. Cavaco Silva junta-se às orientações do governo, dando-lhe cobertura política, optando por colaborar na recriação de impostos e mais imposto. (até parece que o que lhe importa mesmo, é ver garantidas as suas 2 reformas - 142M€/Ano -. Não fora José Sócrates ter imposto a lei da não acumulação - reformas/vencimentos - ainda receberia mais o ordenado de PR). Até as heranças, até agora isentas, querem taxar e CS deu já o seu aval.
A ideia que atravessa o país é que vão tentar resolver o problema do país, bàsicamente, com receitas dos impostos. As tão desejadas reformas do estado, que permitiriam equacionar um futuro diferente, mais sustentável, e finalmente mais justo, nem vê-las. Coragem, falta coragem para as implementar.

domingo, 28 de agosto de 2011

Lágrimas de crocodilo..

Esta onda de solidariedade dos mais ricos (nascida nos EUA e instântaneamente chegada à Europa, mais conhecidamente à França, Espanha e também Portugal) perante a crescente pobreza geral, é curiosa e merece alguma atenção. Até agora, mesmo depois do crash de 2007/2008 em que, principalmente depois daí, muita pressão se fez sobre os políticos para que, aproveitando a oportunidade, promovessem grandes reformas e acabassem, por exemplo, com os off-shores, nenhum deles, individual ou colectivamente reunidos em grupos económicos - desde o G8 ao G20 -, ninguém, até agora, dizia, ousou beliscá-los. Agora, qual virgem ofendida, por ninguém lhes dar atenção, vêm, por iniciativa própria dizer aos quatro ventos, que também querem participar (é admirável ouvir Joe Berardo vertendo lágrimas de crocodilo…), que também são gente, que também vivem neste planeta, proclamam! Não querem, pois, serem esquecidos (como se alguém deles se esquecesse!). Expoente máximo do cinismo! É, contudo, uma jogada de mestre. Para além de estar pouco dinheiro em causa – fala-se num máximo de 1,8% -, o que custa prontificarem-se e tão generosamente contribuir com uns tostões, preservando contudo os biliões? Sim, porque assim são-lhes ractificados os biliões. A partir daqui, a opinião pública valida-lhes esses biliões e fica tudo bem nos dois reinos. Não há mais motivos para 'os ricos que paguem a crise'. Ficam assim finalmente irmanados ricos e pobres. Estão os segundos, mais uma vez, a dar tiros nos pés, a comprometer possíveis soluções políticas de fundo, retirando tema aos políticos e estes agradecem. Solucionam-lhes até um grande problema. Claro que, sabemos por experiência, que também eles não iam fazer coisa alguma…

sábado, 27 de agosto de 2011

Património Kadafiano destruído!

O furacão revolucionário que neste momento arrasa quase toda a Líbia está a destruir quase por completo todo o património recente identificador de Kadafi. Pretende-se, e isso acontece em todas as grandes revoluções sanguinárias, apagar da história do país os vestígios destes últimos 40 anos, para reconstruir um futuro diferente e melhor. Não é meu propósito, neste momento, avaliar os últimos anos da era Kadafi - que foi má -, mas lembrar que se está a destruir economia e um bem futuro altamente rentável: turismo. (A UNESCO hoje mesmo falou nisso). Uma das grandes fontes de captação de divisas e motor de uma florescente industria em muitos países, em quase todos, é justamente o Turismo. A receita do turismo tem um peso significativo nos seus PIB e todos investem, mais e mais, para o potenciar. Sabemos que a Líbia tem petróleo mas também sabemos que os outros seus vizinhos, embora o tendo, estão a diversificar os seus investimentos, incluindo no turismo. O Egipto, também em revolução, preservou o seu património, que sabe ser muito importante para a sua história e para a sua economia.
As agências de Viagens e Turismo têm de ter matéria prima identificada e capaz, para poderem vender ao turista; têm de ter um portefólio diversificado e aliciante (e concorrencial) que seja capaz de o convencer a optar por este ou aquele país. Veja-se o que fez Fidel Castro em cima das ruínas da revolução cubana ou Mustafa Araturk na Turquia! Poucos países terão passado por transformações tão profundas mas, seus líderes, reconstruíram os passados dos seus países e tiraram proveito económico. O que seria Cuba e muitos outros países sem turismo!? É pena pois, embora compreensível, a destruição geral que está a ocorrer naquele país. As casas e os palácios de Kadafi seriam apelativos para o turista e podiam dar muitos empregos a muitas pessoas num futuro próximo, estou certo. O deserto vende pouco e o nada não vende de todo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cavaco Silva e a história.

A história não será simpática para com CS e, se dele se lembrar, não vai ser por bons motivos. Economista reputado, assim o dizem, não foi capaz de usar essa sua mais valia(?) nas alturas críticas. Sabia(?) que as despesas estavam a derrapar substantivamente, podia dar alertas diversas ao país e aos governantes, 'obrigando-os' a corrigir no tempo certo, e não o fez. Como é que a história vai observar essa sua inércia, essa sua falta de coragem política? (o povo continua a acreditar nele, mas também não percebe nada de finanças). Teve muitos anos muito poder nas mãos mas nunca foi capaz de liderar o futuro: fez sempre uma gestão do imediato, do dia a dia. Governou sempre por debaixo das nuvens, sem horizonte. Teve imensas oportunidades de alterar muitas coisas erradas e não o fez. Deixou hipotecar o futuro. Não tem perfil de líder. Não é visionário. Recebe as suas três(?) reforminhas, e parece ser essa a sua grande preocupação: garantir um bom fim de mês mesmo sabendo que o país não aguenta esses excessos, além de ser socialmente injusto. Sabe que há muitos outros em idênticas circunstâncias, a pesar no OGE e nunca se lhe ouviu uma palavra de condenação (apetece aqui lembrar Ramalho Eanes ao aceitar receber apenas uma das reformas a que tinha direito, abedicando honrosamente da outra!). Teve agora CS uma boa oportunidade de corrigir muitos desses desvarios e, pelo contrário, rejeita-os. Refiro-me à aceitação constitucional do tecto do deficit: o homem não quer. Porquê? Ora sabemos que se isso não estiver aí plasmado, os políticos, quaisquer que sejam, ele incluído, não terão coragem nunca, nem no momento actual, de se obrigarem a tectos máximos de endividamento. Esta pressão da Alemanha/França para que cada país da zona euro aceite o princípio constitucional do endividamento máximo, era uma boa muleta para todos os políticos nacionais. Mas a maioria de esquerda, e CS não quer. Oportunidade perdida. Veja-se a benfazeja presença da Troika e as reformas que vão obrigar a fazer, reformas que os políticos nacionais nunca foram capazes de empreender. Ou seja apenas com pressão externa se reforma, feita por terceiros portanto!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cancelar obras, não é REFORMAR!

Nos últimos dias temos ouvido alguns ministros tomarem posições sonantes quanto à intenção de corrigir as despesas do estado, nomeadamente Assunção Cristas, em diversas empresas relacionadas com a Expo (80M€), e Álvaro Santos Pereira, cancelando dez troços da Baixo do Tejo (270M€). Se é para travar gastos inoportunos (Expo), adiáveis e porventura injustificados (Baixa do Tejo), aplaude-se a mediada, apesar, de com isso, o estado abdicar de ser o promotor da economia, (contrário à famosa teoria Keynes). Mas atendendo a que não há dinheiro, fica o benefício da dúvida. É demagógico contudo inseri-las no processo de reforma do estado que tanto se esperam. Reformar é outra coisa: é, principalmente, emagrecer o estado onde já é gordo. Institutos injustificados e em duplicado e Fundações que não o são verdadeiramente, são um bom exemplo. Outros sectores de onde se esperam grandes acções de emagrecimento são a Educação e a Saúde, Forças militares/militarizadas (levam uma enorme fatia do OGE: 80%), Autarquias e Governos Regionais. Aí sim estamos todos à espera, até quando…

domingo, 21 de agosto de 2011

O caso Mário Crespo.

Não há almoços grátis, diz-se, e, também aqui o dito é aplicável. Outrora MC investiu no seu futuro num luta(que luta?) que travou com José Sócrates, ajudando a denegrir-lhe a imagem. Foi uma estratégia incentivada e acolitada pelo PSD e o PSD agora quer pagar a dívida: um cargo bem pago nos EUA, disfarçado de jornalismo, pago com os dinheiros públicos da RTP, de todos nós. Não sei como é que caso vai evoluir, uma vez que carga política derramada sobre o caso, por vários sectores, manietou a margem de manobra do governo. O governo ficou muito exposto e, quiçá, pode recuar. Mas fica para a história a subserviência do governo ao poder dos media ou, se se quiser, o governo paga bem aos seus.

sábado, 20 de agosto de 2011

Mourinho, o LÍDER!

No último encontro entre o Real e o Barça, o Barça levou a taça. O Real jogou melhor, nos dois jogos, mas o Barça meteu mais golos: ganhou. No final, Mourinho argumentou que o Barça é uma equipa pequena, ou seja, depois de uma derrota da sua equipa, para lhe manter o ânimo, projectou-a para a frente, minimizou o adversário, dizendo a todos, aos seus jogadores principalmente, que estavam a jogar numa grande equipa e que o futuro era deles. Isto é uma postura de um líder: pega no passado, embora menos bom, e não perde tempo com ele.
Repensa-o para si, e passa para os seus, para o grande público, aquilo que quer do futuro. Os líderes das grandes e pequenas empresas também assim procedem. Não perdem tempos com possíveis insucessos. Na retaguarda fazem a mistura e quando chegam ao público já trazem a solução, comentando o passado com decisões de futuro. Parece haver uma contradição de Mourinho, quando há dois anos, enquanto ao serviço do Inter e jogando precisamente contra o Barça, obrigou o Inter a fazer um mau jogo, mas ganhou a Champions. Mas não, o futuro daquele ano desportivo acabava ali, no final jogo, e levou a taça. Abandonou o Inter logo de seguida.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PPC: homem avisado!

Em jogada de antecipação, sabendo que o futuro dentro do partido não será pacífico, PPC joga xadrez, dispondo as peças: pega em Marques Mendes e Luís Filipe Meneses e amordaça-os como Conselheiros de Estado (quanto recebem mais por isso ? - job for the boys -); em Santana Lopes, e coloca-o numa prateleira dourada na Santa Casa ML (quanto mais vai ele ganhar?); a Nogueira Leite, a vice-presidência da CGD (vai ganhar muito mais ...). Fica de fora a velha senhora, Manuela Ferreira Leite, porque, pela idade, já não protagonizará qualquer futuro. Marcelo Rebelo Sousa, este mais difícil de domar, até porque corre em pista própria e quer manter a sua independência para a eterna candidatura a Belém e Pacheco Pereira, que tal como Marcelo nunca gostou de PPC, estes, não consegue acantoná-los e vai te de suportar a sua liberdade de expressão, a contragosto. Até porque, no caso de Marcelo, é impossível arranjar-lhe um lugar onde possa ganhar mais do que com a sua actividade actual: fala-se em 60.000/mês.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O homem (PPC) não vai lá ...

PPC, antes de chegar a S. Bento, defendia tenazmente a privatização de muitas empresas, incluindo a CGD, pasme-se, (tendo em conta o actual contexto)! Agora nem a RTP consegue privatizar. Não estou a dizer que concorde/discorde de tal, apenas sublinho a incapacidade que demonstra em tomar decisões difíceis, nomeadamente esta que ia contra o nº um do PSD – FPBalsemão –. Sabemos que tal decisão poderia acabar com a SIC, provado que está, em particular na fase económico/financeira que se vive, de que o bolo da publicidade não dá para tanta gente. Mas, pergunto, o homem não sabia já disso? Era ignorante ao ponto de não acompanhar a vida das empresas e do pais? Estou certo que sabia, só que, o que os eleitores queriam ouvir era um discurso novo e, mais importante, o que importava era chegar lá, a S. Bento. Chegou e não sabe agora o que há-de fazer, que rumo tomar. Ai de nós … Digo-o com pesar porque os tempos não estão para hesitações. Urge tomar medidas e haja quem as tome depressa e bem. Tinha-lhe dado um voto de confiança, vamos ver até quando!
Outro exemplo: a questão polémica dos professores! Do que se sabe, admito que se venha a assinar ‘um acordo’. Mas que acordo? Não terá nada a ver com o anterior e, bàsicamente, ficará tudo na mesma. Ou seja a tão desejada reforma no sector fica mais uma vez adiada, sine die. O homem não tem coragem para ‘reformar’ coisa nenhuma. Coragem, falta-lhe coragem. Não é fácil, sabemo-lo, promover reformas sérias e aguentar uma confrontação com uma corporação rica com esta, mas é disso que o país precisa: reformas profundas!
Dão-se alvíssaras a quem encontrar essa pessoa certa!
Outro exemplo ainda: TGV
Alguém duvida que este governo vai construir o TGV? Acompanhe-se a visita do ministro Álvaro Pereira a Espanha. Qual a mensagem? - Daremos uma resposta em Setembro! Porque não já, se era um assunto ‘resolvido’, inclusive foi grande tema de campanha? Ora, ora! Quantos votos ganhos por conta deste argumento. Mais uma vez: o homem não sabia o que andava a prometer? Sabia certamente, mas apenas o contrário conquistava votos.

E ainda a procissão vai no adro!

Quanto é que PPC vai custar ao país?

Muita gente afirmou, antes das eleições, que PPC não estava preparado para governar. É impossível quantificar esta afirmação, òbviamente, mas estamos a falar de um país, de biliões portanto e, principalmente, de um país em banho maria, hipotecado à impreparação, à espera da luz verde. Até quando? Ocorre-me a celeridade com que o 1º ministro inglês, David Cameron, tomou as medidas que tinha pensado aquando ainda na oposição, i.e., preparou-se na oposição para ser primeiro ministro, tinha já em carteira as medidas que julgava adequadas às circunstâncias (igualmente difíceis) e, lá chegado, aplicou-as. O país não ficou à espera ‘meses’ que se fizessem estudos. Certas ou erradas, o futuro dirá, mas o país não ficou parado, como está o nosso. Nesta corrida contra o tempo, a ausência das medidas certas está a ficar-nos cara: 50% do 13º mês, Iva a 23% no gás/electricidade… dinheiro usado para tapar buracos que as reformas (do lado da despesa) deviam resolver. Mais e não menos importante: estas medidas, do lado das receitas, inviabilizam futuras soluções de emergência nacional. Daqui para a frente só é possível absorver dinheiro do lado da despesa. Do cidadão não é possível sacar mais. Está a ficar exangue. Oxalá não cheguemos à situação grega: exangues +++.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O MONSTRO! (Funcão Pública)

Até 25ABr’74, a população portuguesa em geral (em especial o ‘povo’), vivia em condições de humanidade difíceis e acabrunhantes. Com o eclodir da revolução dos cravos a vontade de equiparação com os demais países no domínio social, mormente os Europeus, veio ao de cima e, de conquista em conquista, foram-se alcançando vitórias sociais importantes. Unidos em Sindicatos e Centrais Sindicais, dinamizados por estes, foram-se consagrando direitos em cima de direitos. Sempre a reivindicarem mais e mais, independentemente de se saber se havia ou não para distribuir. Foram criadas fortes corporações, em especial no Sector Público – quer do estado, directo, quer das empresas públicas - . Ficaram tão fortes que nenhum governo até hoje conseguiu equilibrar o rendimento com a s/ distribuição. Para agravar este binómio – receitas/despesas -, há o factor eleições, que ninguém quis perder, dando/confirmando benesses para conseguirem vencê-las, à custa da hipoteca do futuro. O sector público, num crescendo imparável, tomou as rédeas da distribuição da riqueza nacional e abocanhou a grande fatia. Os funcionários públicos aumentaram desmesurada e descontroladamente: rapidamente de 400.000 passaram para 700.000. A acrescentar ao número exorbitante, há os bons ordenados auferidos (> em 500€/mês, se comparados com os privados); lugares de chefia em duplicado (1018 diz o último estudo, só nas finanças e educação); organismos também em duplicado, 60 diz o mesmo estudo. E agora, que não há dinheiros para manter tudo isto, pergunta-se: que fazer? Sabemos que não é fácil, a quem chega, resolver estes problemas de décadas, porque mexe com a vida das pessoas e são muitas e mexe também nos equilíbrios sociais estabelecidos. Têm contudo, atendendo ao momento que vivemos, de aproveitar a oportunidade (de ouro) para, não digo desde já resolvê-lo em definitivo, mas no mínimo fazer algo que minimize o problema e o projecte para futuro. Lembra-se que o Sector privado não tem estas redes de amparo: quando é preciso, inova-se, reformula-se, investe-se e até se despede. Repito: o sector público está a levar o país à ingovernabilidade, quiçá – oxalá não – à falência. Se é preciso rearranjar, acho que se deve começar por onde está francamente mal: o sector público. Reajuste-se aos poucos os salários, as reformas (as professoras primárias ganham à volta de 2.500/mês), os sectores especias de saúde (adse) e demais. Integre-se tudo o SNS. Um só sistema. Reajuste-se equiparando os políticos ao cidadão em geral. (Marques Mendes veio reformado aos 50 anos, depois de 20 como deputado. Porquê esta benesse? A Mota Amaral – ex. Presidente da AR -, foi-lhe atribuído BMW e gabinete. Porquê?
Nota 01: Em 2010, segundo artigo de jornal, os funcionários públicos faltaram em média 18dias/ano por baixas. (?!?!?!)
Nota 02: Trabalho no privado há mais de 30 anos e não me lembro de ter faltado, nunca.